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CID B82: Parasitose intestinal não especificada

B820
Helmintíase intestinal não especificada
B829
Parasitose intestinal não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A helmintíase intestinal não especificada refere-se a infecções intestinais por helmintos (vermes parasitas) onde o agente etiológico específico não foi identificado ou documentado. Esta condição abrange um espectro de parasitas, incluindo nematódeos (como Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e ancilostomídeos), cestódeos (como Taenia spp.) e trematódeos (como Schistosoma mansoni, embora este último possa ter manifestações extraintestinais). A infecção ocorre principalmente através da ingestão de ovos ou larvas contaminantes em água, alimentos ou solo, ou por penetração cutânea de larvas, sendo endêmica em regiões com saneamento básico inadequado. Fisiopatologicamente, os helmintos estabelecem-se no lúmen intestinal, onde podem causar danos mecânicos à mucosa, competir por nutrientes e desencadear respostas imunes do hospedeiro, incluindo reações de hipersensibilidade e eosinofilia. O impacto clínico varia desde infecções assintomáticas até quadros de dor abdominal, diarreia, má absorção, anemia (especialmente em ancilostomíases) e comprometimento do crescimento em crianças. Epidemiologicamente, as helmintíases intestinais são um significativo problema de saúde pública global, afetando predominantemente populações de baixa renda em áreas tropicais e subtropicais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1,5 bilhão de pessoas estejam infectadas com helmintos transmitidos pelo solo, com alta prevalência em crianças em idade escolar. No Brasil, essas infecções são frequentes em comunidades carentes, refletindo desigualdades socioeconômicas e ambientais.

Descrição clínica

A helmintíase intestinal não especificada apresenta um quadro clínico heterogêneo, dependendo da carga parasitária, espécie envolvida e estado imune do hospedeiro. As manifestações podem incluir dor abdominal difusa ou cólica, diarreia aquosa ou com muco, flatulência, náuseas, vômitos e perda de peso. Em casos crônicos, pode haver sinais de má absorção, como esteatorreia e deficiências nutricionais. Complicações como obstrução intestinal, prolapso retal (em tricuríase) ou anemia ferropriva (em ancilostomíase) podem ocorrer. A eosinofilia periférica é um achado laboratorial comum devido à resposta imune Th2.

Quadro clínico

O quadro clínico é variável, desde assintomático até sintomas gastrointestinais inespecíficos, como dor abdominal, diarreia, náuseas, vômitos e distensão abdominal. Sintomas sistêmicos podem incluir fadiga, perda de peso e febre baixa. Em crianças, pode haver retardo do crescimento e desenvolvimento cognitivo. Sinais específicos dependem do helminto: por exemplo, prurido anal em enterobíase, eliminação de proglótides em teníase ou anemia em ancilostomíase. A eosinofilia é frequente e pode ser marcante em fase aguda.

Complicações possíveis

Obstrução intestinal

Causada por massas de vermes, especialmente em ascaríase, podendo levar a emergências cirúrgicas.

Anemia ferropriva

Resultante de sangramento crônico na mucosa intestinal, comum em ancilostomíase.

Má absorção e desnutrição

Devido à competição por nutrientes e dano à mucosa, afetando principalmente crianças.

Crescimento retardado

Associado a infecções crônicas, com impacto no desenvolvimento físico e cognitivo.

Complicações extraintestinais

Como migração errática de vermes para vias biliares ou apêndice, causando colecistite ou apendicite.

Epidemiologia

As helmintíases intestinais são prevalentes em regiões tropicais e subtropicais com condições sanitárias precárias. Globalmente, estima-se que mais de 1,5 bilhão de pessoas estejam infectadas com helmintos transmitidos pelo solo, segundo a OMS. No Brasil, a endemicidade é alta em comunidades rurais e periferias urbanas, com Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e ancilostomídeos sendo os mais comuns. Crianças em idade escolar são as mais afetadas, com implicações significativas para a saúde pública. Fatores de risco incluem pobreza, falta de saneamento e acesso limitado à água potável.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom com tratamento antiparasitário adequado, resultando na resolução dos sintomas e eliminação dos parasitas. Em casos não complicados, a recuperação é completa. No entanto, infecções crônicas ou não tratadas podem levar a complicações como anemia grave, desnutrição e prejuízo do crescimento, especialmente em crianças. Recidivas são comuns em áreas endêmicas devido à reexposição. O manejo inclui terapia medicamentosa e medidas de saúde pública para reduzir a transmissão.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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