CID B77: Ascaridíase
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Definição
A ascaridíase é uma helmintíase intestinal causada pelo nematódeo Ascaris lumbricoides, um dos parasitas mais comuns em humanos, com distribuição global, especialmente em regiões tropicais e subtropicais com condições sanitárias precárias. A infecção ocorre pela ingestão de ovos embrionados do parasita presentes em solo, água ou alimentos contaminados com fezes humanas, seguida pela liberação de larvas no intestino delgado, que migram através da parede intestinal, atingem a circulação portal, passam pelo fígado, coração e pulmões, onde sofrem muda, são expectoradas e deglutidas, retornando ao intestino para se desenvolverem em adultos. Os vermes adultos residem no lúmen intestinal, onde podem causar obstrução, má absorção de nutrientes e complicações graves devido à migração errática para vias biliares, apêndice ou peritônio. A ascaridíase é uma importante causa de morbidade em crianças, associada a desnutrição, atraso no crescimento e comprometimento cognitivo, com alta prevalência em áreas endêmicas, representando um significativo problema de saúde pública.
Descrição clínica
A ascaridíase pode ser assintomática em infecções leves ou apresentar sintomas variáveis dependendo da carga parasitária e da fase do ciclo vital. Na fase de migração larvar, os pacientes podem experimentar sintomas respiratórios como tosse, sibilos, febre e infiltrados pulmonares transitórios (síndrome de Löffler), devido à reação inflamatória nos alvéolos. Na fase intestinal, os sintomas incluem dor abdominal difusa ou cólica, náuseas, vômitos, diarreia ou constipação, e em casos graves, obstrução intestinal, especialmente em crianças com alta carga parasitária. Complicações como migração errática podem levar a colecistite, colangite, pancreatite ou apendicite. A infecção crônica está associada a desnutrição, anemia e atraso no desenvolvimento físico e cognitivo em crianças.
Quadro clínico
O quadro clínico varia de assintomático a grave. Na fase aguda (migração larvar), os sintomas incluem tosse produtiva ou seca, sibilos, dispneia, febre baixa e mal-estar geral, com duração de 1-2 semanas. Na fase crônica (intestinal), os pacientes podem apresentar dor abdominal intermitente, náuseas, vômitos, distensão abdominal, diarreia ou constipação, e em crianças, perda de peso e atraso no crescimento. Sinais de alarme incluem vômitos biliosos, massa abdominal palpável ou sinais de obstrução intestinal. Complicações como obstrução biliar ou pancreatite aguda manifestam-se com dor abdominal intensa, icterícia e vômitos. Exame físico pode revelar desnutrição, hepatomegalia ou ruídos respiratórios anormais na fase pulmonar.
Complicações possíveis
Obstrução intestinal
Causada por emaranhamento de vermes adultos, leading a vômitos, distensão abdominal e risco de perfuração.
Migração errática
Vermes podem migrar para ducto colédoco, causando colangite, colecistite ou pancreatite aguda.
Apendicite
Obstrução do apêndice por verme, leading a inflamação aguda.
Desnutrição e atraso no crescimento
Infecção crônica resulta em má absorção de nutrientes, especialmente em crianças.
Perfuração intestinal
Rara, mas possível em casos de obstrução prolongada ou inflamação severa.
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Epidemiologia
A ascaridíase é uma das helmintíases mais prevalentes globalmente, afetando aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas, com maior incidência em regiões tropicais e subtropicais da Ásia, África e Américas. Crianças em idade escolar são as mais afetadas, devido a comportamentos de higiene e exposição ambiental. A transmissão é fecal-oral, associada a saneamento inadequado, uso de fezes humanas como fertilizante e falta de água potável. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a ascaridíase cause até 60.000 mortes anuais, principalmente por complicações obstrutivas.
Prognóstico
O prognóstico da ascaridíase é geralmente bom com tratamento adequado, com resolução dos sintomas e eliminação dos vermes. Infecções não complicadas têm baixa mortalidade, mas complicações como obstrução intestinal ou biliar podem ser fatais se não tratadas rapidamente. Crianças com infecções repetidas podem ter sequelas de desnutrição e atraso no desenvolvimento. A reinfecção é comum em áreas endêmicas, necessitando de intervenções de saúde pública para controle.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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