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CID B78: Estrongiloidíase

B780
Estrongiloidíase intestinal
B781
Estrongiloidíase cutânea
B787
Estrongiloidíase disseminada
B789
Estrongiloidíase não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A estrongiloidíase é uma infecção parasitária causada pelo nematódeo Strongyloides stercoralis, caracterizada por um ciclo de vida complexo que envolve formas de vida livre e parasitária. A infecção ocorre principalmente através da penetração ativa de larvas filarióides através da pele, geralmente em contato com solo contaminado por fezes humanas. A singularidade do S. stercoralis reside em sua capacidade de autoinfecção, onde larvas rabditóides podem se desenvolver em formas infectantes no intestino, permitindo a persistência da infecção por décadas sem reexposição externa. Epidemiologicamente, é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com alta prevalência em áreas com saneamento inadequado, afetando milhões de pessoas globalmente, e representa um risco significativo para indivíduos imunocomprometidos, podendo evoluir para formas disseminadas e fatais.

Descrição clínica

A estrongiloidíase apresenta um espectro clínico variável, desde infecções assintomáticas até formas graves e disseminadas. Na fase aguda, os sintomas incluem dermatite serpiginosa ou larva currens no local de penetração cutânea, acompanhada de prurido e eritema. A migração larvar através dos pulmões pode causar tosse, sibilos e dispneia, simulando uma síndrome de Löffler. Na fase crônica, os sintomas gastrointestinais predominam, como dor abdominal, diarreia, náuseas e perda de peso, devido à infestação intestinal. Em imunocomprometidos, a autoinfecção maciça pode levar à síndrome de hiperinfecção ou disseminação sistêmica, com bacteremias, meningite e insuficiência respiratória, frequentemente fatal.

Quadro clínico

O quadro clínico da estrongiloidíase varia conforme a fase e o estado imune do hospedeiro. Na forma aguda, observa-se dermatite no local de entrada (pés, nádegas), com lesões lineares ou serpiginosas pruriginosas (larva currens), e sintomas pulmonares transitórios como tosse e sibilos. Na forma crônica intestinal, predominam dor abdominal epigástrica, diarreia intermitente, náuseas, flatulência e perda de peso. Sinais de má absorção, como esteatorreia, podem ocorrer. Em imunocomprometidos, a síndrome de hiperinfecção se manifesta com febre, dor abdominal intensa, distensão abdominal, icterícia, dispneia, hemoptise, alteração do estado mental e choque séptico, com alta mortalidade. Eosinofilia periférica é comum nas formas não complicadas, mas pode estar ausente na hiperinfecção.

Complicações possíveis

Síndrome de hiperinfecção

Proliferação maciça de larvas com disseminação sistêmica, bacteremias e sepse, frequentemente fatal em imunocomprometidos.

Meningite bacteriana

Devido à translocação bacteriana intestinal facilitada pela migração larvar, com patógenos como Escherichia coli.

Insuficiência respiratória

Resultante de edema pulmonar e hemorragia alveolar na migração larvar ou hiperinfecção.

Má absorção intestinal

Causada por dano mucosal crônico, levando a desnutrição e deficiências nutricionais.

Sepse gram-negativa

Complicação comum na hiperinfecção, com alta mortalidade se não tratada precocemente.

Epidemiologia

A estrongiloidíase é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com alta prevalência no Sudeste Asiático, África Subsaariana, América Latina e partes do sul dos Estados Unidos. Estima-se que afete 30 a 100 milhões de pessoas globalmente, com subnotificação significativa devido à natureza assintomática de muitos casos. Fatores de risco incluem saneamento inadequado, contato com solo contaminado, e ocupações como agricultura. Populações vulneráveis, como imigrantes de áreas endêmicas, idosos e imunocomprometidos, têm maior risco de formas graves. No Brasil, é mais comum nas regiões Norte e Nordeste, com surtos associados a condições socioeconômicas precárias.

Prognóstico

O prognóstico da estrongiloidíase é geralmente bom em indivíduos imunocompetentes com tratamento adequado, com resolução dos sintomas e baixa taxa de recidiva. No entanto, em casos de hiperinfecção ou disseminação em imunocomprometidos, a mortalidade pode exceder 50%, mesmo com terapia intensiva. Fatores de mau prognóstico incluem diagnóstico tardio, uso de imunossupressores, comorbidades como HIV/AIDS, e desenvolvimento de complicações sépticas. O acompanhamento pós-tratamento com exames parasitológicos seriados é recomendado para garantir a cura, devido ao risco de persistência por autoinfecção.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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