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Nefrologia

Sódio sérico (Natremia): Interpretação Clínica e Indicações

O sódio sérico, também conhecido como natremia, é um eletrólito essencial medido no sangue venoso para avaliar o equilíbrio hidroeletrolítico e osmolaridade plasmática. Representa a concentração de sódio no plasma, sendo fundamental para a manutenção do volume extracelular, pressão arterial e transmissão de impulsos nervosos. Clinicamente, é crucial na avaliação de pacientes com alterações do estado mental, desidratação, edema, insuficiência renal, uso de diuréticos e distúrbios endócrinos. A interpretação adequada da natremia, sempre correlacionada com a osmolaridade e o estado volêmico, permite diagnosticar e conduzir disnatremias (hipo e hipernatremia), condições frequentes em serviços de urgência, UTI e ambulatórios de nefrologia. Sinônimos incluem Na+ sérico e dosagem de sódio no sangue.

Revisado pelo time especializado da Sanar

Dados rápidos

Material
Sangue venoso — tubo sem anticoagulante (tampa amarela ou vermelha) ou tubo com heparina (tampa verde)
Resultado em
1–2 horas (urgência: 30–60 minutos)
Código TUSS
40322237
Especialidade
Nefrologia / Medicina de Urgência / Clínica Médica

Quando solicitar este exame?

  • Investigação de alteração do estado mental (confusão, letargia, convulsões) em pacientes idosos ou hospitalizados CID R41.8
  • Avaliação de desidratação com sinais de hipovolemia (taquicardia, hipotensão, pele seca) em crianças com gastroenterite CID E86.0
  • Monitoramento de pacientes em uso crônico de diuréticos tiazídicos ou de alça para prevenção de hiponatremia CID Y42.4
  • Investigação de edema generalizado em paciente com insuficiência cardíaca ou síndrome nefrótica CID I50.9
  • Avaliação de poliúria e polidipsia em suspeita de diabetes insipidus ou potomania CID E23.2
  • Controle perioperatório em cirurgias de grande porte com perdas hidroeletrolíticas significativas CID Z01.8
  • Investigação de hipertensão arterial resistente em associação com dosagem de aldosterona e renina CID I10
  • Monitoramento de pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica em terapia renal substitutiva CID N18.9
  • Avaliação de pacientes com queimaduras extensas e perdas transcutâneas de líquidos CID T30.0
  • Investigação de vômitos persistentes ou diarreia profusa com desequilíbrio hidroeletrolítico CID R11

Como é feito o exame?

Variáveis pré-analíticas e interferentes

  • Hemólise da amostra — causa liberação de sódio intracelular, elevando falsamente a natremia; invalida a amostra se grave
  • Lipemia intensa — em métodos indiretos (diluição), causa pseudo-hiponatremia por deslocamento do volume aquoso
  • Hiperproteinemia — em mieloma ou gamopatias, pode causar pseudo-hiponatremia em métodos indiretos
  • Coleta com tubo contendo EDTA — o EDTA liga cálcio e pode interferir em alguns analisadores, causando resultados errôneos
  • Tempo prolongado entre coleta e processamento — permite troca iônica através da membrana eritrocitária, alterando a natremia

Valores de Referência

Valores de referência do Sódio sérico (Natremia)
Parâmetro Homens Mulheres Crianças Unidade
Sódio sérico 135–145 135–145 135–145 (recém-nascidos a termo: 133–146) mmol/L

Como interpretar o resultado?

Tabela de interpretação do Sódio sérico (Natremia)
Achado Interpretação Próxima conduta
Hiponatremia leve (130–134 mmol/L) Pode ser assintomática ou cursar com náuseas e cefaleia; frequentemente associada a diuréticos, SIADH ou hipovolemia Avaliar estado volêmico, solicitar osmolaridade sérica e urinária, ureia, creatinina
Hiponatremia moderada a grave (< 130 mmol/L) Risco de edema cerebral, convulsões, coma; requer correção cuidadosa para evitar mielinólise pontina Internação, correção com soro hipertônico 3% se sintomático, monitorar sódio a cada 4–6 horas
Hipernatremia leve (146–150 mmol/L) Geralmente por perda de água livre (diabetes insipidus, desidratação) ou ganho de sódio
Hipernatremia grave (> 150 mmol/L) Alteração do estado mental, irritabilidade neuromuscular; risco de hemorragia intracraniana Reposição hídrica com soro hipotônico, corrigir lentamente (0,5 mmol/L/hora)
Sódio normal com alteração do estado mental Considerar outras causas metabólicas (hipoglicemia, uremia) ou estruturais Solicitar glicemia, ureia, creatinina, gasometria, exames de imagem se indicado
Hiponatremia com osmolaridade sérica baixa Hiponatremia verdadeira; diferenciar hipovolêmica (ureia elevada) de euvolêmica (SIADH) Dosar ureia, creatinina, sódio urinário; se SIADH, restringir líquidos
Hiponatremia com osmolaridade sérica normal ou alta Pseudo-hiponatremia (hiperlipidemia, hiperproteinemia) ou translocacional (hiperglicemia) Dosar glicemia, perfil lipídico, proteinas totais; corrigir para glicemia se necessário

