Dica do autor: A dor auricular intensa associada à manipulação do pavilhão auricular é um dos achados clínicos mais clássicos da otite externa, também conhecida como “ouvido de nadador”. Essa infecção acomete o meato acústico externo, podendo atingir desde a cartilagem até a pele que reveste o canal auditivo. Em crianças, a principal queixa é dor exacerbada ao movimentar a orelha ou tracionar o pavilhão, o que diferencia essa condição de outras otopatias, como a otite média aguda. O exame físico costuma revelar hiperemia difusa do conduto auditivo externo, edema e, em casos mais avançados, presença de secreção purulenta. Febre pode estar presente, especialmente em crianças pequenas. A dor intensa à palpação do trago ou tração do pavilhão auricular é um sinal-chave, pois indica inflamação localizada no conduto auditivo externo, e não na orelha média.
Alternativa A: INCORRETA. A otite média aguda é uma infecção do ouvido médio, geralmente secundária a infecções respiratórias altas. Embora também possa causar dor e febre, o exame otoscópico revela membrana timpânica abaulada, opaca ou hiperemiada, sem dor à manipulação do pavilhão. A dor à tração da orelha é um achado característico de otite externa, não de otite média.
Alternativa B: INCORRETA. Um corpo estranho no canal auditivo pode causar desconforto, secreção e até infecção, mas geralmente não causa dor intensa à tração do pavilhão. O diagnóstico é feito pela visualização direta do corpo estranho no exame otoscópico, o que não foi mencionado no caso.
Alternativa C: CORRETA. O quadro descrito — dor à manipulação do pavilhão auricular, febre, choro à palpação e hiperemia no meato acústico externo — é típico de otite externa. Esse processo inflamatório pode ser desencadeado por trauma local, umidade excessiva (natação frequente) ou manipulação com objetos (ex: cotonetes), o que facilita infecção por bactérias como Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus.
Alternativa D: INCORRETA. O barotrauma auditivo decorre de alterações súbitas de pressão (ex: voos, mergulhos) e pode cursar com sensação de plenitude auricular, dor e hipoacusia. No entanto, não está associado a dor à tração do pavilhão auricular nem à hiperemia do conduto externo.
Alternativa E: INCORRETA. A perfuração timpânica traumática ocorre após trauma direto (cottonete, explosão, barotrauma), sendo caracterizada por otalgia súbita, sangramento e perda auditiva. O exame otoscópico revela a perfuração timpânica, mas não há dor intensa à tração do pavilhão, o que afasta essa hipótese.
Resposta correta: Alternativa C
Referências:- BICKLEY, Lynn S. Bates: Guia de exame físico e história clínica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.
- PORTO, Celmo C. Semiologia médica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
- Cummings, C. W. Otolaryngology: Head and Neck Surgery, 6ª edição.
- Ministério da Saúde. Protocolo de manejo de otites agudas em atenção primária.