Dica do autor: O caso da talidomida é um exemplo clássico de como a estereoquímica influencia a atividade biológica de um fármaco. O medicamento foi administrado como mistura racêmica, contendo dois enantiômeros: um com efeito sedativo terapêutico e outro com efeito teratogênico, que interferia na angiogênese e no desenvolvimento embrionário. Como os enantiômeros interagem de forma distinta com receptores e enzimas estereoespecíficos, a presença da forma teratogênica levou ao nascimento de milhares de crianças com malformações, mesmo quando se tentou administrar apenas um dos enantiômeros, pois havia conversão entre eles no organismo.
Alternativa A: CORRETA. O erro foi o uso da mistura racêmica, contendo um enantiômero terapêutico e outro teratogênico, responsável pelas malformações.
Alternativa B: INCORRETA. O problema não envolveu isomeria geométrica cis-trans, mas sim enantiômeros.
Alternativa C: INCORRETA. O metabolismo hepático não converteu a forma levorrotatória em mistura racêmica inativa; a toxicidade estava ligada à estereoquímica do fármaco.
Alternativa D: INCORRETA. O enantiômero dextrorrotatório não perdeu atividade farmacológica; a questão foi a toxicidade do outro enantiômero.
Alternativa E: INCORRETA. A talidomida não causou mutações diretas no DNA; o efeito foi teratogênico por mecanismos de inibição da angiogênese.
Resposta: Alternativa A
Referências:
- NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.
- BERG, Jeremy M.; TYMOCZKO, John L.; GATTO, Gregory J.; STRYER, Lubert. Bioquímica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.
- VOET, Donald; VOET, Judith G. Bioquímica. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.