CID B76: Ancilostomíase
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Definição
A ancilostomíase e necatoríase são helmintíases intestinais causadas pelos nematódeos Ancylostoma duodenale e Necator americanus, respectivamente, pertencentes ao filo Nematoda. Esses parasitos são transmitidos principalmente pela penetração ativa de larvas filarioides infectantes (L3) através da pele, geralmente em ambientes com solo contaminado por fezes humanas, sendo endêmicos em regiões tropicais e subtropicais com condições sanitárias precárias. A infecção resulta em um ciclo biológico complexo: as larvas migram pela corrente sanguínea para os pulmões, onde penetram os alvéolos, sobem pela árvore traqueobrônquica, são deglutidas e atingem o intestino delgado, onde se desenvolvem em adultos que se fixam à mucosa intestinal, alimentando-se de sangue e tecidos, levando à perda sanguínea crônica. O impacto clínico varia de infecções assintomáticas a anemia ferropriva grave, deficiência de crescimento e comprometimento cognitivo, especialmente em crianças, constituindo uma importante causa de morbidade em populações vulneráveis. Epidemiologicamente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 500 milhões de pessoas estejam infectadas globalmente, com alta prevalência em áreas rurais da África, Ásia e Américas, onde a pobreza e a falta de saneamento básico perpetuam a transmissão.
Descrição clínica
A ancilostomíase e necatoríase manifestam-se de forma variável, dependendo da carga parasitária, estado nutricional do hospedeiro e duração da infecção. Inicialmente, pode ocorrer dermatite no local de penetração das larvas (conhecida como 'coceira do solo'), seguida por sintomas pulmonares transitórios como tosse, sibilos e dispneia durante a migração larvar. A fase intestinal é caracterizada por dor abdominal epigástrica, diarreia, náuseas, anorexia e perda ponderal. O sinal cardinal é a anemia microcítica hipocrômica devido à perda sanguínea crônica pela ação hematófaga dos vermes, podendo evoluir para fadiga, palidez, taquicardia e insuficiência cardíaca em casos graves. Em crianças, a infecção crônica está associada a retardo do crescimento, desenvolvimento cognitivo prejudicado e desnutrição proteico-calórica. A necatoríase tende a causar anemia menos severa que a ancilostomíase, devido a menor ingestão sanguínea por verme.
Quadro clínico
O quadro clínico pode ser dividido em fases: cutânea (dermatite pruriginosa ou 'ground itch' no local de entrada, com eritema, pápulas e vesículas), pulmonar (tosse seca, sibilos, febre baixa e infiltrados evanescentes na radiografia, durando dias a semanas) e intestinal (dor abdominal tipo cólica, diarreia aquosa, flatulência, náuseas, perda de apetite e emagrecimento). Sinais de anemia crônica incluem fadiga, dispneia aos esforços, palidez mucocutânea, taquicardia e sopros cardíacos. Em infecções massivas, pode haver complicações como enterorragia, síndrome de má absorção, ascite e insuficiência cardíaca de alto débito. Crianças podem apresentar atraso puberal, baixo desempenho escolar e letargia. A infecção é frequentemente assintomática em cargas parasitárias baixas.
Complicações possíveis
Anemia ferropriva grave
Devido à perda sanguínea crônica, podendo levar a fadiga incapacitante, insuficiência cardíaca e morte se não tratada.
Desnutrição proteico-calórica
Resultante de má absorção intestinal e perda proteica, exacerbando retardo de crescimento em crianças.
Comprometimento do desenvolvimento cognitivo
Associado à deficiência de ferro crônica em crianças, com impactos educacionais e sociais.
Complicações pulmonares
Como pneumonia eosinofílica ou broncoespasmo durante a migração larvar.
Infecções bacterianas secundárias
No local de penetração cutânea ou devido à imunossupressão relativa.
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Epidemiologia
A ancilostomíase e necatoríase são endêmicas em regiões tropicais e subtropicais, com maior prevalência na África Subsaariana, Sudeste Asiático, América Latina e partes do Sul da Ásia. A OMS estima que mais de 500 milhões de pessoas estejam infectadas globalmente, causando aproximadamente 65.000 mortes anuais, principalmente por anemia grave. Fatores de risco incluem pobreza, falta de saneamento básico, defecação ao ar livre, andar descalço e agricultura em solos úmidos. Crianças em idade escolar e gestantes são grupos particularmente vulneráveis. No Brasil, a infecção é mais comum nas regiões Norte e Nordeste, com prevalência declinante devido a programas de controle baseados em quimioterapia preventiva em massa.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com tratamento antiparasitário oportuno, com resolução dos sintomas e normalização hematológica em semanas a meses. Em infecções não complicadas, a taxa de cura com medicamentos como albendazol ou mebendazol é superior a 95%. No entanto, em casos de anemia grave ou desnutrição avançada, o prognóstico pode ser reservado, exigindo suporte nutricional e transfusional. Reinfeções são comuns em áreas endêmicas, perpetuando a morbidade. Sem tratamento, a infecção crônica pode levar a incapacidade permanente, especialmente em crianças, com sequelas no crescimento e cognição.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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