Pratique questões de medicina
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Uma mulher de 46 anos, professora de piano, procura o ambulatório de dor com queixa de algia difusa há mais de 18 meses, associada a fadiga crônica, sono não reparador e “névoa cognitiva”. O exame físico revela pontos gatilho em trapézio, epicôndilos laterais e região glútea, além de alodínia tátil. Não há alterações articulares ou fraqueza muscular objetiva. A paciente relata escassa resposta a anti‑inflamatórios não esteroides, mas melhora significativa da dor e do padrão de sono depois de três meses de uso de duloxetina (SNRI) associada a programa de exercícios aeróbicos.
Sabendo que a fibromialgia está relacionada a disfunção do sistema de analgesia endógena e considerando os principais núcleos e neurotransmissores envolvidos na modulação descendente da dor, qual hipótese fisiopatológica mais plausível explica o quadro clínico descrito?
Hiperatividade de interneurônios glutamatérgicos na substância gelatinosa, resultando em liberação excessiva de substância P nas sinapses do corno dorsal.
Aumento da densidade de receptores NMDA na via espinotalâmica lateral, provocando potencialização de longa duração (LTP) dos neurônios nociceptivos.
Redução da eficácia das vias inibitórias descendentes serotoninérgicas e noradrenérgicas que se originam na substância cinzenta periaquedutal, núcleo magno da rafe e locus coeruleus, diminuindo a liberação de encefalinas inibitórias no corno dorsal.
Elevação compensatória de β‑endorfina hipotalâmica, levando a dessensibilização tônica dos receptores μ‑opioides no tálamo e, consequentemente, hiperalgesia generalizada.
Aumento do tônus GABAérgico em núcleos talâmicos ventroposterolaterais, bloqueando a transmissão ascendente de sinais táteis e induzindo parestesia dolorosa cortical.