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Um homem de 58 anos, hipertenso e ex-tabagista, dá entrada no pronto-socorro com quadro de febre alta, tosse produtiva com escarro purulento e dispneia progressiva há 3 dias. À ausculta pulmonar, observa-se murmúrio vesicular abolido no terço inferior do hemitórax esquerdo e estertores crepitantes difusos no restante do campo pulmonar esquerdo. A gasometria arterial revela PaO₂ de 63 mmHg em ar ambiente, com saturação de 90%, e a tomografia de tórax confirma consolidação lobar inferior à esquerda, compatível com pneumonia lobar. Durante investigação funcional, um exame de cintilografia pulmonar mostra relação ventilação-perfusão (V/Q) globalmente normal, sem áreas de desequilíbrio marcante.
Diante do quadro clínico-laboratorial descrito, como se explica a manutenção da hipoxemia mesmo na presença de uma V/Q aparentemente normal?
A relação V/Q normal sugere função pulmonar preservada, sendo a hipoxemia explicada por acidose metabólica associada à sepse.
A vasodilatação reflexa nas áreas com inflamação alveolar aumenta a perfusão regional, resultando em hipoxemia por shunt verdadeiro.
A relação V/Q normal decorre do aumento do volume corrente em áreas saudáveis, elevando a oxigenação global e eliminando o desequilíbrio.
A hipoxemia é causada por obstrução das vias aéreas com aumento do espaço morto anatômico, o que reduz o volume minuto alveolar efetivo.
A V/Q global normal pode mascarar áreas regionais com ventilação comprometida e perfusão proporcionalmente reduzida, devido à vasoconstrição hipóxica compensatória.