Dica do autor: Neste caso, o ponto central é reconhecer uma enterocolite grave em paciente imunossuprimida, situação que pode evoluir rapidamente com sepse, necrose intestinal e perfuração, exigindo alto grau de suspeição clínica. Pacientes transplantados em uso de esquemas como ciclosporina, micofenolato e prednisona apresentam maior vulnerabilidade a agressões da mucosa intestinal e menor capacidade de conter proliferação microbiana, o que favorece inflamação intensa da parede intestinal.
A enterocolite neutropênica (tiflíte) é entendida como um processo de lesão mucosa + invasão microbiana + inflamação transmural, frequentemente acompanhado por:
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Espessamento circunferencial da parede intestinal, por edema e inflamação, podendo determinar redução do lúmen;
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Estriações/densificação da gordura adjacente, refletindo extensão do processo inflamatório para o mesentério;
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Distensão de alças a montante, quando o edema parietal gera um componente funcional de suboclusão;
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Líquido livre abdominal, compatível com resposta inflamatória importante, mesmo na ausência de coleção organizada.
Clinicamente, costuma se manifestar com dor abdominal intensa, sintomas gastrointestinais associados (náuseas, vômitos e diarreia), sinais de íleo/hipomotilidade (como ruídos abolidos) e possibilidade de instabilidade hemodinâmica quando há resposta inflamatória sistêmica. Na tomografia, a combinação de espessamento parietal segmentar + inflamação perientérica + distensão proximal + líquido livre é altamente sugestiva de um quadro inflamatório intestinal grave nesse contexto de imunossupressão.
Alternativa A: INCORRETA. A Doença de Crohn pode acometer íleo terminal, causar espessamento mural, “creeping fat” e até estenoses. Porém, em geral, é um quadro crônico/recorrente, e o enunciado traz um cenário de imunossupressão relevante com apresentação aguda grave e sinais tomográficos inflamatórios intensos com líquido livre, o que torna a enterocolite associada à imunossupressão uma hipótese mais provável como “principal”.
Alternativa B: INCORRETA. A isquemia mesentérica não oclusiva costuma se associar a hipoperfusão sistêmica (baixo débito, choque, vasopressores). Na tomografia, buscamos sinais de sofrimento isquêmico (alteração de realce, pneumatoses, gás portal em estágios avançados) e, frequentemente, um padrão mais relacionado à perfusão do que a um segmento com comportamento subestenótico inflamatório. Aqui, o conjunto (espessamento segmentar + gordura densificada + suboclusão + líquido livre) conversa melhor com enterocolite grave.
Alternativa C: INCORRETA. Linfoma intestinal pode causar espessamento e até obstrução, mas geralmente tem evolução menos abrupta, pode vir com massa e/ou linfonodomegalias, além de sintomas constitucionais. Não é a hipótese mais forte para um quadro hiperagudo com importante repercussão sistêmica em imunossuprimida, com padrão tomográfico predominantemente inflamatório.
Alternativa D: CORRETA. Enterocolite neutropênica/enterocolite associada à imunossupressão é altamente sugerida pelo perfil de risco (transplante + imunossupressores) e pelos achados de TC: espessamento circunferencial do íleo distal, densificação da gordura adjacente, subestenose com distensão a montante e líquido livre, compatíveis com inflamação intestinal grave com risco de complicação.
Alternativa E: INCORRETA. Gastroenterite viral costuma ser autolimitada e, embora possa causar diarreia e dor, não costuma produzir esse padrão de TC com espessamento segmentar subestenossante, distensão importante de alças a montante e líquido livre, nem costuma justificar deterioração clínica tão relevante como a descrita.
Resposta: Alternativa D
