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Hepatites virais na atenção primária: diagnóstico, sorologia e fluxo de cuidados no SUS

Médico examina paciente com dor abdominal durante consulta para investigação de sintomas relacionados às hepatites virais.

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Na atenção primária, a hepatite viral chega de dois modos: um paciente assintomático com transaminases alteradas em exame de rotina ou um caso agudo com icterícia, náusea e mal-estar inespecífico. Diferenciar os cinco vírus hepatotrópicos, interpretar a sorologia com precisão e conhecer o fluxo do SUS para diagnóstico e tratamento define se esse paciente será curado, controlado ou perdido no seguimento.

O Brasil assumiu com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a meta de eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública até 2030. Isso só acontece se o diagnóstico e o tratamento saírem do ambulatório especializado e chegarem à atenção básica, exatamente onde o médico de família atua. Hepatites B e C concentram a maior carga de doença: centenas de milhares de pessoas vivem com hepatite C sem diagnóstico, e a maioria dos óbitos por hepatite B ocorre em pacientes nunca testados.

Por que hepatites virais continuam sendo um desafio epidemiológico no Brasil?

Hepatites B e C respondem pela maior parte dos casos de cirrose e carcinoma hepatocelular no país. Estimativas do Ministério da Saúde apontam centenas de milhares de pessoas vivendo com hepatite C sem diagnóstico. A maior parte dos óbitos por hepatite B ocorre em pacientes que nunca foram testados.

A hepatite A, apesar da queda expressiva após a introdução da vacina infantil em 2014, ainda causa surtos em comunidades com saneamento precário. A hepatite D concentra-se na Região Norte e Amazônia Ocidental, associada a formas graves e progressão acelerada em pacientes HBsAg positivos. Hepatite E é rara no Brasil, mas merece atenção especial em gestantes e imunossuprimidos, com mortalidade de até 25% no terceiro trimestre gestacional.

Como diferenciar os cinco vírus hepatotrópicos na prática?

VírusVia de transmissãoPeríodo de incubaçãoCronificaVacina no SUS
A (HAV)Fecal-oral15 a 45 diasNãoSim, grupos específicos
B (HBV)Sexual, parenteral, vertical30 a 180 diasSim, 5% a 10% adultos, até 90% neonatosSim, universal
C (HCV)Parenteral (sangue)15 a 150 diasSim, 75% a 85%Não existe
D (HDV)Parenteral, dependente de HBsAg30 a 180 diasSim, alta taxaIndireta, via vacina HBV
E (HEV)Fecal-oral e zoonótica15 a 60 diasNão, exceto imunossuprimidosNão existe no SUS

Qual é o padrão de transmissão e cronificação da hepatite A?

A hepatite A se transmite por via fecal-oral, ligada a água e alimentos contaminados. Em crianças, costuma ser oligossintomática. Em adultos, o quadro ictérico é mais frequente e a mortalidade aumenta acima de 50 anos. Nunca cronifica. Faz-se o diagnóstico por anti-HAV IgM em fase aguda. A prevenção depende de saneamento, higiene das mãos e vacinação de grupos definidos pelo Ministério da Saúde.

Como a hepatite B se transmite e qual o risco de cronificação?

A hepatite B é a hepatite viral mais relevante para o médico de família porque é prevenível por vacina universal e tratável com antivirais orais. O risco de cronificação é inversamente proporcional à idade de exposição: cerca de 90% dos infectados ao nascer tornam-se crônicos, contra 5% a 10% dos adultos infectados. A transmissão vertical é a principal via em áreas endêmicas. A transmissão sexual é a principal via em adultos jovens no Brasil urbano. Transmissão percutânea ocorre em usuários de drogas injetáveis.

Qual é a situação epidemiológica da hepatite C no Brasil?

Hepatite C não tem vacina disponível. A transmissão atual no Brasil ocorre principalmente por compartilhamento de material para uso de drogas, com menor frequência por procedimentos invasivos sem controle de infecção. Transfusões de sangue antes de 1993 representam um grupo de risco definido. A cura é possível em mais de 95% dos casos com antivirais de ação direta (DAAs) disponíveis no SUS. Ainda assim, a maioria dos portadores desconhece o diagnóstico.

