A osteoporose é assintomática até a primeira fratura por fragilidade, o que desloca o foco do diagnóstico reativo para o rastreamento ativo por idade, fatores de risco e probabilidade calculada de fratura. O diagnóstico, portanto, é de risco, e não de sintoma: combina densitometria óssea por DXA, cálculo de FRAX e leitura clínica do paciente. Em idosos, o tratamento reduz fraturas vertebrais e de quadril quando associa antirreabsortivo ou anabólico à prevenção estruturada de quedas.
Este texto segue as diretrizes da Endocrine Society, da American Association of Clinical Endocrinologists (AACE), da Sociedade Brasileira de Reumatologia e do American College of Rheumatology, com foco no que muda desfecho na prática geriátrica.
A doença não dói e não produz sintoma até a fratura. A International Osteoporosis Foundation estima que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima de 50 anos sofrerão uma fratura por fragilidade ao longo da vida. No Brasil, sociedades médicas apontam cerca de 10 milhões de pessoas com osteoporose, e os dados do SUS registram mais de 100 mil internações anuais por fratura de fêmur proximal.
O impacto não está apenas na fratura. Cerca de 20% a 30% dos pacientes morrem no primeiro ano após uma fratura de quadril, e metade não recupera a deambulação prévia. Fraturas vertebrais são o achado mais subdiagnosticado: apenas um terço recebe diagnóstico, e cada fratura vertebral nova eleva o risco da seguinte, fenômeno conhecido como cascata de fraturas.
| Desfecho | Magnitude | Implicação clínica |
|---|---|---|
| Fratura de quadril | Mortalidade de 20% a 30% em 1 ano | Perda funcional permanente em até 50% |
| Fratura vertebral | Dois terços sem diagnóstico | Marcador de risco de novas fraturas |
| Fratura de Colles | Frequentemente o primeiro evento | Sinal de alerta para investigação óssea |
| Institucionalização | Até 20% após fratura de quadril | Custo social e familiar elevado |
A fratura por fragilidade funciona como marcador de risco imediato. Nos 12 a 24 meses seguintes a uma fratura vertebral ou de quadril, o risco de nova fratura é mais alto do que em qualquer outro momento da história natural da doença. É esse intervalo que define a janela de intervenção intensiva.
Como a osteoporose é definida e classificada?
A definição operacional é densitométrica, segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS): T-score ≤ -2,5 em coluna lombar, colo femoral ou fêmur total. Osteopenia, mais corretamente chamada de baixa massa óssea, corresponde a T-score entre -1,0 e -2,5. Fratura por fragilidade de quadril ou de vértebra, independente do T-score, já estabelece o diagnóstico de osteoporose clínica.
| Categoria | Critério | Leitura clínica |
|---|---|---|
| Normal | T-score ≥ -1,0 | Reavaliar conforme risco clínico |
| Baixa massa óssea | T-score entre -1,0 e -2,5 | Calcular FRAX e decidir por risco |
| Osteoporose | T-score ≤ -2,5 | Tratamento farmacológico na maioria |
| Osteoporose estabelecida | T-score ≤ -2,5 associado a fratura por fragilidade | Tratamento de alto risco |
| Osteoporose clínica | Fratura de quadril ou vertebral por fragilidade, com qualquer T-score | Tratar sem exigir DXA para decisão |
Do ponto de vista etiológico, distingue-se osteoporose primária (pós-menopausa e senil) da secundária, que responde por 20% a 30% dos casos em mulheres e por até 60% em homens. A distinção não é acadêmica: muda a propedêutica e frequentemente o tratamento.
Se aprofunde em: Diretrizes Brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa
Qual a diferença entre T-score e Z-score?
O T-score compara o paciente ao adulto jovem do mesmo sexo e é o parâmetro usado para diagnóstico em mulheres na pós-menopausa e em homens a partir de 50 anos. O Z-score compara ao indivíduo da mesma idade e é o parâmetro de triagem em pré-menopausa, em homens abaixo de 50 anos e em crianças. Z-score ≤ -2,0 significa densidade abaixo do esperado para a idade e obriga investigação de causa secundária.
