ica do autor: Em neuroanatomia, o termo gânglio refere-se a um aglomerado de corpos celulares de neurônios localizados fora do sistema nervoso central (SNC). Essas estruturas são importantes pontos de retransmissão e processamento de informações sensoriais ou autonômicas.
Os gânglios sensitivos (como os gânglios da raiz dorsal) são formados por neurônios pseudounipolares, que conduzem impulsos sensoriais da periferia ao SNC, sem realizar sinapses dentro do próprio gânglio.
Já os gânglios autonômicos (simpáticos ou parassimpáticos) contêm neurônios multipolares, nos quais ocorre sinapse entre os neurônios pré e pós-ganglionares, transmitindo comandos involuntários a órgãos internos.
Por outro lado, estruturas como núcleos são aglomerados de corpos neuronais dentro do SNC — como é o caso dos núcleos da base.
É fundamental distinguir entre gânglio e núcleo para interpretar corretamente achados clínicos e anatômicos, especialmente em casos de neuropatia periférica, como o descrito no enunciado.
Alternativa A – INCORRETA. A definição apresentada está equivocada. Gânglios não são formados exclusivamente por fibras motoras, nem têm função apenas de condução eferente. Pelo contrário, envolvem corpos celulares de neurônios e podem ser sensitivos ou autonômicos, contendo corpos neuronais envolvidos em processos aferentes e autonômicos, não apenas motores.
Alternativa B – CORRETA. Essa alternativa descreve com precisão o conceito de gânglio: trata-se de um acúmulo de corpos neuronais fora do SNC, podendo ser do tipo sensitivo (como os gânglios espinhais) ou autonômico/motor visceral (como os gânglios simpáticos e parassimpáticos).
Alternativa C – INCORRETA. A descrição feita aqui corresponde ao que chamamos de núcleos da base (ou gânglios da base), como o putâmen, globo pálido e núcleo caudado. Embora o nome contenha “gânglio”, essas estruturas estão dentro do SNC, mais especificamente no telencéfalo, e por isso não são gânglios verdadeiros no sentido anatômico periférico. O uso do termo “gânglio” neste contexto é histórico e não deve ser confundido com a definição de gânglio periférico.
Alternativa D – INCORRETA. Terminações nervosas sensoriais na periferia não formam gânglios. Gânglios são compostos por corpos neuronais, não por terminações. Além disso, projeções para a medula espinhal partem de neurônios cujo corpo está localizado nos gânglios da raiz dorsal, e não diretamente das terminações sensoriais.
Alternativa E – INCORRETA. Não existe uma “área compacta de sinapses mielinizadas” com essa descrição anatômica. A conexão entre cerebelo e tronco encefálico se dá através dos pedúnculos cerebelares, compostos por fibras mielinizadas, sim, mas não configuram gânglios, pois não envolvem acúmulo de corpos neuronais fora do SNC. A alternativa mistura conceitos de vias de conexão e estruturas celulares, tornando a definição incorreta.
Resposta correta: Alternativa B.
Referências:
MACHADO, Ângelo. Neuroanatomia funcional. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2004.
KIERNAN, John A. Neuroanatomia humana: texto e atlas. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
PAULSEN, F.; WASCHKE, J. Sobotta: atlas de anatomia humana: cabeça, pescoço e neuroanatomia. 23. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. v. 3.