Diagnóstico Diferencial

Diagnóstico diferencial para Sódio sérico (Natremia)
Alteração Hipóteses diagnósticas Exames complementares Especialidade
Hiponatremia hipovolêmica Perdas gastrointestinais, diuréticos, insuficiência adrenal Sódio urinário, ureia, cortisol, ACTH Nefrologia / Endocrinologia
Hiponatremia euvolêmica SIADH, hipotireoidismo, polidipsia primária Osmolaridade urinária, TSH, T4 livre, prova de restrição hídrica Endocrinologia / Nefrologia
Hiponatremia hipervolêmica Insuficiência cardíaca, cirrose, síndrome nefrótica Albumina, BNP, ecocardiograma, USG abdominal Cardiologia / Gastroenterologia
Hipernatremia com poliúria Diabetes insipidus central, diabetes insipidus nefrogênico Osmolaridade urinária, prova de privação hídrica, ressonância de hipófise Endocrinologia / Nefrologia
Hipernatremia sem poliúria Desidratação, ganho de sódio (hiperaldosteronismo, Cushing) Aldosterona, renina, cortisol, sódio urinário Endocrinologia

Medicamentos e Interferentes

  • Diuréticos tiazídicos — aumentam excreção de sódio e água, podendo causar hiponatremia
  • Inibidores da recaptação de serotonina (ISRS) — associados a SIADH e hiponatremia, especialmente em idosos
  • Hidrocortisona — em insuficiência adrenal, a reposição corrige hiponatremia por normalizar excreção de água
  • Heparina — em altas doses, pode causar hiperaldosteronismo e hipernatremia
  • Lítio — induz diabetes insipidus nefrogênico, levando a hipernatremia

Contextos Clínicos Especiais

Idoso

Idosos têm menor reserva renal e maior prevalência de polifarmácia (diuréticos, ISRS), aumentando risco de hiponatremia. A apresentação pode ser atípica (queda, confusão). A correção deve ser mais lenta (≤ 6 mmol/L em 24 horas) devido ao risco de mielinólise pontina. Avaliar sempre ingestão hídrica e medicamentos.

Criança

Crianças desidratadas por gastroenterite frequentemente apresentam hiponatremia ou hipernatremia. A hipernatremia desidratacional é grave e exige correção lenta para evitar edema cerebral. Use soluções de reidratação oral ou soro hipotônico. Monitorar peso e sinais neurológicos.

Gestante

Na gestação, há diluição fisiológica com leve hiponatremia (até 130 mmol/L) devido à retenção hídrica. Hiponatremia sintomática pode ocorrer na hiperêmese gravídica. Hipernatremia é rara e sugere diabetes insipidus gestacional. Avaliar com obstetra e endocrinologista.

Exames Relacionados

Condições Clínicas Relacionadas (CID-10)

Perguntas Frequentes

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Diretrizes Brasileiras de Prática Clínica para o Diagnóstico e Tratamento das Disnatremias. São Paulo: SBN; 2021.
  2. KDIGO Clinical Practice Guideline for Acute Kidney Injury. Kidney Int Suppl. 2012;2(1):1-141. 10.1038/kisup.2012.1
  3. Adrogué HJ, Madias NE. Hyponatremia. N Engl J Med. 2000;342(21):1581-9. 10.1056/NEJM200005253422107
  4. Sterns RH. Disorders of plasma sodium — causes, consequences, and correction. N Engl J Med. 2015;372(1):55-65. 10.1056/NEJMra1404489
  5. Ellison DH, Berl T. Clinical practice. The syndrome of inappropriate antidiuresis. N Engl J Med. 2007;356(20):2064-72. 10.1056/NEJMcp066837

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