Quem deve ser rastreado para osteoporose?
O rastreamento é baseado em idade e em fatores de risco, não em sintomas. Duas estratégias se consolidaram: rastrear todas as mulheres a partir de 65 anos e todos os homens a partir de 70 anos, ou antecipar a densitometria em pacientes com fatores de risco identificáveis.
| Indicação | Conduta |
|---|---|
| Mulheres ≥ 65 anos e homens ≥ 70 anos | Densitometria óssea de rotina |
| Mulheres na pós-menopausa < 65 anos e homens de 50 a 69 anos com fator de risco | Densitometria ou FRAX para decisão |
| Fratura por fragilidade prévia em qualquer idade | Investigação e tratamento, sem exigir DXA para decisão |
| Uso de glicocorticoide ≥ 2,5 mg/dia de prednisona por ≥ 3 meses | Avaliação óssea e tratamento preventivo |
| Doenças e fármacos de risco (hiperparatireoidismo, hipertireoidismo, doença renal crônica, mieloma, inibidores de aromatase, privação androgênica) | Densitometria ao iniciar e a cada 1 a 2 anos |
| Perda de altura ≥ 4 cm ou cifose progressiva | Radiografia de coluna e avaliação morfométrica vertebral (VFA) |
Fatores de risco clínicos que antecipam o rastreamento:
- Fratura prévia por fragilidade em qualquer sítio.
- História parental de fratura de quadril.
- Tabagismo atual.
- Consumo de álcool acima de 3 unidades por dia.
- IMC baixo, abaixo de 19 kg/m².
- Artrite reumatoide.
- Quedas recorrentes.
- Baixa ingestão de cálcio e deficiência de vitamina D.
Como interpretar a densitometria óssea?
A densitometria por absorciometria de dupla energia (DXA) é o padrão de referência. Ela mede a densidade mineral óssea em g/cm² e converte o resultado em escores comparativos. O exame isolado não define conduta em todos os casos: o número precisa ser lido junto ao risco clínico.
Armadilhas frequentes de interpretação:
- Degeneração osteoarticular e osteófitos elevam artificialmente a densidade lombar. Nesses casos, valorize colo femoral, fêmur total ou use o menor T-score, não a média.
- Escoliose, cifose, próteses, calcificações vasculares e cirurgia de coluna invalidam sítios específicos.
- O T-score do antebraço não deve ser usado para diagnóstico quando quadril e coluna estão acessíveis.
- Variação entre aparelhos de fabricantes diferentes impede comparação direta de exames seriados.
- O paciente com fratura por fragilidade já tem indicação de tratamento, independentemente do valor do T-score.
O que o FRAX adiciona e quais são seus limites?
O FRAX calcula a probabilidade de fratura maior por osteoporose e de fratura de quadril em 10 anos, com ou sem densidade mineral óssea do colo femoral. É mais útil na faixa de baixa massa óssea, em que o T-score isolado não define conduta.
| Cenário | Limiar usual de intervenção |
|---|---|
| Fratura maior por osteoporose em 10 anos | ≥ 20% |
| Fratura de quadril em 10 anos | ≥ 3% |
| Limiares ajustados à idade | Alternativa adotada em modelos como o do NOGG (National Osteoporosis Guideline Group) |
Limitações que precisam ser consideradas na consulta:
- O FRAX não incorpora número ou gravidade de quedas.
- Não considera dose acumulada de glicocorticoide nem carga tabágica.
- Não captura diabetes tipo 2 nem história de múltiplas fraturas vertebrais.
- Não deve ser aplicado a pacientes já em tratamento.
- Não deve ser usado em pessoas com menos de 40 anos.
- Em idades avançadas, o limiar fixo perde poder discriminatório, e a decisão deve considerar fragilidade, comorbidades e expectativa de vida.
Qual é a investigação das causas secundárias?
