Anúncio

Por que a osteoporose é chamada de epidemia silenciosa?

Índice

ÚLTIMAS VAGAS - SÓ ATÉ 22/04

Escolha a Pós que te acompanha de perto com condição especial + brindes exclusivos

*Consulte condições

Dias
Horas
Min

A osteoporose é assintomática até a primeira fratura por fragilidade, o que desloca o foco do diagnóstico reativo para o rastreamento ativo por idade, fatores de risco e probabilidade calculada de fratura. O diagnóstico, portanto, é de risco, e não de sintoma: combina densitometria óssea por DXA, cálculo de FRAX e leitura clínica do paciente. Em idosos, o tratamento reduz fraturas vertebrais e de quadril quando associa antirreabsortivo ou anabólico à prevenção estruturada de quedas.

Este texto segue as diretrizes da Endocrine Society, da American Association of Clinical Endocrinologists (AACE), da Sociedade Brasileira de Reumatologia e do American College of Rheumatology, com foco no que muda desfecho na prática geriátrica.

A doença não dói e não produz sintoma até a fratura. A International Osteoporosis Foundation estima que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima de 50 anos sofrerão uma fratura por fragilidade ao longo da vida. No Brasil, sociedades médicas apontam cerca de 10 milhões de pessoas com osteoporose, e os dados do SUS registram mais de 100 mil internações anuais por fratura de fêmur proximal.

O impacto não está apenas na fratura. Cerca de 20% a 30% dos pacientes morrem no primeiro ano após uma fratura de quadril, e metade não recupera a deambulação prévia. Fraturas vertebrais são o achado mais subdiagnosticado: apenas um terço recebe diagnóstico, e cada fratura vertebral nova eleva o risco da seguinte, fenômeno conhecido como cascata de fraturas.

DesfechoMagnitudeImplicação clínica
Fratura de quadrilMortalidade de 20% a 30% em 1 anoPerda funcional permanente em até 50%
Fratura vertebralDois terços sem diagnósticoMarcador de risco de novas fraturas
Fratura de CollesFrequentemente o primeiro eventoSinal de alerta para investigação óssea
InstitucionalizaçãoAté 20% após fratura de quadrilCusto social e familiar elevado

A fratura por fragilidade funciona como marcador de risco imediato. Nos 12 a 24 meses seguintes a uma fratura vertebral ou de quadril, o risco de nova fratura é mais alto do que em qualquer outro momento da história natural da doença. É esse intervalo que define a janela de intervenção intensiva.

Como a osteoporose é definida e classificada?

A definição operacional é densitométrica, segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS): T-score ≤ -2,5 em coluna lombar, colo femoral ou fêmur total. Osteopenia, mais corretamente chamada de baixa massa óssea, corresponde a T-score entre -1,0 e -2,5. Fratura por fragilidade de quadril ou de vértebra, independente do T-score, já estabelece o diagnóstico de osteoporose clínica.

CategoriaCritérioLeitura clínica
NormalT-score ≥ -1,0Reavaliar conforme risco clínico
Baixa massa ósseaT-score entre -1,0 e -2,5Calcular FRAX e decidir por risco
OsteoporoseT-score ≤ -2,5Tratamento farmacológico na maioria
Osteoporose estabelecidaT-score ≤ -2,5 associado a fratura por fragilidadeTratamento de alto risco
Osteoporose clínicaFratura de quadril ou vertebral por fragilidade, com qualquer T-scoreTratar sem exigir DXA para decisão

Do ponto de vista etiológico, distingue-se osteoporose primária (pós-menopausa e senil) da secundária, que responde por 20% a 30% dos casos em mulheres e por até 60% em homens. A distinção não é acadêmica: muda a propedêutica e frequentemente o tratamento.

Se aprofunde em: Diretrizes Brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa

Qual a diferença entre T-score e Z-score?

