Dica do autor: A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio que classicamente se manifesta com dor torácica pleurítica, de início súbito, que piora ao decúbito e melhora ao se inclinar para frente. O achado semiológico mais característico é o atrito pericárdico. No eletrocardiograma, a evolução típica ocorre em estágios. O primeiro estágio é marcado por supradesnivelamento difuso do segmento ST, geralmente com concavidade voltada para cima, associado ao infradesnivelamento do segmento PR, que representa comprometimento atrial pelo processo inflamatório. Esse achado do PR é bastante característico e ajuda a diferenciar pericardite de infarto agudo do miocárdio, no qual não há infradesnivelamento difuso do PR. Posteriormente, podem ocorrer normalização do ST, inversão de onda T e, por fim, normalização completa. Portanto, a alteração do segmento PR é um ponto-chave na interpretação eletrocardiográfica da pericardite.
Alternativa A: INCORRETA. O supradesnivelamento do segmento PR não sugere bloqueio atrioventricular de primeiro grau. O bloqueio AV de primeiro grau é caracterizado por prolongamento do intervalo PR, e não por alteração do seu nível em relação à linha de base. Além disso, na pericardite, o que se observa é tipicamente o infradesnivelamento do segmento PR, e não supradesnivelamento.
Alternativa B: CORRETA. O infradesnivelamento do segmento PR é um achado clássico da pericardite aguda, decorrente da inflamação do epicárdio atrial, que gera uma corrente de lesão atrial. Esse achado, associado ao supradesnivelamento difuso do ST, é altamente sugestivo do diagnóstico e auxilia na diferenciação com outras causas de dor torácica, especialmente o infarto agudo do miocárdio.
Alternativa C: INCORRETA. A pericardite aguda não se manifesta apenas com supradesnivelamento difuso do ST. Além dessa alteração, é muito característico o infradesnivelamento do PR, especialmente nas fases iniciais. Ignorar essa alteração significa perder um elemento fundamental para o diagnóstico diferencial.
Alternativa D: INCORRETA. A inversão da onda P em todas as derivações não é achado específico de pericardite. Alterações na onda P podem ocorrer em diversas situações, como ritmos ectópicos atriais ou distúrbios de condução, mas não constituem o principal marcador eletrocardiográfico da pericardite.
Alternativa E: INCORRETA. O supradesnivelamento do segmento PR não indica síndrome de pré-excitação ventricular. A síndrome de Wolff-Parkinson-White caracteriza-se por intervalo PR curto, presença de onda delta e alargamento do QRS, decorrentes de via acessória. Não há relação com supradesnivelamento do PR.
Resposta: Alternativa B