Dica do autor: A ruptura de bexiga é uma lesão associada principalmente a trauma abdominal contuso, frequentemente em pacientes com bexiga distendida no momento do impacto. O sinal clínico mais comum é a hematúria macroscópica, podendo estar associada a dor suprapúbica, distensão abdominal e dificuldade ou incapacidade de urinar.
O exame padrão para diagnóstico é a cistografia retrógrada, que demonstra o extravasamento de contraste fora dos limites da bexiga. A interpretação da imagem permite diferenciar dois tipos principais de lesão, algo muito cobrado em provas:
-
Ruptura extraperitoneal: o contraste extravasa para o espaço perivesical, permanecendo restrito à pelve. Os padrões clássicos descritos incluem “chama de vela”, “gota de lágrima” ou “sinal do dente molar”. Geralmente está associada a fraturas de pelve e o tratamento costuma ser conservador com cateter vesical de demora.
-
Ruptura intraperitoneal: ocorre ruptura do domo da bexiga, permitindo que o contraste se espalhe livremente pela cavidade peritoneal, delineando alças intestinais. Um aspecto clássico descrito é a imagem em “orelha de burro”. Nesses casos há risco de peritonite urinosa, sendo necessária correção cirúrgica por laparotomia exploradora.
Como o enunciado descreve extravasamento de contraste para a cavidade peritoneal, o diagnóstico é ruptura intraperitoneal da bexiga, cuja conduta é tratamento cirúrgico.
Alternativa A: CORRETA. A presença de contraste extravasando para a cavidade peritoneal, com padrão descrito como “orelha de burro”, caracteriza ruptura intraperitoneal de bexiga. A conduta indicada é laparotomia exploradora com reparo da lesão vesical.
Alternativa B: INCORRETA. A ruptura extraperitoneal apresenta extravasamento de contraste restrito ao espaço pélvico, com padrões como “chama de vela” ou “dente molar”, e costuma ser tratada com cateter vesical de demora, não sendo o caso descrito.
Alternativa C: INCORRETA. A ruptura extraperitoneal raramente necessita de laparotomia, pois a maioria dos casos é manejada de forma conservadora com drenagem vesical.
Alternativa D: INCORRETA. A ruptura intraperitoneal não deve ser tratada apenas com cateter vesical, pois o extravasamento de urina na cavidade peritoneal pode levar à peritonite, exigindo correção cirúrgica.
Alternativa E: INCORRETA. Embora o tratamento descrito esteja correto para ruptura extraperitoneal, esse não é o tipo de lesão evidenciado na imagem descrita no enunciado.
Resposta: Alternativa A