Qual é o papel da hepatite D e sua epidemiologia?

A hepatite D só ocorre em pacientes HBsAg positivos. Pode surgir como coinfecção simultânea ou superinfecção em portador crônico de hepatite B. A superinfecção é a forma mais grave, com risco elevado de hepatite fulminante. A hepatite D predomina na Amazônia Ocidental e norte do Brasil. A vacina contra hepatite B é a única forma eficaz de prevenção. O diagnóstico requer anti-HDV em pacientes HBsAg positivos.

Qual é o perfil clínico e epidemiológico da hepatite E?

No Brasil ocorrem casos esporádicos de hepatite E. Os genótipos 1 e 2 transmitem-se por água contaminada e causam formas graves em gestantes, com mortalidade de até 25% no terceiro trimestre. O genótipo 3 é zoonótico, associado a consumo de carne suína mal cozida, e pode cronificar em transplantados e imunossuprimidos. Merece investigação em gestantes com icterícia e em imunossuprimidos com elevação de transaminases.

Qual é o quadro clínico da hepatite aguda viral?

A hepatite aguda viral apresenta três fases clássicas:

  1. Fase prodrômica: febre baixa, astenia, náusea, aversão ao cigarro e artralgia. Dura de 3 a 10 dias. Nesta fase, o paciente é mais contagioso.
  2. Fase ictérica: colúria, acolia fecal, icterícia de esclera e pele, prurido. Transaminases atingem picos de 10 a 100 vezes o valor normal. AST e ALT frequentemente ultrapassam 1.000 UI/L.
  3. Fase de convalescença: resolução gradual dos sintomas. AST e ALT caem antes da bilirrubina normalizarse.

A maioria dos pacientes evolui de forma autolimitada. Os sinais de gravidade que exigem avaliação e transferência hospitalar imediata são:

  • Encefalopatia hepática (confusão, sonolência, asterixe, inversão do ciclo sono-vigília)
  • INR acima de 1,5 (indicador de falência sintética)
  • Bilirrubina total acima de 10 mg/dL com queda paradoxal de transaminases (dissociação bilirrubina-enzima)
  • Hipoglicemia, ascite ou sangramento gastrointestinal
  • Vômitos incoercíveis com desidratação

Esses achados sugerem hepatite fulminante e justificam transferência imediata para centro de transplante hepático.

Que exames solicitar na suspeita de hepatite aguda?

ExameObjetivoInterpretação
AST, ALTConfirmar lesão hepatocelularPicos de 1.000 a 10.000+ UI/L indicam hepatite aguda
Bilirrubina total e fraçõesDiferenciar padrão ictéricoPredominância direta sugere colestase
Fosfatase alcalina, GGTAvaliar componente colestáticoElevação discreta em hepatite aguda viral
INR e tempo de protrombinaAvaliar função sintética do fígadoINR > 1,5 sugere falência sintética
Hemograma com plaquetasRastrear hemoconcentração e plaquetopeniaPlaquetas < 100.000 sugerem cirrose
Ureia, creatinina, eletrólitosAvaliar função renal e distúrbiosSíndrome hepatorrenal em casos graves
GlicemiaDetectar hipoglicemiaIndica falência hepática
Anti-HAV IgMHepatite A agudaPositivo desde fase prodrômica
HBsAg, anti-HBc IgM, anti-HBsPerfil sorológico hepatite BAnti-HBc IgM positivo em hepatite B aguda
Anti-HCV e HCV-RNAHepatite C aguda ou crônicaRNA viral necessário para confirmar viremia
Anti-HDVHepatite D em HBsAg positivosObrigatório em pacientes HBsAg+ da Região Norte
Anti-HEV IgMHepatite E em casos selecionadosEspecialmente em gestantes

A ultrassonografia de abdômen ajuda a excluir obstrução biliar, avaliar o parênquima hepático e detectar sinais de cirrose como esplenomegalia e ascite. A elastografia hepática transitória ou escores não invasivos como FIB-4 e APRI são úteis na avaliação de fibrose no seguimento.

Sempre exclua causas não virais antes de fechar o diagnóstico: hepatite medicamentosa (amoxicilina-clavulanato, paracetamol em superdosagem, anti-inflamatórios, fitoterápicos), hepatite autoimune, consumo de álcool, doença de Wilson, hemocromatose e esteatose hepática não alcoólica.