Investigar causa secundária é obrigatório em homens, em mulheres na pré-menopausa, em Z-score baixo, em fratura desproporcional ao trauma, em má resposta ao tratamento e sempre que houver sinal clínico sugestivo.
| Exame | Hipótese investigada |
|---|---|
| Cálcio, fósforo, albumina, fosfatase alcalina | Distúrbios do metabolismo mineral e doença de Paget |
| PTH intacto | Hiperparatireoidismo primário |
| 25-hidroxivitamina D | Deficiência de vitamina D e osteomalacia |
| TSH e T4 livre | Hipertireoidismo |
| Creatinina e taxa de filtração glomerular | Doença renal crônica e osteodistrofia renal |
| Proteinograma e eletroforese de proteínas | Mieloma múltiplo |
| Testosterona total em homens | Hipogonadismo |
| Antitransglutaminase IgA | Doença celíaca em perda óssea inexplicada |
| Sorologias para hepatites e HIV | Quando houver fator de risco |
| Cortisol ou teste dinâmico | Hipercortisolismo suspeito |
Como identificar fraturas vertebrais silenciosas?
A avaliação morfométrica vertebral por imagem (VFA acoplada à DXA ou radiografia lateral) deve ser considerada em todo paciente com T-score ≤ -2,5, perda de altura, dor dorsal de instalação súbita ou uso crônico de glicocorticoide. Critérios de perda de altura: 4 cm em relação à altura adulta jovem ou 2 cm em acompanhamento seriado.
Achados semiológicos que sugerem fratura vertebral:
- Dor dorsal localizada de início abrupto.
- Diminuição progressiva da estatura.
- Cifose torácica.
- Aumento da distância occipúcio-parede.
- Redução do espaço intercostal com dispneia restritiva.
- Dor à palpação de apófises espinhosas.
Quais diagnósticos diferenciais considerar?
| Diagnóstico | Achados-chave | Confirmação |
|---|---|---|
| Osteomalacia | Dor óssea difusa, fraqueza proximal, hipocalcemia, hipofosfatemia, fosfatase alcalina e PTH elevados | 25-hidroxivitamina D baixa e resposta à reposição |
| Mieloma múltiplo | Anemia, hipercalcemia, insuficiência renal, lesões líticas, dor noturna | Proteinograma, eletroforese e biópsia de medula |
| Metástases ósseas | Dor progressiva, lesões líticas ou blásticas, primário conhecido (mama, próstata, pulmão, rim, tireoide) | Imagem e investigação do primário |
| Hiperparatireoidismo primário | Hipercalcemia, PTH elevado, nefrolitíase | PTH intacto e cálcio sérico |
| Doença de Paget | Fosfatase alcalina muito elevada, deformidade óssea, alteração radiográfica típica | Radiografia e cintilografia |
| Osteogênese imperfeita | Fraturas desde a infância, escleróticas azuis, história familiar | Avaliação genética e clínica |
Quando iniciar tratamento farmacológico?
A indicação é de risco, não apenas de número. A estratificação abaixo orienta a escolha inicial.
| Categoria de risco | Critérios | Estratégia |
|---|---|---|
| Risco alto | T-score ≤ -2,5; baixa massa óssea com FRAX acima do limiar; fratura anterior | Antirreabsortivo oral ou endovenoso |
| Risco muito alto | Fratura nos últimos 12 a 24 meses; fratura vertebral grave ou múltiplas; T-score ≤ -3,0; fratura sob tratamento; FRAX muito elevado | Terapia anabólica inicial seguida de antirreabsortivo |
| Falha terapêutica | Nova fratura após 12 meses de adesão adequada | Reavaliar causa secundária e trocar de classe |
Tratamento não farmacológico: o que realmente muda desfecho?
A base é ingestão adequada de cálcio (1000 a 1200 mg/dia, preferencialmente dietético), vitamina D (800 a 1000 UI/dia, com alvo de 25-hidroxivitamina D acima de 20 ng/mL e acima de 30 ng/mL em grupos de maior risco), proteína de 1,0 a 1,2 g/kg/dia e exercício físico estruturado.