O T-score compara o paciente ao adulto jovem do mesmo sexo e é o parâmetro usado para diagnóstico em mulheres na pós-menopausa e em homens a partir de 50 anos. O Z-score compara ao indivíduo da mesma idade e é o parâmetro de triagem em pré-menopausa, em homens abaixo de 50 anos e em crianças. Z-score ≤ -2,0 significa densidade abaixo do esperado para a idade e obriga investigação de causa secundária.

Quem deve ser rastreado para osteoporose?

O rastreamento é baseado em idade e em fatores de risco, não em sintomas. Duas estratégias se consolidaram: rastrear todas as mulheres a partir de 65 anos e todos os homens a partir de 70 anos, ou antecipar a densitometria em pacientes com fatores de risco identificáveis.

IndicaçãoConduta
Mulheres ≥ 65 anos e homens ≥ 70 anosDensitometria óssea de rotina
Mulheres na pós-menopausa < 65 anos e homens de 50 a 69 anos com fator de riscoDensitometria ou FRAX para decisão
Fratura por fragilidade prévia em qualquer idadeInvestigação e tratamento, sem exigir DXA para decisão
Uso de glicocorticoide ≥ 2,5 mg/dia de prednisona por ≥ 3 mesesAvaliação óssea e tratamento preventivo
Doenças e fármacos de risco (hiperparatireoidismo, hipertireoidismo, doença renal crônica, mieloma, inibidores de aromatase, privação androgênica)Densitometria ao iniciar e a cada 1 a 2 anos
Perda de altura ≥ 4 cm ou cifose progressivaRadiografia de coluna e avaliação morfométrica vertebral (VFA)

Fatores de risco clínicos que antecipam o rastreamento:

  • Fratura prévia por fragilidade em qualquer sítio.
  • História parental de fratura de quadril.
  • Tabagismo atual.
  • Consumo de álcool acima de 3 unidades por dia.
  • IMC baixo, abaixo de 19 kg/m².
  • Artrite reumatoide.
  • Quedas recorrentes.
  • Baixa ingestão de cálcio e deficiência de vitamina D.

Como interpretar a densitometria óssea?

A densitometria por absorciometria de dupla energia (DXA) é o padrão de referência. Ela mede a densidade mineral óssea em g/cm² e converte o resultado em escores comparativos. O exame isolado não define conduta em todos os casos: o número precisa ser lido junto ao risco clínico.

Armadilhas frequentes de interpretação:

  • Degeneração osteoarticular e osteófitos elevam artificialmente a densidade lombar. Nesses casos, valorize colo femoral, fêmur total ou use o menor T-score, não a média.
  • Escoliose, cifose, próteses, calcificações vasculares e cirurgia de coluna invalidam sítios específicos.
  • O T-score do antebraço não deve ser usado para diagnóstico quando quadril e coluna estão acessíveis.
  • Variação entre aparelhos de fabricantes diferentes impede comparação direta de exames seriados.
  • O paciente com fratura por fragilidade já tem indicação de tratamento, independentemente do valor do T-score.

O que o FRAX adiciona e quais são seus limites?

O FRAX calcula a probabilidade de fratura maior por osteoporose e de fratura de quadril em 10 anos, com ou sem densidade mineral óssea do colo femoral. É mais útil na faixa de baixa massa óssea, em que o T-score isolado não define conduta.

CenárioLimiar usual de intervenção
Fratura maior por osteoporose em 10 anos≥ 20%
Fratura de quadril em 10 anos≥ 3%
Limiares ajustados à idadeAlternativa adotada em modelos como o do NOGG (National Osteoporosis Guideline Group)

Limitações que precisam ser consideradas na consulta:

  • O FRAX não incorpora número ou gravidade de quedas.
  • Não considera dose acumulada de glicocorticoide nem carga tabágica.
  • Não captura diabetes tipo 2 nem história de múltiplas fraturas vertebrais.
  • Não deve ser aplicado a pacientes já em tratamento.
  • Não deve ser usado em pessoas com menos de 40 anos.
  • Em idades avançadas, o limiar fixo perde poder discriminatório, e a decisão deve considerar fragilidade, comorbidades e expectativa de vida.

