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FESO - HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE TERESÓPOLIS COSTANTINO OTTAVIANO - 2012
Uma paciente de 23 anos, portadora de diabetes mellitus tipo 1 desde os 10 anos de idade, ultimamente em uso de insulinas NPH (12 U pela manhã e 6 U antes do jantar) e Regular (6 U pela manhã e 6 U antes do jantar), é admitida na Unidade de Emergência com quadro de dispneia, febre e dor abdominal. Ao exame, a paciente encontra-se sonolenta, algo confusa e desorientada, além de hipo-hidratada (2+/4+) e febril (38,3ºC). Seu abdome revela-se flácido, depressível, difusamente doloroso à palpação, mas sem sinais de irritação peritoneal e sem sinais de Grey-Turner, Cullen ou Murphy. PA = 85 x 50 mmHg; FC = 115 bpm; FR = 32 irpm. Exames de sangue iniciais: hemograma com leucocitose e desvio à esquerda (18.000 leucócitos com 12% de bastões), sem anemia ou alterações no número de plaquetas; glicemia = 385 mg/dl; K+ = 3,4 mEq/L; Na+ = 132 mEq/L; ureia = 110 mg/dl; creatina = 2,3 mg/dl; amilase = 320 U/L (normal = até 250 U/L); Pesquisa de corpos cetônicos na urina = 1+; Gasometria arterial: pH = 7,25; PaO2 = 93 mmHg; PaCO2 = 28 mmHg; HCO3 = 12 mEq/L; e BE = - 4,8. São colhidos outros exames complementares para avaliar possíveis etiologias da descompensação da paciente. A paciente começa a ser tratada com hidratação venosa generosa com SF 0,9%, além de receber dose de 0,15 U/kg IV, em bolus de insulina Regular, seguida por infusão IV contínua de dripping de insulina regular a 0,1 U/kg/h. É também iniciado esquema antibiótico empírico. A respeito do caso clínico são feitas as seguintes assertivas, uma das quais é FALSA. Assinale-a:
Com os dados apresentados, é possível caracterizar um quadro de cetoacidose diabética, não havendo maiores dificuldades na distinção com a cetoacidose alcoólica.
Infecção, interrupção do uso de insulina, eventos coronarianos agudos, acidentes cerebrovasculares e uso de fármacos figuram entre possíveis etiologias de tais emergências diabéticas.
Apesar de os níveis séricos de potássio poderem estar normais, baixos ou elevados no tipo de descompensação diabética apresentado pela paciente, após algumas horas há sempre depleção dos estoques corporais totais desse elemento.
Está presente quadro de acidose metabólica e o hiato aniônico deve estar normal.
A condição apresentada pela paciente pode simular abdome agudo, devendo ser diferenciada da pancreatite aguda, posto que ambas condições podem gerar dor abdominal e levar a elevações da amilase sanguínea.