Como interpretar a sorologia da hepatite B na prática?

MarcadorSignificado clínico
HBsAg (antígeno de superfície)Infecção atual, aguda ou crônica
Anti-HBc IgMContato recente com o vírus, geralmente menos de 6 meses
Anti-HBc total (IgG + IgM)Contato prévio com o vírus, por vacinação ou infecção
Anti-HBs (anticorpo de superfície)Marcador de imunidade. Isolado positivo indica vacinação bem-sucedida
HBeAg (antígeno e)Alta replicação viral, maior infectividade
Anti-HBe (anticorpo e)Replicação reduzida, mas não exclui viremia ativa
HBV-DNA (carga viral)Define atividade viral e indicação de tratamento

Os cinco perfis sorológicos mais comuns na prática clínica:

PerfilHBsAgAnti-HBcAnti-HBsInterpretaçãoConduta
1NegativoNegativoNegativoSuscetívelVacinar conforme protocolo
2NegativoNegativoPositivoImunizado por vacinaNenhuma
3NegativoPositivoPositivoInfecção resolvidaNenhuma, acompanhar se ALT elevada
4PositivoPositivoNegativoInfecção crônicaInvestigar atividade com HBV-DNA e ALT
5NegativoIgM positivoNegativoJanela imunológica ou infecção muito recenteRepetir sorologia em 30 dias

No perfil 4 (HBsAg positivo), a próxima conduta é:

  1. Solicitar HBeAg, anti-HBe e HBV-DNA para definir replicação viral
  2. Dosar ALT (alanina aminotransferase) para avaliar atividade hepática
  3. Avaliar elastografia ou FIB-4 para estimar fibrose
  4. Repetir HBsAg em 6 meses antes de rotular como crônico (diagnóstico de cronificação requer dois positivos com 6 meses de intervalo)

Qual é o calendário vacinal contra hepatites no SUS?

A vacina contra hepatite B é universal desde o nascimento nas primeiras 12 a 24 horas de vida. Este é um dos pilares da prevenção no Brasil.

GrupoEsquemaIntervalo
Recém-nascidoDose ao nascerEntre 0 e 24 horas de vida
Crianças0, 1 e 6 meses via pentavalenteAos 2, 4 e 6 meses de idade
Adolescentes e adultos sem comprovação vacinal0, 1 e 6 mesesTrês doses intramusculares
GestantesMesmo esquema 0, 1 e 6 mesesSeguro em qualquer trimestre
Grupos de risco de qualquer idadeReforço ampliadoConforme critérios do Ministério da Saúde

A vacina contra hepatite A está disponível no SUS para:

  • Crianças de 15 meses até 5 anos incompletos (duas doses com intervalo de 6 meses)
  • Pessoas com hepatopatias crônicas de qualquer etiologia
  • Portadores de HIV
  • Imunossuprimidos e transplantados
  • Homens que fazem sexo com homens
  • Pessoas em situação de rua e populações privadas de liberdade

A verificação de imunidade contra hepatite B é recomendada em profissionais de saúde, pacientes em hemodiálise e imunossuprimidos. Solicita-se anti-HBs após o esquema vacinal completo. Títulos acima de 10 mUI/mL indicam proteção. Se abaixo deste nível, uma dose adicional é recomendada, com revacinação em 3 a 5 anos se necessário.

Leia mais: A vacinação de gestantes contra COVID-19 protege os recém-nascidos?

Como fazer profilaxia pós-exposição para hepatite B?

SituaçãoConduta específicaTempo máximo
RN de mãe HBsAg positivaVacina em até 12 horas + imunoglobulina anti-HBs (HBIG) 100 UI/kg24 horas
Acidente com material biológico em não vacinado ou não respondedorAvaliar fonte, solicitar sorologia de fonte, vacina + imunoglobulina conforme gravidade e resposta anterior24 a 48 horas
Vítima de violência sexualVacina contra hepatite B (esquema acelerado 0, 1, 6 meses), avaliar imunoglobulina24 horas
Profissional de saúde com acidente perfurocortanteAvaliar status vacinal e anti-HBs prévio, considerar imunoglobulina se não respondedor24 a 48 horas
Contato domiciliar ou sexual de HBsAg+Vacinar se suscetível (HBsAg-, anti-HBc-, anti-HBs-), imunoglobulina se HBsAg+ confirmado24 horas

O acompanhamento sorológico pós-profilaxia é feito com anti-HBs de 30 a 60 dias após a última dose em populações prioritárias. Confirma-se a proteção (anti-HBs > 10 mUI/mL) ou necessidade de revacinação.

