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UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - 2023
As mudanças nos perfis de adoecimento, morte e incapacidades nas populações, especificamente no que se convencionou chamar de transição epidemiológica, constituem um fenômeno que assume características bem particulares no contexto brasileiro, quando comparado à grande maioria dos países industrializados de economia central. Sobre este processo no Brasil, é incorreto afirmar que:
A contra-transição refere-se à reintrodução de agentes infecciosos, ou a persistência e recrudescimento de outros, que sinalizam para uma natureza não unidirecional, diferente do modelo original proposto por Omran.
O padrão epidemiológico se caracteriza pela persistência de endemias em algumas regiões do país, por importantes variações geográficas nos padrões epidemiológicos e de distribuição de serviços de saúde e por coeficientes de mortalidade equiparados aos dos países centrais.
Não houve uma transição de contextos epidemiológicos propriamente dita no cenário brasileiro, e sim uma superposição deles, com perfis característicos de diferentes padrões, resultantes das desigualdades, configurando uma transição “prolongada” ou “polarizada”.
A polarização geográfica evidenciando importantes contrastes é uma das características do contexto epidemiológico brasileiro, associada à “polarização social”, que se manifesta pelas disparidades nos indicadores de mortalidade e morbidade entre diferentes grupos sociais.