Dica do autor: Essa questão exige que você reconheça o padrão de cardiomiopatia dilatada associada ao etilismo crônico. O paciente apresenta quadro típico de insuficiência cardíaca sistólica: dispneia aos médios esforços, dispneia paroxística noturna, melhora com ortostase, refluxo hepatojugular positivo e edema de membros inferiores. O ecocardiograma mostra fração de ejeção reduzida (43%) e aumento do volume diastólico do ventrículo esquerdo, sem hipertrofia septal e sem alterações segmentares induzidas por estresse — padrão compatível com cardiomiopatia dilatada não isquêmica.
O dado decisivo é o consumo crônico de 8 latas de cerveja por dia, configurando exposição prolongada ao álcool, fator clássico para cardiomiopatia alcoólica, que cursa com dilatação ventricular e disfunção sistólica progressiva.
Alguns achados laboratoriais podem confundir o candidato: ferritina elevada (997 ng/mL) e GGT aumentada. Contudo, a ferritina é um marcador de fase aguda e também se eleva em etilistas crônicos e hepatopatia alcoólica. A saturação de transferrina está normal (32%), o que afasta sobrecarga férrica significativa. Além disso, não há sinais ecocardiográficos típicos de doenças infiltrativas (como espessamento septal na amiloidose).
Portanto, o conjunto clínico-ecocardiográfico aponta para cardiomiopatia alcoólica.
Alternativa A: INCORRETA. A amiloidose ATTR costuma cursar com padrão restritivo, espessamento ventricular (especialmente septal), disfunção diastólica predominante e fração de ejeção relativamente preservada nas fases iniciais. Apesar da história prévia de síndrome do túnel do carpo ser um possível sinal precoce de ATTR, o ecocardiograma não mostra padrão infiltrativo, mas sim dilatação ventricular.
Alternativa B: CORRETA. O paciente apresenta consumo crônico significativo de álcool e ecocardiograma com dilatação ventricular esquerda e fração de ejeção reduzida, achados típicos de cardiomiopatia alcoólica, uma forma de cardiomiopatia dilatada não isquêmica.
Alternativa C: INCORRETA. A cardiomiopatia cirrótica ocorre em contexto de cirrose avançada e hipertensão portal. O paciente não apresenta sinais clínicos ou laboratoriais de insuficiência hepática (albumina normal, INR normal, bilirrubina normal), tornando essa hipótese improvável.
Alternativa D: INCORRETA. A hemocromatose cursa com sobrecarga de ferro documentada por aumento da saturação de transferrina (>45%), além de manifestações como diabetes, hiperpigmentação e hepatopatia. Apesar da ferritina elevada, a saturação de transferrina normal praticamente afasta o diagnóstico. Além disso, o padrão ecocardiográfico pode ser restritivo ou dilatado em fases tardias, mas o conjunto clínico não sustenta essa hipótese.
Resposta: Alternativa B