Qual é a investigação das causas secundárias?

Investigar causa secundária é obrigatório em homens, em mulheres na pré-menopausa, em Z-score baixo, em fratura desproporcional ao trauma, em má resposta ao tratamento e sempre que houver sinal clínico sugestivo.

ExameHipótese investigada
Cálcio, fósforo, albumina, fosfatase alcalinaDistúrbios do metabolismo mineral e doença de Paget
PTH intactoHiperparatireoidismo primário
25-hidroxivitamina DDeficiência de vitamina D e osteomalacia
TSH e T4 livreHipertireoidismo
Creatinina e taxa de filtração glomerularDoença renal crônica e osteodistrofia renal
Proteinograma e eletroforese de proteínasMieloma múltiplo
Testosterona total em homensHipogonadismo
Antitransglutaminase IgADoença celíaca em perda óssea inexplicada
Sorologias para hepatites e HIVQuando houver fator de risco
Cortisol ou teste dinâmicoHipercortisolismo suspeito

Como identificar fraturas vertebrais silenciosas?

A avaliação morfométrica vertebral por imagem (VFA acoplada à DXA ou radiografia lateral) deve ser considerada em todo paciente com T-score ≤ -2,5, perda de altura, dor dorsal de instalação súbita ou uso crônico de glicocorticoide. Critérios de perda de altura: 4 cm em relação à altura adulta jovem ou 2 cm em acompanhamento seriado.

Achados semiológicos que sugerem fratura vertebral:

  • Dor dorsal localizada de início abrupto.
  • Diminuição progressiva da estatura.
  • Cifose torácica.
  • Aumento da distância occipúcio-parede.
  • Redução do espaço intercostal com dispneia restritiva.
  • Dor à palpação de apófises espinhosas.

Quais diagnósticos diferenciais considerar?

DiagnósticoAchados-chaveConfirmação
OsteomalaciaDor óssea difusa, fraqueza proximal, hipocalcemia, hipofosfatemia, fosfatase alcalina e PTH elevados25-hidroxivitamina D baixa e resposta à reposição
Mieloma múltiploAnemia, hipercalcemia, insuficiência renal, lesões líticas, dor noturnaProteinograma, eletroforese e biópsia de medula
Metástases ósseasDor progressiva, lesões líticas ou blásticas, primário conhecido (mama, próstata, pulmão, rim, tireoide)Imagem e investigação do primário
Hiperparatireoidismo primárioHipercalcemia, PTH elevado, nefrolitíasePTH intacto e cálcio sérico
Doença de PagetFosfatase alcalina muito elevada, deformidade óssea, alteração radiográfica típicaRadiografia e cintilografia
Osteogênese imperfeitaFraturas desde a infância, escleróticas azuis, história familiarAvaliação genética e clínica

Quando iniciar tratamento farmacológico?

A indicação é de risco, não apenas de número. A estratificação abaixo orienta a escolha inicial.

Categoria de riscoCritériosEstratégia
Risco altoT-score ≤ -2,5; baixa massa óssea com FRAX acima do limiar; fratura anteriorAntirreabsortivo oral ou endovenoso
Risco muito altoFratura nos últimos 12 a 24 meses; fratura vertebral grave ou múltiplas; T-score ≤ -3,0; fratura sob tratamento; FRAX muito elevadoTerapia anabólica inicial seguida de antirreabsortivo
Falha terapêuticaNova fratura após 12 meses de adesão adequadaReavaliar causa secundária e trocar de classe

Tratamento não farmacológico: o que realmente muda desfecho?

A base é ingestão adequada de cálcio (1000 a 1200 mg/dia, preferencialmente dietético), vitamina D (800 a 1000 UI/dia, com alvo de 25-hidroxivitamina D acima de 20 ng/mL e acima de 30 ng/mL em grupos de maior risco), proteína de 1,0 a 1,2 g/kg/dia e exercício físico estruturado.

