Dica do autor: O pulo do gato aqui é diferenciar prevalência aparente (observada pelo teste) da prevalência verdadeira. Quando um exame não tem especificidade perfeita, ele gera falsos positivos e inflaciona a incidência observada; quando não tem sensibilidade perfeita, gera falsos negativos e subestima. A relação matemática que liga prevalência verdadeira (P), sensibilidade (Se), especificidade (Sp) e prevalência aparente (App) é: App = Se·P + (1 − Sp)·(1 − P). Para isolar P usamos: P = (App − (1 − Sp)) / (Se + Sp − 1). No nosso caso Se = 1 (100%) e Sp = 0,8 (80%), portanto App = 0,24. Substituindo: P = (0,24 − 0,2) / 0,8 = 0,04 / 0,8 = 0,05 (5%). Um raciocínio prático: em 1.000 pessoas, com prevalência verdadeira 5% teríamos 50 doentes detectados (Se 100%) e 0,2 × 950 = 190 falsos positivos; total observado = 240 positivos → incidência aparente 24%. Fique ligado: baixa especificidade em coorte com prevalência verdadeira baixa gera muitos falsos positivos e inflaciona muito a incidência observada.
Alternativa A: CORRETA. Aplicando a fórmula direta: App = Se·P + (1 − Sp)·(1 − P). Com Se = 1 e Sp = 0,8, temos 0,24 = 1·P + 0,2·(1 − P) → 0,24 = 0,2 + 0,8P → 0,8P = 0,04 → P = 0,05. Também dá para ver pelo exemplo de 1.000 indivíduos (50 verdadeiros positivos + 190 falsos positivos = 240 observados). Portanto 0,05 (5%) é a verdadeira incidência.
Alternativa B: INCORRETA. O valor 0,192 não decorre da equação correta. É possível que quem escolheu esse número tenha confundido conceito de valor preditivo positivo ou feito conta trocada; mas não é a prevalência verdadeira dada a sensibilidade e especificidade informadas. Se fosse feita a conta correta, chega-se a 0,05, não 0,192.
Alternativa C: INCORRETA. 0,24 é a incidência aparente observada pelo teste — ou seja, o que o exame retornou. Não é a verdadeira incidência, porque o teste tem especificidade <100% e, portanto, gera falsos positivos. Somente se Se = Sp = 1 a incidência aparente fosse igual à verdadeira.
Alternativa D: INCORRETA. 0,316 não se obtém pela relação correta entre Se, Sp e prevalência verdadeira. Esse número sugeriria outro tipo de erro de cálculo (por exemplo, trocar sinais ou aplicar fórmula invertida). Não corresponde à verdadeira prevalência no cenário dado.
Resposta: Alternativa A
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Um estudo de coorte detectou incidência de 24% da doença D entre expostos a um fator de risco. Sabendo que o exame diagnóstico para detectar essa incidência tinha sensibilidade de 100% e especificidade de 80%, qual teria sido a verdadeira incidência de D nessa coorte?
A
5,0
B
19,2
C
24.0
D
31,6
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