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CID A81: Infecções por vírus atípicos do sistema nervoso central
A810
Doença de Creutzfeldt-Jakob
A811
Panencefalite esclerosante subaguda
A812
Leucoencefalopatia multifocal progressiva
A818
Outras infecções por vírus atípicos do sistema nervoso central
A819
Infecção não especificada do sistema nervosos central por vírus atípicos
Mais informações sobre o tema:
Definição
As infecções do sistema nervoso central (SNC) devidas a vírus lentos são doenças neurodegenerativas progressivas e raras, caracterizadas por um longo período de incubação (meses a anos) e evolução clínica lenta, resultando em degeneração neuronal irreversível. Essas infecções são causadas por agentes não convencionais, como príons, que induzem alterações conformacionais em proteínas celulares normais (ex.: proteína priônica celular, PrPc) para uma isoforma patogênica (PrPSc), resistente à proteólise e capaz de se agregar no tecido cerebral. O acúmulo de PrPSc leva à vacuolização neuronal, perda sináptica, gliose reativa e espongiforme, culminando em disfunção neurológica grave. Epidemiologicamente, são condições esporádicas, familiares ou adquiridas (ex.: variante da doença de Creutzfeldt-Jakob por exposição a tecidos contaminados), com incidência global baixa (cerca de 1-2 casos por milhão de habitantes/ano), mas com alto impacto na morbimortalidade devido à ausência de tratamento curativo.
Descrição clínica
As infecções do SNC por vírus lentos manifestam-se como encefalopatias espongiformes transmissíveis, com início insidioso e progressão constante. O quadro é marcado por deterioração cognitiva (demência rapidamente progressiva), alterações motoras (mioclonias, ataxia, rigidez), distúrbios psiquiátricos (depressão, ansiedade, alterações de comportamento) e, eventualmente, estado vegetativo. A evolução é inexorável, com duração média de meses a poucos anos, dependendo da forma (ex.: doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica tem sobrevida de 4-6 meses). A ressonância magnética pode mostrar hiperintensidade em núcleos da base e córtex cerebral em sequências de difusão, e o eletroencefalograma pode exibir complexos periódicos agudos. O diagnóstico definitivo requer confirmação histopatológica ou detecção de PrPSc no tecido cerebral.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a forma, mas geralmente inclui: início com sintomas inespecíficos como fadiga e alterações de humor; progressão para demência subaguda com deficits de memória, desorientação e julgamento prejudicado; sinais motores como mioclonias (contrações musculares bruscas), ataxia (desequilíbrio e incoordenação), rigidez e parkinsonismo; distúrbios visuais (cegueira cortical); e, em fases avançadas, mutismo, incontinência e estado de coma. Na variante da doença de Creutzfeldt-Jakob, sintomas psiquiátricos proeminentes e parestesias são comuns. A evolução é rápida, com morte em média em 6-12 meses.
Complicações possíveis
Demência grave
Perda completa da autonomia, requerendo cuidados intensivos e suporte familiar/institucional.
Infecções secundárias
Pneumonia por aspiração e infecções do trato urinário devido à imobilidade e disfagia.
Estado vegetativo persistente
Evolução para coma e falta de resposta a estímulos, com necessidade de suporte vital.
Morte
Desfecho inevitável na maioria dos casos, geralmente dentro de meses a poucos anos do início dos sintomas.
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As infecções do SNC por vírus lentos são raras, com incidência global estimada em 1-2 casos por milhão de habitantes por ano. A doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica responde por 85-90% dos casos, enquanto formas familiares (5-10%), iatrogênicas (<5%) e variante (associada à encefalopatia espongiforme bovina) são menos comuns. Distribuição é mundial, com pequenas variações regionais (ex.: kuru restrito a Papua Nova Guiné). Fatores de risco incluem história familiar (mutações no PRNP), exposição a tecidos nervosos contaminados (ex.: hormônio do crescimento derivado de cadáver) e, possivelmente, polimorfismos genéticos. A vigilância é essencial devido ao potencial de transmissão iatrogênica.
Prognóstico
O prognóstico é invariavelmente ruim, com taxa de mortalidade de 100%. A sobrevida média varia conforme a forma: doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica tem sobrevida de 4-6 meses, enquanto formas como a síndrome de Gerstmann-Sträussler-Scheinker podem evoluir por 2-10 anos. Não há tratamentos curativos, e o manejo é paliativo, focando no conforto e controle de sintomas. Fatores como idade mais jovem na variante da doença de Creutzfeldt-Jakob podem associar-se a sobrevida ligeiramente maior, mas a deterioração neurológica é progressiva e irreversível.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se em diretrizes da WHO (World Health Organization) e incluem: 1) Demência progressiva rápida; 2) Presença de pelo menos dois dos seguintes sinais: mioclonias, alterações visuais ou cerebelares, sinais piramidais ou extrapiramidais, mutismo; 3) Achados auxiliares: EEG com complexos periódicos agudos, RM com hiperintensidade em núcleos da base ou córtex em sequências FLAIR ou difusão, detecção de proteína 14-3-3 no LCR (em contextos apropriados). Diagnóstico definitivo requer biópsia cerebral ou necropsia com confirmação histopatológica (degeneração espongiforme, gliose, acúmulo de PrPSc) ou teste imuno-histoquímico para PrPSc.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Doença de Alzheimer
Demência progressiva, mas de evolução mais lenta (anos), sem mioclonias precoces ou achados típicos de RM/EEG de encefalopatia espongiforme; histopatologia mostra emaranhados neurofibrilares e placas beta-amiloides.