O exercício com maior evidência combina três componentes: treino resistido progressivo, atividades de impacto e treino de equilíbrio. Programas como Otago e tai chi reduzem quedas em idosos com risco aumentado. Cessação do tabagismo e limitação do álcool entram no mesmo pacote.

Cálcio e vitamina D isolados não tratam osteoporose estabelecida. Eles corrigem deficiências e potencializam o fármaco, mas não substituem a terapia antirreabsortiva ou anabólica em paciente de risco alto.

Como prevenir quedas na prática geriátrica?

Queda não é consequência inevitável do envelhecimento. É evento prevenível e multifatorial.

DomínioIntervenção
Força e equilíbrioPrograma de exercícios supervisionados por 12 semanas ou mais
MedicaçõesRevisão com retirada ou ajuste de benzodiazepínicos, antipsicóticos, anticolinérgicos, anti-hipertensivos e hipoglicemiantes
VisãoCorreção de acuidade e cirurgia de catarata quando indicada
AmbienteIluminação, barras de apoio, retirada de tapetes, altura adequada de móveis
Calçado e auxíliosSapato fechado e antiderrapante, dispositivo de apoio ajustado
Vitamina DReposição em deficiência documentada
Avaliação multifatorialInstrumentos como a avaliação de risco de queda do CDC ou a ferramenta STEADI

Pode-se utilizar protetores de quadril em pacientes institucionalizados com alto risco e múltiplas quedas, embora a evidência de eficácia limite-se pela adesão.

Leia mais: Resumo: fatores de risco e prevenção de quedas em idosos

Tratamento farmacológico de primeira linha

FármacoDose e viaClasseRedução de fraturaParticularidades
Alendronato70 mg VO 1x/semanaBisfosfonatoVertebral, quadril, não vertebralJejum, água, permanecer em pé 30 min; evitar em disfagia e DRGE grave
Risedronato35 mg 1x/semana ou 150 mg 1x/mêsBisfosfonatoVertebral, não vertebralPerfil esofágico favorável
Ibandronato150 mg VO 1x/mêsClasse bisfosfonatoVertebralMenor evidência para quadril
Ácido zoledrônico5 mg IV 1x/anoBisfosfonatoVertebral, quadril, não vertebralReação de fase aguda; exige TFG ≥ 35 mL/min
Denosumabe60 mg SC a cada 6 mesesAnticorpo anti-RANKLVertebral, quadril, não vertebralNunca suspender sem transição; risco de hipocalcemia em DRC
Raloxifeno60 mg VO/diaSERMVertebralNão reduz fratura de quadril; risco tromboembólico
Bazedoxifeno20 mg VO/diaSERMVertebralAlternativa em intolerância a bisfosfonato
Teriparatida20 mcg SC/dia por até 24 mesesAnabólicoVertebral, não vertebralEvitar em Paget, radioterapia óssea prévia e hipercalcemia
Abaloparatida80 mcg SC/dia por até 24 mesesAnabólicoVertebral, não vertebralMenor incidência de hipercalcemia
Romosozumabe210 mg SC 1x/mês por 12 mesesAntiesclerostinaVertebral, quadrilContraindicado após evento cardiovascular recente
Terapia hormonalEstrogênio isolado ou combinadoAntirreabsortivoVertebral, quadrilConsiderar em mulheres < 60 anos ou < 10 anos de menopausa

Magnitude de efeito em estudos pivotais: o denosumabe reduziu fratura vertebral em cerca de 68% e de quadril em cerca de 40% no estudo FREEDOM; a teriparatida reduziu fratura vertebral em cerca de 65% e não vertebral em cerca de 53%; o romosozumabe reduziu fratura vertebral em cerca de 73% e de quadril em cerca de 36%. Bisfosfonatos orais e endovenosos reduzem fratura vertebral em faixas que variam de 40% a 70%, com efeito menor e dependente de adesão sobre o quadril.

