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CID B67: Equinococose
B670
Infestação hepática por Echinococcus granulosus
B671
Infestação pulmonar por Echinococcus granulosus
B672
Infestação óssea por Echinococcus granulosus
B673
Infestações por Echinmococcus granulosus, outras e de localizações múltiplas
B674
Infestação não especificada por Echinococcus granulosus
B675
Infestação hepática por Echinococcus multilocularis
B676
Infecções por Echinococcus multilocularis, outras e de localizações múltiplas
B677
Infestação não especificada por Echinococcus multilocularis
B678
Infestação hepática não especificada, por Echinococcus
B679
Infestações por Echinococcus, outras e as não especificadas
Mais informações sobre o tema:
Definição
A equinococose, também conhecida como doença hidática, é uma zoonose parasitária causada por larvas de cestódeos do gênero Echinococcus, principalmente E. granulosus e E. multilocularis. Caracteriza-se pela formação de cistos em órgãos internos, como fígado e pulmões, resultando em manifestações clínicas variáveis dependendo da localização, tamanho e complicações dos cistos. A infecção ocorre pela ingestão acidental de ovos do parasita, liberados nas fezes de hospedeiros definitivos (como cães e outros canídeos), com humanos atuando como hospedeiros acidentais. A doença é endêmica em regiões de pecuária, com impacto significativo na saúde pública devido ao seu curso crônico e potencial para complicações graves, como ruptura de cistos e disseminação metastática.
Descrição clínica
A equinococose apresenta um curso clínico insidioso e prolongado, com sintomas frequentemente ausentes por anos até que os cistos atinjam tamanho suficiente para causar compressão de estruturas adjacentes ou complicações. As manifestações dependem da localização primária: no fígado (forma mais comum), podem ocorrer dor abdominal, hepatomegalia, icterícia obstrutiva e sinais de hipertensão portal; nos pulmões, tosse, dor torácica, hemoptise e dispneia; em outros sítios (cérebro, ossos, rins), sintomas específicos como convulsões ou dor localizada. Complicações agudas, como ruptura de cisto, podem levar a anafilaxia, disseminação peritoneal ou pleural, e infecção secundária.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável: na forma cística (E. granulosus), os sintomas são geralmente tardios e incluem massa abdominal palpável, dor no quadrante superior direito, icterícia, e sinais de compressão biliar ou vascular. Na forma alveolar (E. multilocularis), o curso é mais agressivo, com hepatomegalia progressiva, dor abdominal, icterícia obstrutiva e insuficiência hepática, simulando neoplasia. Complicações comuns são ruptura de cisto (com risco de anafilaxia, peritonite ou empiema), infecção secundária do cisto, fístulas biliares e hipertensão portal. Sintomas inespecíficos como fadiga, perda de peso e febre baixa podem ocorrer.
Complicações possíveis
Ruptura de cisto
Pode levar a anafilaxia, disseminação peritoneal ou pleural de protoescólices, e formação de novos cistos.
Infecção secundária do cisto
Transformação em abscesso piogênico, com febre, dor e sepse, requerendo drenagem e antibioticoterapia.
Compressão de estruturas vizinhas
Obstrução biliar (icterícia), compressão vascular (hipertensão portal) ou compressão de vias aéreas (dispneia).
Disseminação metastática
Particularmente na forma alveolar, com invasão de órgãos distantes como cérebro ou ossos.
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A equinococose é endêmica em regiões de pecuária, como América do Sul, Mediterrâneo, Ásia Central e Leste Europeu, com incidência variável (ex.: 1-200 casos/100.000 habitantes). No Brasil, é mais comum no Sul e Sudeste, associada à criação de ovinos. Humanos são hospedeiros acidentais; a transmissão ocorre por ciclo envolvendo cães (hospedeiros definitivos) e herbívoros (hospedeiros intermediários). A prevalência é maior em áreas rurais, com grupos de risco incluindo criadores de animais, veterinários e crianças com exposição a solos contaminados.