O exercício com maior evidência combina três componentes: treino resistido progressivo, atividades de impacto e treino de equilíbrio. Programas como Otago e tai chi reduzem quedas em idosos com risco aumentado. Cessação do tabagismo e limitação do álcool entram no mesmo pacote.
Cálcio e vitamina D isolados não tratam osteoporose estabelecida. Eles corrigem deficiências e potencializam o fármaco, mas não substituem a terapia antirreabsortiva ou anabólica em paciente de risco alto.
Como prevenir quedas na prática geriátrica?
Queda não é consequência inevitável do envelhecimento. É evento prevenível e multifatorial.
| Domínio | Intervenção |
|---|---|
| Força e equilíbrio | Programa de exercícios supervisionados por 12 semanas ou mais |
| Medicações | Revisão com retirada ou ajuste de benzodiazepínicos, antipsicóticos, anticolinérgicos, anti-hipertensivos e hipoglicemiantes |
| Visão | Correção de acuidade e cirurgia de catarata quando indicada |
| Ambiente | Iluminação, barras de apoio, retirada de tapetes, altura adequada de móveis |
| Calçado e auxílios | Sapato fechado e antiderrapante, dispositivo de apoio ajustado |
| Vitamina D | Reposição em deficiência documentada |
| Avaliação multifatorial | Instrumentos como a avaliação de risco de queda do CDC ou a ferramenta STEADI |
Pode-se utilizar protetores de quadril em pacientes institucionalizados com alto risco e múltiplas quedas, embora a evidência de eficácia limite-se pela adesão.
Leia mais: Resumo: fatores de risco e prevenção de quedas em idosos
Tratamento farmacológico de primeira linha
| Fármaco | Dose e via | Classe | Redução de fratura | Particularidades |
|---|---|---|---|---|
| Alendronato | 70 mg VO 1x/semana | Bisfosfonato | Vertebral, quadril, não vertebral | Jejum, água, permanecer em pé 30 min; evitar em disfagia e DRGE grave |
| Risedronato | 35 mg 1x/semana ou 150 mg 1x/mês | Bisfosfonato | Vertebral, não vertebral | Perfil esofágico favorável |
| Ibandronato | 150 mg VO 1x/mês | Classe bisfosfonato | Vertebral | Menor evidência para quadril |
| Ácido zoledrônico | 5 mg IV 1x/ano | Bisfosfonato | Vertebral, quadril, não vertebral | Reação de fase aguda; exige TFG ≥ 35 mL/min |
| Denosumabe | 60 mg SC a cada 6 meses | Anticorpo anti-RANKL | Vertebral, quadril, não vertebral | Nunca suspender sem transição; risco de hipocalcemia em DRC |
| Raloxifeno | 60 mg VO/dia | SERM | Vertebral | Não reduz fratura de quadril; risco tromboembólico |
| Bazedoxifeno | 20 mg VO/dia | SERM | Vertebral | Alternativa em intolerância a bisfosfonato |
| Teriparatida | 20 mcg SC/dia por até 24 meses | Anabólico | Vertebral, não vertebral | Evitar em Paget, radioterapia óssea prévia e hipercalcemia |
| Abaloparatida | 80 mcg SC/dia por até 24 meses | Anabólico | Vertebral, não vertebral | Menor incidência de hipercalcemia |
| Romosozumabe | 210 mg SC 1x/mês por 12 meses | Antiesclerostina | Vertebral, quadril | Contraindicado após evento cardiovascular recente |
| Terapia hormonal | Estrogênio isolado ou combinado | Antirreabsortivo | Vertebral, quadril | Considerar em mulheres < 60 anos ou < 10 anos de menopausa |
Magnitude de efeito em estudos pivotais: o denosumabe reduziu fratura vertebral em cerca de 68% e de quadril em cerca de 40% no estudo FREEDOM; a teriparatida reduziu fratura vertebral em cerca de 65% e não vertebral em cerca de 53%; o romosozumabe reduziu fratura vertebral em cerca de 73% e de quadril em cerca de 36%. Bisfosfonatos orais e endovenosos reduzem fratura vertebral em faixas que variam de 40% a 70%, com efeito menor e dependente de adesão sobre o quadril.