Bisfosfonatos orais seguem como primeira linha na maioria dos pacientes de risco alto, pela relação entre eficácia, custo e disponibilidade no Brasil. O ácido zoledrônico é preferível quando há intolerância digestiva, adesão duvidosa ou risco muito alto. O denosumabe é opção em insuficiência renal avançada e em intolerância a bisfosfonatos, com a ressalva do efeito rebote.

Como escolher entre antirreabsortivo e anabólico?

O raciocínio é sequencial. Em risco muito alto, iniciar com anabólico (teriparatida, abaloparatida ou romosozumabe) e seguir com antirreabsortivo potencializa o ganho de densidade mineral óssea. Em risco alto, começar por antirreabsortivo é adequado. A ordem inversa, anabólico após bisfosfonato, atenua a resposta e deve ser evitada quando possível.

EstratégiaQuando preferirLimitação
Antirreabsortivo como primeira escolhaRisco alto sem fratura recente; T-score entre -2,5 e -3,0; custo e acessoGanho densitométrico limitado; platô de efeito
Anabólico seguido de antirreabsortivoFratura recente, múltiplas fraturas, T-score ≤ -3,0, falha préviaCusto, via subcutânea diária ou mensal, limite de 24 meses ou 12 meses
Anabólico após bisfosfonatoQuando não há alternativaResposta atenuada; evitar sempre que possível

Ponto crítico: o romosozumabe é limitado a 12 meses e exige transição imediata para antirreabsortivo, sob pena de perda acelerada da densidade conquistada. A teriparatida não deve ser associada a bisfosfonato no mesmo período.

Como monitorar o tratamento e quando suspender?

FerramentaPeriodicidadeInterpretação
DensitometriaA cada 1 a 2 anos, no mesmo aparelhoEstabilização ou ganho indica resposta
Marcadores de remodelação (CTX, P1NP)3 a 6 meses após inícioQueda de CTX sugere adesão e resposta
Cálcio e vitamina DSemestral no primeiro anoCorreção de deficiências
AdesãoCada consultaMotivo mais comum de falha terapêutica
Radiografia de colunaSe nova dor ou perda de alturaDetecção de nova fratura

Sobre a suspensão de bisfosfonatos, a chamada férias terapêuticas é razoável após 5 anos de uso oral ou 3 anos de uso endovenoso em pacientes de risco moderado, com reavaliação a cada 2 anos. Em risco muito alto, a manutenção por até 10 anos pode ser considerada.

O denosumabe não admite férias. Suspender sem transição provoca aumento rápido de remodelação e fraturas vertebrais múltiplas. A transição após denosumabe é feita com bisfosfonato oral por 1 a 2 anos ou dose única de ácido zoledrônico 6 meses após a última aplicação.

Osteoporose induzida por glicocorticoide

A perda óssea é rápida nos primeiros 3 a 6 meses de uso de prednisona em dose ≥ 2,5 mg/dia por 3 meses ou mais. A diretriz do American College of Rheumatology recomenda tratamento com bisfosfonato oral, ácido zoledrônico ou teriparatida conforme estratificação de risco (idade, dose, fratura prévia e densidade mineral óssea). Cálcio e vitamina D são universais nesse grupo.

Erros comuns e mitos em osteoporose

  • Tratar apenas com cálcio e vitamina D: não reduzem fraturas de forma isolada em pacientes com osteoporose estabelecida.
  • Considerar que densitometria normal exclui risco: fratura por fragilidade e FRAX elevado indicam tratamento mesmo com T-score acima de -2,5.
  • Suspender denosumabe sem planejamento de transição.
  • Não investigar causa secundária em homens e em fratura atípica para a idade.
  • Ignorar a prevenção de quedas: nenhum fármaco compensa ambiente de risco e sedação excessiva.
  • Solicitar densitometria anual em paciente estável: custo sem mudança de conduta.
  • Interpretar apenas a coluna lombar em paciente com degeneração importante.

