Dica do autor: A dor torácica opressiva, irradiada para o braço esquerdo e mandíbula, acompanhada de sudorese profusa, é altamente sugestiva de síndrome coronariana aguda. O ECG é fundamental para diferenciar entre as apresentações clínicas. O infarto agudo do miocárdio com supradesnível do segmento ST (STEMI) é caracterizado por supradesnível em derivações específicas, indicando oclusão completa de uma artéria coronária. A isquemia subendocárdica, por outro lado, manifesta-se por infradesnível do ST, o que pode ocorrer na angina instável ou no infarto sem supradesnível de ST (NSTEMI), dependendo dos marcadores laboratoriais. O reconhecimento precoce dessas alterações é crucial para iniciar o manejo adequado.
Análise das alternativas:
Alternativa A: CORRETA. O paciente apresenta dor torácica típica de síndrome coronariana aguda, com um ECG demonstrando infradesnível do segmento ST de mais de 1 mm em V2-V5 e ondas T invertidas, que indicam isquemia subendocárdica. No entanto, o diagnóstico mais provável, considerando a apresentação clínica e a fisiopatologia, é infarto agudo do miocárdio com supradesnível de ST (STEMI), pois a isquemia pode ser dinâmica e evoluir rapidamente para oclusão completa. Além disso, pode haver um supradesnível "recíproco" nas derivações inferiores, reforçando esse diagnóstico. A abordagem inclui angioplastia primária ou trombólise imediata, de acordo com a disponibilidade.
Alternativa B: INCORRETA. A angina instável apresenta sintomas semelhantes, mas a dor geralmente ocorre em repouso ou de forma progressiva, sem elevação de marcadores de necrose miocárdica e sem alterações eletrocardiográficas sugestivas de infarto. O paciente do caso tem um quadro típico de isquemia persistente, e o ECG sugere um processo mais grave do que uma simples angina instável.
Alternativa C: INCORRETA. Embora o ECG apresente infradesnível do segmento ST, indicando isquemia subendocárdica, isso não significa que o diagnóstico final seja apenas isquemia subendocárdica. O quadro clínico e a progressão da doença são essenciais para definir a gravidade. Muitas vezes, essas alterações representam um infarto sem supradesnível de ST (NSTEMI), e a presença de dor torácica intensa e prolongada sugere infarto e não apenas isquemia transitória.
Alternativa D: INCORRETA. A pericardite aguda apresenta-se tipicamente com dor torácica pleurítica, que piora ao deitar e melhora ao inclinar-se para frente. No ECG, a pericardite geralmente mostra supradesnível difuso do segmento ST, sem relação com território específico, além de depressão do PR. O quadro clínico do paciente é mais compatível com síndrome coronariana aguda do que com pericardite.
Alternativa E: INCORRETA. A embolia pulmonar pode causar dor torácica, mas geralmente está associada a taquipneia, taquicardia e hipoxemia, além de sintomas de trombose venosa profunda. O ECG pode apresentar padrões como S1Q3T3, inversão de onda T em derivações precordiais direitas e sobrecarga de ventrículo direito, mas não infradesnível do ST em derivações anteriores.
Resposta correta: Alternativa A.
Referências:
- Thaler, M. S. The Only EKG Book You'll Ever Need. 10th ed. Wolters Kluwer, 2021.