Bisfosfonatos orais seguem como primeira linha na maioria dos pacientes de risco alto, pela relação entre eficácia, custo e disponibilidade no Brasil. O ácido zoledrônico é preferível quando há intolerância digestiva, adesão duvidosa ou risco muito alto. O denosumabe é opção em insuficiência renal avançada e em intolerância a bisfosfonatos, com a ressalva do efeito rebote.
Como escolher entre antirreabsortivo e anabólico?
O raciocínio é sequencial. Em risco muito alto, iniciar com anabólico (teriparatida, abaloparatida ou romosozumabe) e seguir com antirreabsortivo potencializa o ganho de densidade mineral óssea. Em risco alto, começar por antirreabsortivo é adequado. A ordem inversa, anabólico após bisfosfonato, atenua a resposta e deve ser evitada quando possível.
| Estratégia | Quando preferir | Limitação |
|---|---|---|
| Antirreabsortivo como primeira escolha | Risco alto sem fratura recente; T-score entre -2,5 e -3,0; custo e acesso | Ganho densitométrico limitado; platô de efeito |
| Anabólico seguido de antirreabsortivo | Fratura recente, múltiplas fraturas, T-score ≤ -3,0, falha prévia | Custo, via subcutânea diária ou mensal, limite de 24 meses ou 12 meses |
| Anabólico após bisfosfonato | Quando não há alternativa | Resposta atenuada; evitar sempre que possível |
Ponto crítico: o romosozumabe é limitado a 12 meses e exige transição imediata para antirreabsortivo, sob pena de perda acelerada da densidade conquistada. A teriparatida não deve ser associada a bisfosfonato no mesmo período.
Como monitorar o tratamento e quando suspender?
| Ferramenta | Periodicidade | Interpretação |
|---|---|---|
| Densitometria | A cada 1 a 2 anos, no mesmo aparelho | Estabilização ou ganho indica resposta |
| Marcadores de remodelação (CTX, P1NP) | 3 a 6 meses após início | Queda de CTX sugere adesão e resposta |
| Cálcio e vitamina D | Semestral no primeiro ano | Correção de deficiências |
| Adesão | Cada consulta | Motivo mais comum de falha terapêutica |
| Radiografia de coluna | Se nova dor ou perda de altura | Detecção de nova fratura |
Sobre a suspensão de bisfosfonatos, a chamada férias terapêuticas é razoável após 5 anos de uso oral ou 3 anos de uso endovenoso em pacientes de risco moderado, com reavaliação a cada 2 anos. Em risco muito alto, a manutenção por até 10 anos pode ser considerada.
O denosumabe não admite férias. Suspender sem transição provoca aumento rápido de remodelação e fraturas vertebrais múltiplas. A transição após denosumabe é feita com bisfosfonato oral por 1 a 2 anos ou dose única de ácido zoledrônico 6 meses após a última aplicação.
Osteoporose induzida por glicocorticoide
A perda óssea é rápida nos primeiros 3 a 6 meses de uso de prednisona em dose ≥ 2,5 mg/dia por 3 meses ou mais. A diretriz do American College of Rheumatology recomenda tratamento com bisfosfonato oral, ácido zoledrônico ou teriparatida conforme estratificação de risco (idade, dose, fratura prévia e densidade mineral óssea). Cálcio e vitamina D são universais nesse grupo.
Erros comuns e mitos em osteoporose
- Tratar apenas com cálcio e vitamina D: não reduzem fraturas de forma isolada em pacientes com osteoporose estabelecida.
- Considerar que densitometria normal exclui risco: fratura por fragilidade e FRAX elevado indicam tratamento mesmo com T-score acima de -2,5.