Como manejar o portador crônico de hepatite B na atenção primária?

Os critérios para iniciar tratamento antiviral no SUS seguem o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde:

  • HBV-DNA acima de 2.000 UI/mL com ALT elevada, confirmada em duas ocasiões com intervalo de 1 mês
  • Cirrose hepática, independentemente de ALT ou HBV-DNA
  • Fibrose significativa à elastografia (escore F2 ou superior em escala de Metavir)
  • História familiar de carcinoma hepatocelular
  • Coinfecção com HIV, HCV ou HDV
  • Imunossupressão planejada ou em curso (especialmente pacientes candidatos a transplante renal)

Os antivirais disponíveis no SUS são:

  • Tenofovir disoproxil fumarato 300 mg uma vez ao dia
  • Entecavir 0,5 mg uma vez ao dia

Ambos têm alta barreira genética e risco baixo de resistência. O tenofovir exige monitorização de função renal a cada 6 meses (creatinina, ureia) e densitometria óssea em uso prolongado. O entecavir é primeira linha em pacientes com doença renal crônica.

O tratamento costuma ser prolongado. Reavaliação semestral de HBV-DNA e ALT é necessária. Interrupção do tratamento é raramente indicada, especialmente em pacientes com cirrose. Pacientes com resposta virológica mantêm monitorização mesmo com HBV-DNA indetectável.

Encaminhe para hepatologia se cirrose, falha terapêutica, resistência viral suspeita, gestação HBsAg positiva ou carcinoma hepatocelular.

Como manejar o portador crônico de hepatite C com antivirais de ação direta?

O tratamento da hepatite C mudou de forma radical. Os antivirais de ação direta (DAAs) curam mais de 95% dos pacientes em 8 a 12 semanas, com efeitos adversos mínimos.

EsquemaIndicação principalDuraçãoResposta esperada
Sofosbuvir 400 mg + velpatasvir 100 mgGenótipos 1 a 6, sem cirrose ou cirrose compensada12 semanasRVS12 > 95%
Glecaprevir 300 mg + pibrentasvir 120 mgGenótipos 1 a 6, sem cirrose ou cirrose compensada8 semanasRVS12 > 98%
Esquemas com ribavirinaCirrose descompensada ou retratamentoIndividualizado conforme genótipoDepende de resistência prévia

Todo paciente com HCV-RNA detectável tem indicação de tratamento, exceto situações específicas de expectativa de vida muito curta por causa não hepática. Não é necessário aguardar elevação de transaminases, progressão de fibrose ou sintomas. O tratamento é recomendado independentemente de ALT ou elastografia.

A confirmação de cura é feita com HCV-RNA indetectável 12 semanas após o término do tratamento, chamada resposta virológica sustentada (RVS12). Reinfecção é possível e deve ser monitorada em populações com exposição contínua, especialmente usuários de drogas injetáveis.

O tratamento pode ser iniciado e monitorado na atenção primária em cenários com suporte matricial de infectologia ou hepatologia. O acompanhamento inclui avaliação de fibrose por elastografia antes do tratamento e vigilância de hepatocarcinoma se cirrose.

Quando referenciar para infectologia ou hepatologia?

Situação clínicaReferirTempo
Monoinfecção por HBV em tratamento estávelNão, manter na atenção primária com apoio matricialAcompanhamento semestral
Monoinfecção por HCV sem cirroseNão, tratamento com DAAs pode ser na atenção primáriaIniciação conforme protocolo
Cirrose com qualquer etiologiaSimAté 30 dias
Coinfecção HIV, HDV ou múltiplos vírus hepatotrópicosSimAté 30 dias
Suspeita de hepatite fulminanteSimUrgência, mesmo dia
Crianças com hepatite B ou C crônicasSimAté 30 dias
Gestante HBsAg positivaSim, ao pré-natal de alto riscoAssim que diagnosticada
Falha terapêutica ou resistência viral suspeitaSimAté 15 dias
Carcinoma hepatocelular suspeitoSimAté 15 dias
Transplante hepático, renal ou pulmonar em avaliaçãoSimAntes do procedimento
Descompensação aguda (ascite, varizes sangrantes, encefalopatia)SimEmergência

O apoio matricial com infectologia e hepatologia permite que monoinfecção estável por HBV e hepatite C sem cirrose permaneçam na atenção básica, reservando os serviços especializados para situações de maior complexidade, coinfecções e complicações.

