CID H54: Cegueira e visão subnormal
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria H54 da CID-10 refere-se a cegueira e visão subnormal, abrangendo deficiências visuais que variam desde a perda parcial até a completa da visão. A cegueira é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como acuidade visual menor que 3/60 no melhor olho com correção, ou campo visual inferior a 10 graus, enquanto a visão subnormal inclui acuidade visual entre 6/18 e 3/60 no melhor olho com correção. Essas condições resultam de disfunções no sistema visual, incluindo estruturas oculares, vias ópticas ou córtex visual, e podem ser causadas por doenças congênitas, adquiridas ou traumáticas. O impacto clínico é significativo, afetando a qualidade de vida, mobilidade, independência e aumentando o risco de comorbidades como depressão e quedas. Epidemiologicamente, a cegueira e a visão subnormal são problemas de saúde pública global, com maior prevalência em idosos e em regiões com acesso limitado a cuidados oftalmológicos, sendo as principais causas catarata, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética.
Descrição clínica
A cegueira e visão subnormal manifestam-se como incapacidade de perceber luz, formas ou detalhes, podendo ser unilateral ou bilateral. A apresentação clínica varia conforme a etiologia: na cegueira total, há ausência de percepção luminosa; na visão subnormal, os pacientes podem relatar visão turva, escotomas, dificuldade de leitura ou reconhecimento de faces. Sintomas associados incluem fotofobia, dor ocular em casos inflamatórios ou glaucomatosos, e alterações na percepção de cores. A progressão pode ser aguda, como em oclusões vasculares, ou crônica, como em degenerações retinianas. A avaliação deve considerar a acuidade visual, campo visual e adaptações funcionais, com impacto na realização de atividades diárias.
Quadro clínico
O quadro clínico é heterogêneo, dependendo da causa e gravidade. Pacientes com cegueira total podem apresentar ausência de percepção visual, nistagmo em casos congênitos, e dependência para atividades. Na visão subnormal, queixas comuns são visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite (cegueira noturna), perda da visão central (escotomas) ou periférica (visão tubular), e alterações na percepção de cores. Sintomas adicionais incluem dor ocular (em glaucoma agudo), fotopsias (em descolamento de retina), e flutuadores visuais (em hemorragias vítreas). A história deve investigar início, progressão, fatores agravantes e comorbidades como diabetes ou hipertensão. Exame físico revela alterações na acuidade visual, campo visual, fundoscopia (ex.: papiledema, hemorragias) e reflexos pupilares.
Complicações possíveis
Quedas e fraturas
Aumento do risco devido à perda de visão periférica e dificuldade de navegação.
Depressão e ansiedade
Comorbidades psiquiátricas frequentes relacionadas à perda de independência e isolamento social.
Dependência funcional
Necessidade de auxílio para atividades diárias, como alimentação e locomoção.
Piora de comorbidades
Ex.: controle inadequado de diabetes devido à dificuldade de automonitorização.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Epidemiologia
Segundo a OMS, estima-se que 2,2 bilhões de pessoas tenham deficiência visual ou cegueira, com 1 bilhão de casos evitáveis ou não tratados. A cegueira afeta desproporcionalmente idosos e populações de baixa renda, com maior prevalência em regiões da África e Ásia. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que a cegueira é uma causa importante de incapacidade, com catarata, glaucoma e retinopatia diabética como principais etiologias. Fatores de risco incluem envelhecimento, diabetes, hipertensão e falta de acesso a serviços oftalmológicos. Programas de prevenção, como cirurgia de catarata e rastreamento de glaucoma, são essenciais para reduzir a carga.
Prognóstico
O prognóstico varia conforme a etiologia e acesso a tratamento. Condições reversíveis, como catarata, têm bom prognóstico com intervenção cirúrgica. Doenças progressivas, como glaucoma ou degeneração macular, podem levar à cegueira irreversível, mas o manejo precoce pode retardar a progressão. Fatores favoráveis incluem diagnóstico precoce, adesão terapêutica e reabilitação visual. Complicações sistêmicas e idade avançada pioram o prognóstico. Em geral, a cegueira impacta significativamente a qualidade de vida, mas programas de reabilitação podem melhorar a funcionalidade.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...