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Uma mulher de 29 anos, primigesta, deu entrada na maternidade pública em trabalho de parto ativo, com 6 cm de dilatação e contrações regulares. Durante a triagem, ela solicitou a presença de sua irmã como acompanhante, alegando que se sentiria mais segura e apoiada. A equipe do hospital, no entanto, negou o pedido, argumentando que o acompanhante só seria permitido no momento do parto e que a parturiente deveria permanecer sob os cuidados exclusivos da equipe assistencial durante todo o trabalho de parto.
Ao longo das horas seguintes, a paciente demonstrou aumento progressivo de estresse e ansiedade, apresentando picos hipertensivos e hiperventilação. A evolução do parto tornou-se mais lenta do que o esperado, e a equipe decidiu administrar ocitocina para estimular as contrações. Diante da intensidade da dor e do medo expressado pela parturiente, foi indicada analgesia peridural sem fornecer explicações detalhadas sobre os riscos e benefícios.
Poucas horas depois, a paciente começou a apresentar desacelerações variáveis na cardiotocografia, evoluindo para bradicardia fetal. Diante desse cenário, foi indicada uma cesariana emergencial. No pós-operatório, a parturiente relatou sensação de impotência e falta de controle sobre o próprio parto, além de dificuldade na amamentação e sintomas sugestivos de trauma pós-parto.
Com base nesse contexto e nas diretrizes científicas sobre o papel do acompanhante no parto, qual das afirmações abaixo melhor explica as repercussões clínicas, psicológicas e legais da ausência de acompanhante e das condutas adotadas pela equipe de saúde?
A restrição da presença do acompanhante, além de contrariar diretrizes internacionais de humanização do parto, pode ser interpretada como violência obstétrica institucional, pois privou a parturiente de suporte emocional essencial, o que pode ter contribuído para o aumento do estresse materno, dificuldades na progressão do trabalho de parto e o desfecho operatório.
A conduta da equipe foi adequada, pois a presença de um acompanhante não influencia significativamente os desfechos maternos e perinatais. A ansiedade materna observada foi provavelmente um reflexo do medo natural do parto, e o uso de ocitocina e analgesia peridural foram medidas apropriadas para otimizar a evolução do parto.
A cesariana foi inevitável devido ao quadro de sofrimento fetal detectado na cardiotocografia. A evolução clínica sugere que o parto vaginal não era uma opção segura, e a ausência de acompanhante não teve relação com os desfechos adversos observados.
O trauma pós-parto e a dificuldade na amamentação relatados pela parturiente não podem ser diretamente atribuídos à ausência do acompanhante, pois a experiência do parto é subjetiva e depende de múltiplos fatores, incluindo predisposição individual à ansiedade e ao estresse materno.
Embora a ausência de acompanhante possa ter causado desconforto emocional, não há respaldo jurídico que torne essa prática obrigatória em todas as instituições de saúde, e a autonomia médica deve prevalecer sobre a preferência materna quando há risco clínico envolvido.