Notificação compulsória e vigilância epidemiológica

Hepatites virais são de notificação compulsória semanal no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O diagnóstico confirmado de hepatite aguda por qualquer vírus, hepatite crônica e todos os óbitos devem ser notificados.

Casos de hepatite fulminante, surtos (dois ou mais casos relacionados) e óbitos devem ser notificados de forma imediata. A notificação é parte do cuidado integral e alimenta a política pública de eliminação das hepatites virais.

A investigação de contatos domiciliares e sexuais deve ser feita para hepatites A e B. Vacinação de suscetíveis em contatos é recomendada. A busca ativa de casos em populações vulneráveis (pessoas privadas de liberdade, situação de rua, usuários de drogas) é um dos pilares da estratégia nacional de eliminação.

Erros comuns e armadilhas na prática

  • Interpretar anti-HBc total positivo como infecção ativa. Anti-HBc isolado pode indicar infecção resolvida ou janela imunológica; o resultado deve sempre ser correlacionado com HBsAg.
  • Considerar que anti-HBe positivo significa ausência de replicação viral. HBV-DNA deve ser solicitado para definir atividade; alguns pacientes anti-HBe positivos têm viremia ativa.
  • Solicitar anti-HCV sem confirmar com HCV-RNA. Aproximadamente 20% a 25% dos anti-HCV positivos têm infecção resolvida; RNA viral diferencia infecção ativa de resolvida.
  • Aguardar elevação ou normalização de transaminases para iniciar tratamento de hepatite C. O tratamento é indicado independentemente de ALT ou AST em qualquer valor.
  • Não vacinar contatos de paciente HBsAg positivo. Vacinação de suscetíveis em contatos reduz transmissão vertical e domiciliar.
  • Não solicitar anti-HDV em pacientes HBsAg positivos da Região Norte e Amazônia Ocidental. Prevalência alta justifica investigação rotineira.
  • Deixar de notificar casos confirmados no Sinan. Notificação é obrigatória por lei.
  • Descontinuar tratamento de hepatite B porque HBV-DNA ficou indetectável. Monitorização contínua é necessária mesmo após supressão viral.

Pontos-chave para a prática clínica

  • Hepatites B e C concentram a maior carga de cirrose e carcinoma hepatocelular no Brasil; a maioria dos portadores desconhece o diagnóstico.
  • O perfil sorológico da hepatite B (HBsAg, anti-HBc, anti-HBs) define conduta: suscetível, vacinado, infecção resolvida, infecção crônica ou janela imunológica.
  • Vacina contra hepatite B é universal ao nascer, nas primeiras 12 a 24 horas de vida; protege 95% dos vacinados.
  • RN de mãe HBsAg positiva necessita de vacina em até 12 horas e imunoglobulina anti-HBs em até 24 horas para prevenir transmissão vertical.
  • Hepatite C tem cura acima de 95% com DAAs em 8 a 12 semanas; tratamento pode ser iniciado na atenção primária.
  • Todo paciente com HCV-RNA detectável tem indicação de tratamento, independentemente de transaminases ou fibrose.
  • Tratamento da hepatite B crônica segue critérios de HBV-DNA, ALT, elastografia, fibrose e presença de coinfecções.
  • Referenciamento para especialista deve ser reservado para cirrose, coinfecções (HIV, HDV, HCV), gestação, crianças menores de 18 anos e falha terapêutica.
  • Notificação compulsória no Sinan é obrigatória por lei e integra a vigilância epidemiológica nacional.
  • Investigação de contatos e vacinação de suscetíveis reduz incidência de hepatite B no contexto domiciliar.

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Referências bibliográficas

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