Dica do autor: A paciente apresenta quadro compatível com lesão renal aguda (LRA), definida segundo o KDIGO por: aumento da creatinina ≥ 0,3 mg/dL em 48h, ou aumento ≥ 50% do basal em até 7 dias, ou débito urinário < 0,5 mL/kg/h por pelo menos 6 horas.
No caso, o dado mais marcante é a anúria há 12 horas, o que, isoladamente, já caracteriza LRA estágio 3 pelo KDIGO (anúria ≥ 12 horas). Em provas, existe uma regra prática fundamental: anúria súbita deve sempre levantar suspeita de obstrução pós-renal ou evento vascular isquêmico grave.
O contexto clínico é decisivo. Trata-se de paciente com dor em flanco e infecção urinária alta recente, o que sugere fortemente a possibilidade de cálculo ureteral obstrutivo, levando a obstrução aguda do trato urinário. Assim, o raciocínio etiológico é de LRA pós-renal até prova em contrário.
Alternativa A: INCORRETA. Não há critérios clínicos de sepse (afebril, hemodinamicamente estável, leucograma sem alterações significativas). Além disso, LRA séptica não costuma se manifestar como anúria súbita isolada.
Alternativa B: CORRETA. A presença de anúria súbita associada à dor lombar impõe considerar fortemente obstrução pós-renal, especialmente por cálculo ureteral. Esse é o principal diagnóstico a ser afastado no cenário descrito.
Alternativa C: INCORRETA. A necrose tubular aguda geralmente decorre de insulto isquêmico prolongado ou nefrotóxico. Não é típico apresentar-se como anúria abrupta sem contexto de choque ou hipoperfusão grave.
Alternativa D: INCORRETA. A paciente apresenta LRA estágio 3 pelo KDIGO, devido à anúria ≥ 12 horas, e não estágio 2.
Alternativa E: INCORRETA. Anti-inflamatórios podem causar LRA por mecanismo hemodinâmico (inibição de prostaglandinas → vasoconstrição da arteríola aferente), mas não são causa típica de anúria súbita nesse contexto clínico.
Resposta: Alternativa B