Pratique questões de medicina
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Homem de 58 anos, com histórico de espondilose lombar e insônia crônica, comparece à unidade de dor com queixas de constipação refratária iniciada há cerca de cinco semanas. Relata evacuação em média a cada 6 a 8 dias, com fezes endurecidas, esforço evacuatório intenso, distensão abdominal e sensação constante de evacuação incompleta. Está em uso de morfina oral há aproximadamente 45 dias, com boa resposta para o alívio da dor noturna. Relata que já ajustou dieta, aumentou ingesta hídrica e segue rotinas de horário para ir ao banheiro, sem sucesso. Ao exame físico, observa-se timpanismo abdominal difuso e dor à palpação profunda em flanco esquerdo, sem sinais de irritação peritoneal. O toque retal revela fezes ressecadas e impactadas.
Com base no conhecimento sobre os efeitos farmacológicos dos opioides no trato gastrointestinal, qual é a conduta mais adequada neste cenário clínico?
Confirmar o diagnóstico de constipação induzida por opioides e priorizar abordagem fisiopatológica, reconhecendo o papel dos receptores μ nos plexos entéricos que reduzem o peristaltismo e aumentam a reabsorção de água fecal.
Manter o uso de morfina sem alterações, pois o quadro é reversível com medidas comportamentais, como aumento da mobilidade e reposição hídrica.
Solicitar colonoscopia para excluir causas obstrutivas orgânicas, uma vez que a constipação persistente com impacto fecal é atípica em usuários de opioides.
Reduzir abruptamente a dose da morfina pela metade, aguardando retorno do trânsito intestinal em até 48 horas, antes de reintroduzir em nova posologia.
Considerar o quadro como uma progressão natural da idade e priorizar reeducação alimentar, pois não há evidência de que os opioides causem constipação irreversível.