Definição
Esse parasita induz uma zoonose chamada de equinococose/ hidatidose que pode se apresentar de duas formas distintas:
- No hospedeiro definitivo (cães domésticos e silvestres): onde podemos encontrar os adultos desse parasita;
- No hospedeiro intermediário (ovinos, bovinos, cervídeos, camelídeos e acidentalmente o homem): onde encontramos os cistos hidátidos que geram um quadro conhecido como hidatidose.
Para os animais existem muito impactos tendo que serem sacrificados.
Esses parasitas fazem parte do:
- Reino Animalia
- Filo Platyhelminthes
- Classe cestoda
- Genero Echnococcus
Epidemiologia da Equinococose
Temos 4 espécies importantes de Echinococcus, mas no Brasil, apenas a E. granulosos. Apenas alguns países como Islândia e Irlanda, estão livres desta linhagem de E. granulosus.
Na América do Sul, a hidatidose é uma infecção parasitária de grande relevância tanto em animais quanto em humanos, trazendo muitos prejuízos econômicos visto que, em função da sua morbidade geram grandes gastos com cirurgias e tratamentos médicos.
No Brasil, o Rio Grande do Sul é o estado que apresenta as maiores taxas da infecção hidática nas espécies animais e no homem.
Fisiopatologia
Formas Evolutivas do Echinococcus granulosus
Adultos
São hermafroditas, pequenos (cerca de 3 a 6 mm) com ventosas na escolix (cabeça);
O estróbilo (corpo) é dividido em no máximo 7 segmentos, cada um chamado de proglote que podem ser maduras, imaturas ou gravídicas- repleta de ovos (até 800)
Essas proglotes se destacam em apólise saindo juntamente com o bolo fecal.
Ovo
Tem uma membrana radiada que formam blocos piramidais. No seu interior temos 3 pares de acúleos e a presença do embrião hexacanto que sai do ovo durante o processo de ingestão deste. Em condições ideais esses ovos podem durar até 2 anos.
Cisto Hidático
É aquele que observamos no hospedeiro intermediário, incluindo o homem. Eles vivem no hospedeiro por meses a anos, fazendo com que surja uma membrana adventícia, fruto de um processo inflamatório, que vai envolver o cisto hidático impedindo que este se dissemine e infecte outas células.
Além disso ele tem uma membrana laminada para proteção e uma membrana prolígera que confere a possibilidade de proliferação do cisto.
Interiormente temos uma areia hidática que são finos grãos esbranquiçadas como uma tênue poeira que permite o crescimento de cerca 400 mil escólex.
Esse cisto cresce cerca de 5cm por ano, mas isso vai depender do tecido onde está instalado. Por exemplo, no SNC eles se desenvolvem muito mais rápido do que nos ossos por exemplo.
O cisto hidático após crescer, cria cistos hidáticos endógenos ou exógenos:
- Cistos Engógenos: estão presente na mesma membrana, formando múltiplas membranas dentro de uma única célula.
- Cistos Exógenos: o cisto hidátido mãe sofre uma ruptura liberando escólex para vários outros tecidos, gerando novos cistos hidáticos.
Ciclo Biológico do Echinococcus granulosus
Os cães (que são os hospedeiros definitivos), ao comerem vísceras de outros animais contaminados, entram em contato com os cisto hidátidos viáveis ficando contaminados. Dentro desse hospedeiro definitivo, esse cisto hidático se desenvolve e vira um adulto hermafrodita que vai, depois de um tempo- cerca de 2 meses- começar a produzir ovos que vão sair juntamente com a apólise (destacamento das proglotes).
Esse ovo contamina o meio e pode ser consumido pelo ser humano. No homem esses ovos liberam seu embrião hexacanto que invade a mucosa intestinal, caem na corrente sanguínea e nos vasos linfáticos, se disseminando para algum outro órgão.