Perguntas frequentes sobre osteoporose em idosos

A osteoporose tem sintomas antes da fratura?

Não. A doença é clinicamente silenciosa até a fratura por fragilidade. Dor dorsal súbita, perda de altura e cifose podem indicar fratura vertebral já instalada, não osteoporose em fase inicial.

Densitometria normal descarta risco de fratura?

Não. Fratura por fragilidade prévia e FRAX acima do limiar indicam tratamento mesmo com T-score acima de -2,5. A decisão é de risco global, não apenas densitométrica.

Com que frequência repetir a densitometria?

A cada 1 a 2 anos em pacientes em tratamento ou com fatores de risco ativos, sempre no mesmo aparelho. Em paciente estável e sem mudança de conduta prevista, intervalos maiores são aceitáveis.

Quem tem osteopenia deve tratar?

Depende do risco calculado. Baixa massa óssea isolada não é indicação automática de fármaco. O FRAX define quem se beneficia, sobretudo acima dos limiares de 20% para fratura maior e 3% para quadril em 10 anos.

Cálcio e vitamina D tratam osteoporose?

Não tratam osteoporose estabelecida. Corrigem deficiências, sustentam o efeito do fármaco e previnem hipocalcemia em pacientes usando antirreabsortivos potentes, como o ácido zoledrônico e o denosumabe.

O tratamento tem duração definida?

Sim, para algumas classes. Bisfosfonatos admitem férias terapêuticas após 5 anos de uso oral ou 3 anos de uso endovenoso em risco moderado. Denosumabe e romosozumabe exigem transição planejada, sem interrupção abrupta.

Idoso muito frágil deve tratar osteoporose?

Sim, desde que a expectativa de vida permita benefício. O alvo é reduzir fratura e preservar função. Em fragilidade avançada, priorize prevenção de quedas e escolha fármacos de uso simples, como o ácido zoledrônico anual.

Osteoporose em homens é diferente?

Sim. A causa secundária é mais frequente, chegando a 60% dos casos, e a investigação com testosterona, PTH, cálcio e proteinograma é obrigatória. O rastreamento começa aos 70 anos, ou antes, na presença de fatores de risco.

Pontos-chave

  • Osteoporose é diagnóstico de risco: fratura por fragilidade ou T-score ≤ -2,5 definem tratamento.
  • Rastreie mulheres a partir de 65 anos e homens a partir de 70 anos, ou antes na presença de fatores de risco.
  • Use FRAX sobretudo na baixa massa óssea, lembrando que ele não captura quedas, dose de corticoide e fraturas vertebrais prévias.
  • Z-score ≤ -2,0 obriga investigação de causa secundária.
  • Risco muito alto (fratura recente, múltiplas fraturas, T-score ≤ -3,0) indica anabólico seguido de antirreabsortivo.
  • Denosumabe nunca é suspenso sem transição para bisfosfonato.
  • Bisfosfonato oral exige técnica correta de administração; erro de uso é causa frequente de falha.
  • Prevenção de quedas é parte do tratamento, com revisão de fármacos, exercício de equilíbrio e adaptação do ambiente.

Conteúdo de educação médica do SanarMed, com condutas alinhadas às diretrizes vigentes e foco em decisões que mudam desfecho.

Referências bibliográficas

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa. Revista Brasileira de Reumatologia, 2017. Acesso em: 14 out. 2026
  • BUCKINX, Filip et al. The FRAX tool: calculadora de risco de fratura. University of Sheffield. Acesso em: 14 out. 2026
  • ROSEN, Clifford J. Screening for osteoporosis in postmenopausal women. UpToDate, 2024. Acesso em: 14 out. 2026

Compartilhe este artigo:

Uma pós que te dá mais confiança para atuar.

Conheça os cursos de pós-graduação em medicina da Sanar e desenvolva sua carreira com especialistas.

Anúncio

Artigos relacionados:

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