WHO. Infection Control Guidelines for Transmissible Spongiform Encephalopathies. 1999.
Encefalite viral aguda
Apresentação aguda/subaguda com febre, cefaleia e alteração do nível de consciência, frequentemente associada a infecções por herpesvírus ou arbovírus; LCR com pleocitose e PCR positiva para vírus convencionais.
WHO. Manual for the Surveillance of Human Transmissible Spongiform Encephalopathies. 2003.
Doença de Parkinson com demência
Caracterizada por parkinsonismo predominante e demência de evolução lenta, sem os complexos periódicos no EEG ou hiperintensidades específicas na RM; resposta a levodopa pode ocorrer.
WHO. Infection Control Guidelines for Transmissible Spongiform Encephalopathies. 1999.
Paraneoplasias do SNC
Síndromes neurodegenerativas associadas a neoplasias, com anticorpos onconeurais detectáveis no soro ou LCR; evolução variável, mas pode mimetizar encefalopatias priônicas.
WHO. Manual for the Surveillance of Human Transmissible Spongiform Encephalopathies. 2003.
Hidrocefalia de pressão normal
Tríade de demência, incontinência urinária e distúrbio da marcha; melhora com derivação ventricular; RM mostra ventriculomegalia desproporcional.
WHO. Infection Control Guidelines for Transmissible Spongiform Encephalopathies. 1999.
Exames recomendados
Ressonância magnética cerebral
Sequências de difusão e FLAIR para detectar hiperintensidade em núcleos da base (putâmen e caudado) e córtex cerebral, sugestiva de encefalopatia espongiforme.
Auxiliar no diagnóstico diferencial e apoiar critérios clínicos para doenças priônicas.
Eletroencefalograma (EEG)
Busca por complexos periódicos agudos (descargas generalizadas e periódicas), presentes em cerca de 60-80% dos casos de doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica.
Fornecer evidência eletrofisiológica para encefalopatia priônica.
Punção lombar com análise do LCR
Dosagem de proteína 14-3-3 (marcador de dano neuronal agudo) e tau total; LCR geralmente acelular com proteína normal ou levemente elevada.
Apoiar o diagnóstico em contextos clínicos sugestivos, aumentando a especificidade quando positiva.
Teste de amplificação de proteína misfolding (RT-QuIC)
Detecção de PrPSc em LCR ou outros tecidos usando amplificação por agregação, com alta sensibilidade e especificidade para doenças priônicas.
Confirmar a presença de PrPSc de forma menos invasiva que a biópsia cerebral.
Biópsia cerebral
Coleta de tecido cerebral para análise histopatológica (degeneração espongiforme, gliose) e imuno-histoquímica para PrPSc.
Estabelecer diagnóstico definitivo em casos atípicos ou para confirmação.
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Evitar transplantes de córnea, uso de hormônios hipofisários ou instrumentos neurocirúrgicos de fontes não rastreadas; esterilização rigorosa de equipamentos.
Triagem de doadores de sangue e órgãos
Exclusão de indivíduos com história familiar ou exposição conhecida a doenças priônicas em programas de doação.
Educação em saúde
Orientar profissionais de saúde e público sobre riscos de transmissão iatrogênica e importância da notificação.
Vigilância e notificação
Essas doenças são de notificação compulsória em muitos países, incluindo o Brasil, devido ao potencial de transmissão e impacto em saúde pública. A vigilância envolve sistemas como o sistema de notificação de doenças priônicas da WHO e redes nacionais (ex.: Centro de Vigilância Epidemiológica). Casos suspeitos devem ser notificados imediatamente para investigação laboratorial e medidas de controle de infecção, especialmente em contextos de exposição a tecidos de risco. A confirmação requer coordenação com laboratórios de referência para testes específicos (ex.: RT-QuIC, histopatologia).
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Não são contagiosas no sentido convencional, como doenças virais agudas. A transmissão ocorre principalmente por exposição a tecidos nervosos ou oculares infectados (ex.: procedimentos iatrogênicos), ingestão de produtos contaminados (ex.: variante da doença de Creutzfeldt-Jakob) ou herança genética (formas familiares). Não há transmissão por contato casual ou respiratório.
Não, atualmente não há tratamento curativo. O manejo é sintomático e paliativo, focando no alívio de sintomas como mioclonias, dor e agitação, e no suporte a pacientes e famílias. Pesquisas com agentes como anticorpos anti-príons ou moduladores de agregação proteica estão em fase experimental.
O diagnóstico definitivo requer confirmação histopatológica por biópsia cerebral ou necropsia, demonstrando degeneração espongiforme, gliose e acúmulo de PrPSc por imuno-histoquímica. Testes como RT-QuIC no LCR oferecem alta acurácia e são menos invasivos, mas a biópsia permanece o padrão-ouro em casos duvidosos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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