Dica do autor: O quadro descrito exige que você diferencie envelhecimento normal, transtorno cognitivo leve (TCL) e demência. O ponto-chave aqui é a preservação da funcionalidade. No transtorno cognitivo leve, há queixa cognitiva corroborada por teste neuropsicológico, geralmente com prejuízo em um domínio (frequentemente memória episódica), porém sem comprometimento significativo das atividades de vida diária. Já na demência (como na Doença de Alzheimer), além do déficit cognitivo objetivo, existe prejuízo funcional progressivo, impactando autonomia.
Nesse caso, o paciente apresenta queixa há três anos, com déficit isolado de memória recente na avaliação neuropsicológica, Mini-Mental praticamente normal (28/30), exames laboratoriais normais (afastando causas reversíveis como hipotireoidismo e deficiência de B12), escala de depressão sem critérios para episódio depressivo maior e neuroimagem sem lesões estruturais relevantes. O dado mais importante: ele mantém independência funcional, continua trabalhando como voluntário e executando suas atividades habituais.
Portanto, trata-se de um quadro compatível com Transtorno Cognitivo Leve, provavelmente do tipo amnéstico, condição que pode representar fase prodrômica da Doença de Alzheimer, mas que ainda não preenche critérios para demência.
Alternativa A: INCORRETA. A demência na Doença de Alzheimer exige declínio cognitivo progressivo associado a prejuízo funcional significativo. Embora haja comprometimento de memória recente, não há perda de autonomia nem prejuízo nas atividades habituais, critério indispensável para diagnóstico de demência segundo DSM-5 e critérios do NIA-AA.
Alternativa B: INCORRETA. A demência vascular geralmente cursa com história de eventos vasculares, declínio em degraus, sinais neurológicos focais e maior comprometimento executivo. A tomografia mostra apenas discreta microangiopatia periventricular, achado comum no envelhecimento, sem correlação clínica com síndrome demencial vascular. Além disso, não há prejuízo funcional.
Alternativa C: INCORRETA. A depressão maior pode cursar com queixa cognitiva (a chamada “pseudodemência depressiva”), mas a Escala de Depressão Geriátrica é baixa (3/15), e o paciente não apresenta sintomas nucleares de episódio depressivo maior. Além disso, o déficit foi objetivado em avaliação neuropsicológica, reforçando comprometimento cognitivo real.
Alternativa D: CORRETA. O paciente apresenta queixa subjetiva de memória, déficit objetivo isolado na memória recente, exames laboratoriais normais, ausência de depressão e, principalmente, preservação funcional, preenchendo critérios para Transtorno Cognitivo Leve amnéstico.
Resposta: Alternativa D