Os órgãos mais acometidos são o fígado, pulmões, músculos, tecido conjuntivo, baço, rim e cérebro, sendo dessa forma, a sintomatologia órgão-especifica, ou seja, os sintomas vão depender do local atingido.

FONTE: Centers for Disease Control and Prevention Image Library.
Transmissão da equinococose
Cães contaminados liberam ovos nas fezes que podem contaminar todo o pelo do cão. Então, o simples acariciar do pelo pode fazer com que haja o contato com o ovo pela via oral.
Além dessa via clássica temos também a transmissão por alimentos e água contaminada além de vetores mecânicos.
Relação Parasita hospedeiro
A presença desse cisto hidático em vários órgãos estimula a produção de citocinas no hospedeiro intermediário gerando uma reação granulomatosa que pode ter dois desfechos: a reabsorção do tecido ou a calcificação do tecido (perda de funcionalidade).
Devido a intensa produção de citocinas, com resposta TH-2 podemos ter desgranulação de eosinófilos e mastócitos que podem gerar urticárias, asma e choque anafilático (mais observado nos casos de cistos hidátidos exógenos, pois a areia hidátida é bastante antigênica).
Outro ponto importante é que o cisto hidático cresce constantemente podendo gerar deslocamento e compressão do tecido em que está instalado. Além disso ele precisa de nutrientes, tendo que absorver o nutriente que deveria ir para os tecidos.
Quadro clínico da Equinococose
Como comentado anteriormente, a manifestação clínica vai depender do local de instalação do cisto hidátido.
Hidatidose hepática: Caracterizada por uma dor que se irradia para escapula associada a sitomatologias sistêmicas como febre, icterícia, náuseas, ascite, vômitos e diarreia devido a liberação de citocinas;
Hidatidose Pulmonar: Podemos encontrar quadros alérgicos, tosse, expectoração sanguinolenta, infecções secundárias, abcesso pulmonar crônico
Hidatidose óssea: Os sintomas são os mais inespecíficos possível. Temos dor nas costas, dor ciática, fraturas, paresias, paraplegias e constantemente tem mau prognóstico.
Hidatidose Cerebal: Como dito anteriormente o SNC não apresenta resistência para o crescimento do cisto hidático, consequentemente, o cisto evolui de forma muito rápida, ficando muito grande e geralmente associado a um quadro com desfecho mais grave.
Diagnóstico da Equinococose
Clínico: Geralmente só é detectada 10 a 15 anos após infecção visto que o crescimento é lento, demorando anos até o tamanho ser capaz de induzir sintomatologias mais exuberante.
Pode acontecer esse diagnóstico quando ocorre o caso da hidatidose pulmonar, onde pode-se observar fragmentos da membrana cística no catarro.
Ouras formas diagnósticas são por meio de métodos radiológicos, ultrassonografias.
Laboratorial: Existem alguns testes sorológicos, mas estes expressam reações cruzadas.
Existe ainda a chamada Reação Intradermica de Casoni que consiste em introduzir antígenos do E. granulosis na pele e observar o surgimento de pápulas de controle nítidos e regulares que ultrapassem 2 cm de comprimento;
Outro método é a pesquisa de areia hidática no exames parasitológicos.
Tratamento de Equinococose
Cirúrgico: Substituir esse liquido hidático por NaCl ou álcool para inativar e inviabilizar o escólex da areia hidática, pois durante a cirurgia pode haver ruptura do cisto com liberação dessa área causando vários transtornos como por exemplo o choque anafilático.
Pós Cirurgico: Albendazol; Mebendazol e Praziquantel para diminuírem a possibilidade de surgimento de cistos hidáticos filhos.
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Referências:
Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
Soares, Manoel do Carmo Pereira e Crescente, José Ângelo Barletta. Equinococose policística na Amazônia oriental brasileira: atualização da casuística. https://www.scielo.br/j/rsbmt/a/Qp6HYDHbtQ64v5JjB5YTqTw/?lang=pt, Acesso em 01/06/21.