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CID B69: Cisticercose

B690
Cisticercose do sistema nervoso central
B691
Cisticercose do olho
B698
Cisticercose de outras localizações
B699
Cisticercose não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A cisticercose é uma infecção parasitária causada pela forma larval do cestódeo Taenia solium, conhecida como Cysticercus cellulosae. Esta condição resulta da ingestão acidental de ovos de T. solium, geralmente através de alimentos ou água contaminados com fezes humanas contendo os ovos, ou por autoinfecção externa em portadores da tênia adulta. Os ovos liberam oncosferas no intestino, que penetram a parede intestinal, entram na circulação sanguínea e se alojam em tecidos como cérebro, músculos, olhos e pele, formando cistos que podem permanecer viáveis por anos. A cisticercose é uma causa significativa de epilepsia adquirida e outras manifestações neurológicas em regiões endêmicas, representando um importante problema de saúde pública devido à sua associação com condições sanitárias precárias e práticas inadequadas de higiene alimentar. Sua incidência é maior em áreas rurais de países em desenvolvimento, mas casos importados são observados globalmente devido à migração e viagens.

Descrição clínica

A cisticercose é caracterizada pela formação de cistos parasitários em diversos órgãos, com manifestações clínicas variáveis dependendo da localização, número e viabilidade dos cistos. A forma neurocisticercose é a mais comum e grave, podendo causar convulsões, hipertensão intracraniana, déficits neurológicos focais, hidrocefalia e alterações cognitivas. Cistos em músculos podem levar a nódulos palpáveis e mialgias, enquanto a localização ocular pode resultar em uveíte, descolamento de retina e perda visual. O curso da doença é frequentemente crônico, com períodos de latência, e a morte dos cistos pode desencadear reações inflamatórias exacerbadas.

Quadro clínico

O quadro clínico da cisticercose é polimórfico e depende da localização dos cistos. Na forma nervosa (neurocisticercose), os sintomas incluem convulsões (focais ou generalizadas), cefaleia, vômitos, papiledema, alterações visuais, déficits motores ou sensitivos, distúrbios psiquiátricos e hidrocefalia. Formas musculares apresentam nódulos subcutâneos palpáveis, mialgias e pseudohipertrofia muscular. A cisticercose ocular pode causar dor ocular, fotofobia, visão turva e perda visual. Formas assintomáticas são comuns, especialmente com cistos únicos ou calcificados. A evolução pode ser aguda, subaguda ou crônica, com exacerbações relacionadas à degeneração cística.

Complicações possíveis

Epilepsia refratária

Convulsões recorrentes e de difícil controle devido a cistos calcificados ou lesões epileptogênicas persistentes.

Hidrocefalia

Acúmulo de líquido cefalorraquidiano por obstrução ventricular, requerendo derivação neurocirúrgica.

Acidente vascular cerebral isquêmico

Oclusão vascular por vasculite associada a cistos subaracnóideos, levando a infartos cerebrais.

Cegueira

Perda visual irreversível por descolamento de retina, uveíte ou glaucoma na cisticercose ocular.

Morte

Óbito por hipertensão intracraniana refratária, status epilepticus ou complicações infecciosas.

Epidemiologia

A cisticercose é endêmica em regiões com saneamento básico deficiente, como América Latina, Ásia e África Subsaariana, com estimativa de 2,5 a 8,3 milhões de casos globais. No Brasil, é hiperendêmica em algumas áreas, com incidência anual de neurocisticercose around 5-10 por 100.000 habitantes. Fatores de risco incluem contato com porcos, consumo de vegetais crus contaminados e portadores de tênia adulta. A transmissão é fecal-oral, e a prevalência é maior em adultos jovens, com igual distribuição entre sexos. Campanhas de educação sanitária têm reduzido a incidência em países endêmicos.

Prognóstico

O prognóstico da cisticercose varia conforme a localização, carga parasitária e resposta ao tratamento. Formas parenquimatosas únicas têm bom prognóstico com resolução espontânea ou terapêutica, enquanto formas subaracnóideas ou intraventriculares associam-se a maior morbidade e mortalidade. Complicações como epilepsia podem persistir mesmo após tratamento. O diagnóstico precoce e manejo adequado melhoram os desfechos, mas sequelas neurológicas são comuns em casos avançados. A taxa de mortalidade é baixa em tratados, mas pode chegar a 10% em neurocisticercose grave.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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