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CID B83: Outras helmintíases
B830
Larva migrans visceral
B831
Gnatostomíase
B832
Angrostrongilíase devida a Parastrongylus cantonensis
B833
Singamose
B834
Hirudiníase interna
B838
Outras helmintíases especificadas
B839
Helmintíase não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
As helmintíases são infecções causadas por vermes parasitas do filo Helminthes, que incluem nematódeos (vermes cilíndricos), trematódeos (vermes em forma de folha) e cestódeos (vermes em forma de fita). A categoria 'Outras helmintíases' (CID-10 B83) abrange infecções por helmintos não especificadas em outras categorias do capítulo de doenças infecciosas e parasitárias, como aquelas causadas por espécies menos comuns ou com apresentações clínicas atípicas. Essas infecções podem envolver múltiplos órgãos, incluindo trato gastrointestinal, pulmões, fígado, sistema nervoso central e pele, dependendo do ciclo de vida do parasita e da via de infecção. A epidemiologia varia globalmente, com maior prevalência em regiões tropicais e subtropicais, onde condições sanitárias precárias e contato com solo ou água contaminados facilitam a transmissão. O impacto clínico pode variar de infecções assintomáticas a doenças graves com morbidade significativa, especialmente em populações imunocomprometidas ou com desnutrição.
Descrição clínica
As helmintíases incluídas em B83 apresentam um espectro clínico diverso, influenciado pelo tipo de helminto, carga parasitária, localização da infecção e resposta do hospedeiro. As manifestações podem ser agudas ou crônicas, com sintomas como dor abdominal, diarreia, náuseas, vômitos, perda de peso, fadiga, tosse, dispneia, hepatomegalia, esplenomegalia, erupções cutâneas e sintomas neurológicos como convulsões ou déficits focais. Em casos de migração larval, podem ocorrer síndromes como larva migrans visceral ou cutânea. A cronicidade pode levar a complicações como anemia, desnutrição, obstrução intestinal ou fibrose hepática, dependendo do parasita envolvido.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável: formas intestinais podem cursar com dor abdominal, diarreia, náuseas e distensão; formas hepáticas com icterícia, hepatomegalia e dor no hipocôndrio direito; formas pulmonares com tosse, sibilos e infiltrados visíveis em radiografia; formas cutâneas com prurido, eritema e lesões serpiginosas; e formas neurológicas com cefaleia, convulsões ou déficits motores. Sintomas sistêmicos como febre baixa, mal-estar e perda de peso são comuns. Em imunossuprimidos, pode haver hiperinfecção com disseminação e sepse.
Complicações possíveis
Obstrução intestinal
Bloqueio mecânico do lúmen intestinal por aglomerados de vermes, leading a dor, vômitos e risco de perfuração.
Anemia e desnutrição
Perda crônica de sangue ou competição por nutrientes, resultando em deficiências de ferro, proteínas ou vitaminas.
Hepatite ou fibrose hepática
Inflamação e dano hepático devido à migração larval ou estabelecimento de trematódeos, podendo evoluir para cirrose.
Hiperinfecção disseminada
Proliferação excessiva de parasitas em imunossuprimidos, com septicemia e falência múltipla de órgãos.
Comprometimento neurológico
Envolvimento do SNC com meningoencefalite, convulsões ou déficits focais devido à migração larval ou reações inflamatórias.
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As helmintíases em B83 têm distribuição global, com maior endemicidade em regiões tropicais e subtropicais da Ásia, África e Américas, onde saneamento básico é deficiente. A prevalência varia conforme o parasita; por exemplo, strongiloidíase afeta milhões worldwide, com taxas de até 30% em algumas áreas. Fatores de risco incluem pobreza, contato com solo contaminado, consumo de água não tratada e imunodepressão. Crianças e agricultores são grupos frequentemente afetados. Dados da OMS indicam que helmintíases contribuem significativamente para a carga global de doenças, com impacto socioeconômico considerável.
Prognóstico
O prognóstico geralmente é bom com diagnóstico precoce e tratamento adequado, resultando em resolução completa. No entanto, em infecções crônicas não tratadas ou em pacientes imunocomprometidos, o prognóstico pode ser reservado devido a complicações como desnutrição grave, fibrose orgânica ou disseminação sistêmica. A mortalidade é baixa em indivíduos saudáveis, mas pode aumentar em casos de hiperinfecção ou envolvimento de órgãos vitais.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, epidemiológicos e laboratoriais: história de exposição em área endêmica, sintomas compatíveis, e identificação de ovos, larvas ou parasitas adultos em amostras de fezes, sangue, escarro, líquido cefalorraquidiano ou biópsias teciduais. Exames sorológicos (ex.: ELISA para anticorpos específicos) e de imagem (ex.: ultrassonografia, tomografia computadorizada) auxiliam na localização e avaliação de complicações. Em casos suspeitos, a resposta a tratamento empírico pode ser considerada.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Outras helmintíases específicas (ex.: ascaridíase, esquistossomose)
Infecções por helmintos com códigos CID-10 próprios (ex.: B77 para ascaridíase, B65 para esquistossomose), que podem ter quadros clínicos sobrepostos, mas são diferenciadas por identificação parasitológica ou sorológica específica.
