Dica do autor: A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações biológicas, psicológicas e sociais, o que exige da Atenção Primária à Saúde (APS) uma abordagem acolhedora, individualizada e baseada em evidências. Embora seja um grupo que tradicionalmente procure pouco os serviços de saúde, trata-se de um momento estratégico para ações preventivas e promoção da saúde, como atualização vacinal, orientação sobre sexualidade, saúde mental, prevenção de ISTs e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento.
No que diz respeito à imunização, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) recomenda a vacinação contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos, atualmente em dose única, conforme atualização recente do Ministério da Saúde, com o objetivo de ampliar cobertura e proteção populacional. Já em relação ao rastreio do câncer de colo do útero, as diretrizes brasileiras orientam iniciar a coleta de citologia oncótica apenas aos 25 anos, independentemente do início da vida sexual, devido à alta taxa de regressão espontânea das lesões precursoras nessa faixa etária mais jovem.
Outro ponto essencial é a garantia do direito à confidencialidade. O adolescente pode e deve ser atendido sozinho quando desejar, respeitando-se sua autonomia progressiva. A presença obrigatória dos pais até os 18 anos não é recomendação das diretrizes e pode, inclusive, afastar o jovem do serviço. Quanto à solicitação de exames laboratoriais de rotina, não há indicação universal anual; eles devem ser solicitados conforme avaliação clínica individualizada.
Alternativa A: CORRETA. A vacinação contra o HPV em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos está de acordo com as recomendações atuais do Ministério da Saúde. Trata-se de estratégia fundamental de prevenção primária contra o câncer de colo do útero, além de outros cânceres relacionados ao HPV, como anal, orofaríngeo e de pênis.
Alternativa B: INCORRETA. O atendimento ao adolescente não deve ocorrer obrigatoriamente acompanhado dos pais até os 18 anos. A prática adequada na APS inclui o respeito à confidencialidade e autonomia progressiva, permitindo consultas individuais, o que fortalece o vínculo e favorece discussões sensíveis, como sexualidade e uso de substâncias.
Alternativa C: INCORRETA. O rastreamento do câncer de colo do útero por citologia oncótica está indicado apenas a partir dos 25 anos, independentemente da idade de início da atividade sexual. Em adolescentes, a maioria das infecções por HPV é transitória, com alta taxa de regressão espontânea, e o rastreio precoce pode levar a intervenções desnecessárias.
Alternativa D: INCORRETA. Não há recomendação de exames laboratoriais anuais de rotina para todos os adolescentes. A solicitação deve ser individualizada, baseada em fatores de risco e achados clínicos. Mesmo diante da crescente prevalência de obesidade, a abordagem inicial envolve avaliação clínica, orientação alimentar e estímulo à atividade física, reservando exames conforme necessidade.
Resposta: Alternativa A
Nota: a alternativa A à epoca da prova (2020) era "recomendar vacinação de meninas e meninos contra o HPV, com idades de 9 a 14 anos e de 11 a 14 anos respectivamente.', o que estava correto. Porém, para fins didáticos adaptamos a questão a recomendação mais atual.