Prognóstico
O prognóstico varia com a forma da doença: na equinococose cística (E. granulosus), é geralmente favorável com tratamento adequado (cirurgia ou medicamentos), mas recidivas podem ocorrer em até 10-30% dos casos. Na forma alveolar (E. multilocularis), o prognóstico é reservado devido ao crescimento infiltrativo e metástases, com alta mortalidade se não tratada precocemente. Fatores de pior prognóstico incluem cistos múltiplos, localizações extra-hepáticas, complicações como ruptura e diagnóstico tardio. O seguimento a longo prazo é essencial para detectar recidivas.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, epidemiológicos, de imagem e sorológicos. Critérios da OMS incluem: 1) Suspeita clínica e epidemiológica (exposição em área endêmica); 2) Achados de imagem sugestivos (ultrassonografia abdominal ou tomografia computadorizada mostrando cistos uniloculares ou multiloculares com características típicas, como 'sinal do lírio d'água' ou calcificações); 3) Confirmação sorológica (ELISA ou imunoblot para anticorpos anti-Echinococcus); 4) Confirmação histopatológica ou por PCR em amostras de aspiração ou biópsia (este último evitado devido ao risco de disseminação). A combinação de imagem e sorologia tem alta sensibilidade e especificidade.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Cistos hepáticos simples
Cistos benignos, geralmente assintomáticos, sem paredes espessas ou septações, diferenciados pela ausência de sorologia positiva e características de imagem.
OMS. Guidelines for treatment of cystic and alveolar echinococcosis in humans. 2021.
Abscesso hepático piogênico
Infecção bacteriana com febre, leucocitose e dor abdominal aguda, diferenciado por aspiração com pus e culturas positivas, e sorologia negativa para Echinococcus.
UpToDate. Approach to the patient with a liver mass. 2023.
Tumor cístico benigno do fígado, com septações e possível malignização, diferenciado por histologia e sorologia negativa.
Micromedex. Drug Information: Antiparasitic Agents. 2023.
Hidatidose alveolar por E. multilocularis
Forma diferenciada da equinococose cística, com crescimento infiltrativo e pior prognóstico, distinguida por imagem (tomografia com infiltração) e PCR.
WHO. International classification of diseases (ICD-10). 2016.
Exames recomendados
Ultrassonografia abdominal
Exame de primeira linha para detecção e caracterização de cistos hepáticos, avaliando tamanho, localização, septações e complicações.
Triagem e monitoramento de cistos, classificação según critérios da OMS (ex.: tipo CE1 a CE5).
Tomografia computadorizada (TC) ou Ressonância magnética (RM)
Imagens de alta resolução para avaliação de cistos em pulmões, cérebro ou casos complexos hepáticos, detectando ruptura ou disseminação.
Confirmação diagnóstica, planejamento cirúrgico e avaliação de extensão da doença.
Sorologia (ELISA, imunoblot)
Detecção de anticorpos IgG anti-Echinococcus no soro, com alta especificidade para confirmação da infecção.
Confirmação sorológica da doença, especialmente em casos com achados de imagem sugestivos.
Hemograma completo
Avaliação de eosinofilia, que pode estar presente na fase aguda ou em complicações com ruptura de cisto.
Suporte diagnóstico e detecção de complicações inflamatórias.
Testes de função hepática (TGO, TGP, FA, bilirrubinas)
Avaliação de colestase ou dano hepatocelular devido a compressão biliar ou inflamação.
Monitoramento da função orgânica e detecção de complicações obstrutivas.
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Tratamento antiparasitário regular de cães domésticos e controle de populações errantes para reduzir eliminação de ovos.
Higiene alimentar e ambiental
Lavar frutas e vegetais, evitar contato com fezes de cães, e garantir abate adequado de animais para evitar contaminação.
Educação em saúde
Campanhas em áreas endêmicas para promover práticas seguras de manejo animal e higiene pessoal.
Vigilância e notificação
A equinococose é de notificação compulsória no Brasil, conforme Portaria MS nº 204/2016, devendo ser notificada imediatamente ao sistema de vigilância epidemiológica (SINAN). Medidas incluem investigação de fonte de infecção, controle de cães errantes, educação sanitária e exames de rotina em áreas endêmicas. A OMS recomenda programas integrados de controle, como desverminação de cães e inspeção de matadouros.
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Não, a transmissão direta entre humanos não ocorre; a infecção requer ingestão de ovos de Echinococcus de fezes de hospedeiros definitivos (ex.: cães).
Cistos pequenos e assintomáticos podem ser monitorados com imagem; tratamento medicamentoso (ex.: albendazol) ou intervenção (PAIR/cirurgia) é considerado se houver crescimento, sintomas ou risco de complicações.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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