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O progresso do desenvolvimento motor infantil | Colunistas

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Uma criança saudável apresenta mais do que um sistema imune
bem equipado, a linhagem motora também deve ser levada em consideração na
fisiologia infantil. O sistema motor, por sua vez, tem uma grande
responsabilidade para o exercício de habilidades como engatinhar, manter-se me
pé e correr. A vida extrauterina é desafiadora e requer muita energia da
criança e preparação de seus cuidadores, cada estágio é motivo de celebração e
deve ser administrado com cautela.

A maturação do sistema motor infantil é um processo dinâmico
e tem sentido cefalopodálico e mediolateral. Mesmo com os diferentes modelos
fenotípicos, de forma geral, o desenvolvimento motor segue um roteiro cronológico
de fases. Ao decorrer dos anos, são observadas mudanças nas habilidades
locomotoras, manipulativas e estabilizadoras.

Aos três meses a criança é capaz de controlar a cabeça e nesse
período o médico consegue avaliar o desenvolvimento geral dela com a avalição de
preensão. São examinados o uso de músculos extrínsecos e intrínsecos das mãos
juntamente com suas articulações que definem a força muscular e habilidade dos
dedos mínimos e mais tarde dos polegares e indicadores no movimento de pinça.

Aos seis meses há a percepção da coluna vertebral e nessa
idade a criança consegue ficar sentada independentemente. A musculatura oral é
melhor trabalhada nessa idade com o balbuciar de consoantes agregadas às
vogais, construindo um vocabulário de dez a vinte palavras. Já em relação à
memorização, o objeto só existe para a criança se estiver em seu campo de visão
e deixa de existir se for retirado daquele espaço.

Aos doze meses os passos se tornam mais efetivos e a criança
consegue manter-se em pé para caminhar. Administra melhor a memorização de
objetos que já não estão em seu campo de visão por efeito do progresso de
atividade do lobo frontal do cérebro, fato que pode ser comprovado com o exame
de eletroencefalograma (EEG).

Dos dois aos quatro anos a criança adquire percepções
higiênicas e controlam melhor o esfíncter da bexiga. Assim, impulsos nervosos
são transmitidos para centro miccional na ponte (componente do tronco
encefálico) para o controle do músculo detrusor da bexiga.  Com o acionamento do sistema nervoso
parassimpático, a bexiga contrai e o esfíncter uretral relaxa, isso facilita a micção.
Já com o comando do sistema nervosos simpático, a bexiga relaxa e o esfíncter
uretral contrai, impedindo a liberação do xixi.

Dos cinco aos sete anos, ativa-se o modo individuação na
criança e ela passa a sentir-se como um ser político e sociável desenhando suas
disposições cognitivas ao meio escolar. Há uma adaptação para coordenação e
concentração com atividades que envolvam colagem, recorte com tesoura,
ordenação de números e reconhecimento de letras do alfabeto.

Diante do exposto, anormalidades nos estágios motores
exemplificados acima, que afetam aptidões verbais, motoras, visuais e sociais,
podem estar ligados aos distúrbios do desenvolvimento. Dentre eles o Transtorno
de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é o mais comum, sendo mais perceptível
em idade escolar, já que a vida social da criança abrange as fronteiras do
ambiente familiar.   

O TDAH atinge cerca de 5% das crianças e está associada a
uma tríade de sintomas: impulsividade, desatenção e hiperatividade. Para o
diagnóstico, o paciente precisa apresentar seis dos nove sintomas para desatenção
e cinco dos nove sintomas para hiperatividade e impulsividade.

Os sintomas destacados para desatenção são: cometer erros
por descuido, dificuldade em manter atenção, não responder quando é chamado,
não terminar trabalhos e deixá-los incompletos, sentir dificuldade em organizar
sequências, evitar tarefas que exijam esforço mental prolongado, perder objetos
facilmente que fazem parte de seu cotidiano, distrair-se facilmente por
estímulos externos e esquecer facilmente de realizar obrigações.

Já para o quesito hiperatividade e impulsividade são levados
em conta: mexer mãos e pés como sinônimo de inquietude, levantar com frequência
em situações que se espera que permaneça sentado, correr ou ficar inquieto em
locais inapropriados, dificuldade em realizar ações com calma, sentir
desconforto em ficar muito tempo parado, falar mais que o necessário,
incapacidade de aguardar sua fala interrompendo outra pessoa e assumir o papel
dos outros com intromissão.

Os sintomas supracitados aparecem antes dos 12 anos de idade
e estão presentes em dois ou mais ambientes que o paciente frequente (casa,
igreja, escola e etc). A maioria das crianças apresentam sintomas de TDAH
misto, podendo apresentar tanto os sintomas de desatenção como os sintomas de
hiperatividade e impulsividade. Destaca-se nas meninas o subtipo desatenção e
nos meninos subtipo hiperatividade

O médico pediatra deve ter um olhar integral do paciente para que perceba alterações advindas do sistema motor. Assim, durante o acompanhamento com o pediatra, são examinados a percepção auditiva, noções de direita e esquerda, capacidade de memorização de palavras ou dígitos falados, linguagem expressiva e vocabulário, como também montagens de peças de quebra-cabeça e organização de objetos. Ao decorrer da avaliação, o profissional deve atentar-se ao foco e a concentração, para que sejam evidenciados ou eliminados sinais de ansiedade, desiquilíbrios comportamentais e mudanças de temperamento na criança.

Autora: Ester Abreu

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