- Suspender denosumabe sem planejamento de transição.
- Não investigar causa secundária em homens e em fratura atípica para a idade.
- Ignorar a prevenção de quedas: nenhum fármaco compensa ambiente de risco e sedação excessiva.
- Solicitar densitometria anual em paciente estável: custo sem mudança de conduta.
- Interpretar apenas a coluna lombar em paciente com degeneração importante.
Perguntas frequentes sobre osteoporose em idosos
A osteoporose tem sintomas antes da fratura?
Não. A doença é clinicamente silenciosa até a fratura por fragilidade. Dor dorsal súbita, perda de altura e cifose podem indicar fratura vertebral já instalada, não osteoporose em fase inicial.
Densitometria normal descarta risco de fratura?
Não. Fratura por fragilidade prévia e FRAX acima do limiar indicam tratamento mesmo com T-score acima de -2,5. A decisão é de risco global, não apenas densitométrica.
Com que frequência repetir a densitometria?
A cada 1 a 2 anos em pacientes em tratamento ou com fatores de risco ativos, sempre no mesmo aparelho. Em paciente estável e sem mudança de conduta prevista, intervalos maiores são aceitáveis.
Quem tem osteopenia deve tratar?
Depende do risco calculado. Baixa massa óssea isolada não é indicação automática de fármaco. O FRAX define quem se beneficia, sobretudo acima dos limiares de 20% para fratura maior e 3% para quadril em 10 anos.
Cálcio e vitamina D tratam osteoporose?
Não tratam osteoporose estabelecida. Corrigem deficiências, sustentam o efeito do fármaco e previnem hipocalcemia em pacientes usando antirreabsortivos potentes, como o ácido zoledrônico e o denosumabe.
O tratamento tem duração definida?
Sim, para algumas classes. Bisfosfonatos admitem férias terapêuticas após 5 anos de uso oral ou 3 anos de uso endovenoso em risco moderado. Denosumabe e romosozumabe exigem transição planejada, sem interrupção abrupta.
Idoso muito frágil deve tratar osteoporose?
Sim, desde que a expectativa de vida permita benefício. O alvo é reduzir fratura e preservar função. Em fragilidade avançada, priorize prevenção de quedas e escolha fármacos de uso simples, como o ácido zoledrônico anual.
Osteoporose em homens é diferente?
Sim. A causa secundária é mais frequente, chegando a 60% dos casos, e a investigação com testosterona, PTH, cálcio e proteinograma é obrigatória. O rastreamento começa aos 70 anos, ou antes, na presença de fatores de risco.
Pontos-chave
- Osteoporose é diagnóstico de risco: fratura por fragilidade ou T-score ≤ -2,5 definem tratamento.
- Rastreie mulheres a partir de 65 anos e homens a partir de 70 anos, ou antes na presença de fatores de risco.
- Use FRAX sobretudo na baixa massa óssea, lembrando que ele não captura quedas, dose de corticoide e fraturas vertebrais prévias.
- Z-score ≤ -2,0 obriga investigação de causa secundária.
- Risco muito alto (fratura recente, múltiplas fraturas, T-score ≤ -3,0) indica anabólico seguido de antirreabsortivo.
- Denosumabe nunca é suspenso sem transição para bisfosfonato.
- Bisfosfonato oral exige técnica correta de administração; erro de uso é causa frequente de falha.
- Prevenção de quedas é parte do tratamento, com revisão de fármacos, exercício de equilíbrio e adaptação do ambiente.
Conteúdo de educação médica do SanarMed, com condutas alinhadas às diretrizes vigentes e foco em decisões que mudam desfecho.
Referências bibliográficas
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa. Revista Brasileira de Reumatologia, 2017. Acesso em: 14 out. 2026
- BUCKINX, Filip et al. The FRAX tool: calculadora de risco de fratura. University of Sheffield. Acesso em: 14 out. 2026
- ROSEN, Clifford J. Screening for osteoporosis in postmenopausal women. UpToDate, 2024. Acesso em: 14 out. 2026