Existem quatro principais grupos de serpentes peçonhentas de importância médica no Brasil. A maior parte dos acidentes são causados pelas cobras do gênero Botrops (Jararaca), responsável por 80% dos acidentes. O segundo lugar é ocupado pelas cobras do gênero Crotalus (Cascavel), com 10% dos casos. Os acidentes laquéticos (Surucucu) e elapídico (Coral), são raros, perfazendo 2% e 0,8% dos casos, respectivamente. Alternativa A: INCORRETA: A jibóia é uma serpente não peçonhenta, que mata suas presas por constrição. Alternativa B: CORRETA: O veneno crotálico possui como principal componente a crotoxina, que leva a ação neurotóxica, miotóxica sistêmica e coagulante. A ação neurotóxica é paralítica e craniocaudal, apresentando fácies miastênica, ptose, turvação, oftalmoplegia e disfagia. A ação miotóxica é sistêmica, levando a rabdomiólise. Pode levar a insuficiência renal aguda por mioglobinúria. Nosso paciente apresenta a lesão neurotóxica, caracterizada pela ptose palpebral, e a lesão miotóxica, associada a mialgia e colúria (sugerindo mioglobinúria). Alternativa C: INCORRETA: O acidente elapídico é o mais raro. A cobra coral possui efeito neurotóxico mais preponderante, com náuseas, vômito, sudorese, ptose, fácies miastênica, oftalmoplegia, dificuldade respiratória e de deglutição. O local da picada pode apresentar edema e dor, sem muitos outros sintomas locais. Alternativa D: INCORRETA: O acidente botrópico (Jararaca) é o mais comum (80% dos casos), ocorrendo em todo território nacional. O seu veneno possui ação proteolítica, coagulante e hemorrágica. Após a picada vemos uma importante reação inflamatória no local da picada, evoluindo com flogose, bolhas e necrose. A ação coagulante leva a consumo de fatores de coagulação, que juntamente com a ação hemorrágica (lesão do endotélio vascular), podem levar a hemorragias (gengivorragia, epistaxe, hemorragia digestiva e hematúria). Não observamos no paciente do caso uma importante reação inflamatória local. Resposta correta, letra B.
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Homem, vive em zona rural em cidade do cerrado mineiro e no mês de março é picado, no fim da tarde, por cobra não identificada e não recuperada. Apresenta quadro clínico com a picada na perna direita, sem sinais inflamatórios ou edema local e pouca dor. As marcas são bem visíveis e o paciente apresenta ptose palpebral bilateral, urina escura, mialgia e coagulograma alargado. Qual é a serpente que causou o quadro?
A
Jiboia.
B
Cascavel.
C
Coral.
D
Jararaca.
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