Dica do autor: o quadro clínico apresentado é clássico de síndrome HELLP, uma forma grave de pré-eclâmpsia com repercussões hematológicas e hepáticas importantes. A sigla HELLP representa Hemólise (H), Elevação de enzimas hepáticas (EL) e Plaquetopenia (LP). A hemólise é confirmada por esquizócitos no esfregaço de sangue periférico, elevação de LDH e bilirrubina indireta. A elevação de TGO e TGP, associada à dor em hipocôndrio direito ou epigástrio e plaquetas abaixo de 100.000, confirmam o diagnóstico. Trata-se de uma emergência obstétrica. A conduta padrão, nas gestações acima de 34 semanas ou na presença de deterioração clínica materna, é o parto imediato, independentemente da via, após medidas de estabilização clínica materna com controle pressórico, prevenção de eclâmpsia com sulfato de magnésio e, se possível, uso de corticoide para maturação pulmonar fetal em até 48 horas. A via de parto depende das condições obstétricas, e não há indicação de cesariana de rotina.
Alternativa A: INCORRETA. Postergar o parto até 37 semanas em uma paciente com HELLP e sinais clínicos de gravidade (PA ≥ 180x100, cefaleia, visão turva, plaquetopenia, TGO/TGP elevados, esquizócitos, LDH aumentado) é conduta contraindicada. A gestação deve ser interrompida o quanto antes, após medidas iniciais de estabilização.
Alternativa B: CORRETA. Esta é a conduta correta frente ao diagnóstico de síndrome HELLP com 32 semanas. Devem ser administrados anti-hipertensivos de ação rápida, como hidralazina venosa, além de sulfato de magnésio para prevenção de eclâmpsia (dose de ataque de 4 g IV + manutenção de 2 g/h). A realização de ultrassonografia abdominal é importante para afastar complicações como hematoma hepático subcapsular. O corticoide é indicado para maturação pulmonar fetal caso o estado materno permita aguardar entre 24 a 48h antes do parto. O parto deve ser programado nesse intervalo, independentemente da via, pois o risco materno é elevado.
Alternativa C: INCORRETA. Embora a nifedipina oral possa ser utilizada para controle pressórico em gestantes com pré-eclâmpsia leve ou moderada, ela não é a melhor escolha em contextos de emergência hipertensiva como este. Além disso, esperar até 37 semanas é conduta inaceitável diante da gravidade do quadro clínico.
Alternativa D: INCORRETA. A furosemida e o diazepam não são indicados nesse contexto. A furosemida pode ser usada em casos específicos com sobrecarga volêmica evidente, o que não foi citado na questão. O diazepam não é a droga de escolha para prevenção de eclâmpsia — o sulfato de magnésio é o padrão-ouro. Além disso, indicar cesariana imediata sem estabilização prévia da paciente é inadequado e aumenta risco de complicações maternas.
Alternativa E: INCORRETA. A hidralazina oral não é a droga de escolha para situações graves como essa. A via venosa é preferida pela ação mais rápida e eficaz. Além disso, a dose de sulfato de magnésio apresentada (1 g + 1 g/h) está incorreta; a dose recomendada é 4 g IV em bolus + 2 g/h em infusão contínua. A espera de 48–72h só é viável se o quadro clínico permitir estabilidade materna, o que não é o caso aqui.
Resposta: Alternativa B