OMS. Soil-transmitted helminth infections. 2020.
Doenças gastrointestinais não parasitárias (ex.: doença inflamatória intestinal)
Condições como colite ulcerativa ou doença de Crohn que cursam com dor abdominal e diarreia, mas sem evidência de infecção parasitária e com achados endoscópicos e histológicos distintos.
UpToDate. Approach to the patient with chronic diarrhea in resource-rich settings. 2021.
Infecções virais ou bacterianas (ex.: gastroenterite por Salmonella)
Infecções agudas com sintomas gastrointestinais similares, mas geralmente de curso mais agudo e com identificação de patógenos por culturas ou testes moleculares.
PubMed: Clinical features and management of bacterial gastroenteritis. 2019.
Doenças alérgicas ou autoimunes (ex.: síndrome de Loeffler)
Condições com eosinofilia e sintomas respiratórios ou cutâneos, mas sem evidência de infecção helmíntica ativa, diferenciadas por história e exames específicos.
Micromedex. Eosinophilic lung diseases. 2022.
Neoplasias (ex.: linfoma abdominal)
Tumores que podem simular helmintíases com massa abdominal ou sintomas sistêmicos, diferenciados por biópsia e exames de imagem.
Diretrizes Brasileiras de Oncologia. Abordagem de massas abdominais. 2020.
Exames recomendados
Exame parasitológico de fezes
Pesquisa direta ou por métodos de concentração para ovos, larvas ou cistos de helmintos.
Confirmar infecção intestinal e identificar o parasita.
Sorologia específica (ex.: ELISA, Western blot)
Detecção de anticorpos IgG ou IgE contra antígenos helmínticos.
Auxiliar no diagnóstico de infecções extraintestinais ou quando o exame parasitológico é negativo.
Hemograma completo
Avaliação de eosinofilia, anemia ou leucocitose.
Identificar sinais indiretos de infecção parasitária e avaliar complicações.
Exames de imagem (ex.: ultrassonografia abdominal, radiografia de tórax)
Visualização de alterações como espessamento intestinal, lesões hepáticas ou infiltrados pulmonares.
Localizar parasitas migratórios e avaliar danos orgânicos.
Biópsia tecidual
Coleta de amostra de tecido afetado (ex.: pele, fígado) para histopatologia.
Identificar parasitas ou reações granulomatosas em casos duvidosos.
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Lavar as mãos com sabão após defecar e antes de manipular alimentos; usar calçados em áreas endêmicas.
Tratamento de água e alimentos
Ferver ou filtrar água de consumo; cozinhar bem carnes e vegetais para inativar larvas.
Quimioprofilaxia em grupos de risco
Administração periódica de anti-helmínticos em populações de alta endemicidade, conforme diretrizes locais.
Vigilância e notificação
No Brasil, helmintíases são de notificação compulsória para alguns agentes específicos, mas 'Outras helmintíases' (B83) podem não ser notificadas rotineiramente, dependendo da vigilância epidemiológica local. Recomenda-se notificação em surtos ou casos graves para monitoramento e controle. Medidas de vigilância incluem monitoramento de prevalência em populações de risco, educação em saúde e melhorias sanitárias. A OMS enfatiza a integração com programas de controle de doenças negligenciadas.
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Os sintomas variam conforme o parasita, mas podem incluir dor abdominal, diarreia, náuseas, tosse, erupções cutâneas, fadiga e perda de peso. Em casos graves, há risco de complicações como obstrução intestinal ou envolvimento neurológico.
O diagnóstico envolve exame parasitológico de fezes, sorologia específica, hemograma para eosinofilia e exames de imagem. A confirmação é pela identificação do parasita em amostras biológicas.
Não, atualmente não há vacinas disponíveis para helmintíases humanas. A prevenção baseia-se em medidas de saneamento, higiene e, em alguns casos, quimioprofilaxia.
O tratamento depende do helminto, mas inclui anti-helmínticos como albendazol, mebendazol, ivermectina ou praziquantel, prescritos conforme a infecção específica e diretrizes clínicas.
Geralmente não são diretamente contagiosas de pessoa para pessoa; a transmissão ocorre principalmente por ingestão de ovos ou larvas em ambiente contaminado, exigindo condições específicas para completar o ciclo.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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