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CID A84: Encefalite por vírus transmitido por carrapatos
A840
Encefalite da taiga [encefalite vernoestival russa]
A841
Encefalite da Europa Central transmitida por carrapatos
A848
Outras encefalites por vírus transmitidas por carrapatos
A849
Encefalite não especificada por vírus transmitida por carrapatos
Mais informações sobre o tema:
Definição
A encefalite viral transmitida por carrapatos é uma doença infecciosa aguda do sistema nervoso central, causada por vírus do gênero Flavivirus, transmitida principalmente pela picada de carrapatos infectados, como Ixodes ricinus e Ixodes persulcatus. A doença é endêmica em regiões florestais da Europa e Ásia, com incidência sazonal durante os meses quentes, quando os carrapatos estão ativos. A fisiopatologia envolve a replicação viral inicial no local da picada, seguida de disseminação hematogênica para o sistema nervoso central, onde causa inflamação meníngea e encefálica, levando a danos neuronais e manifestações neurológicas. O impacto clínico varia de infecções assintomáticas a quadros graves com sequelas neurológicas permanentes ou óbito, sendo uma causa significativa de morbidade em áreas endêmicas.
Descrição clínica
A encefalite viral transmitida por carrapatos apresenta um curso bifásico em muitos casos, iniciando com uma fase prodrômica de 2 a 7 dias, caracterizada por febre, cefaleia, mialgia e mal-estar, seguida por um período de remissão e depois uma segunda fase com envolvimento do sistema nervoso central, incluindo meningite, encefalite ou mielite. Os sintomas neurológicos podem incluir alterações do nível de consciência, convulsões, paralisias flácidas, tremores e déficits cognitivos. Em formas graves, pode evoluir para coma e óbito, especialmente em idosos ou imunocomprometidos.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável, desde infecções subclínicas até formas graves. Na fase inicial, sintomas inespecíficos como febre, fadiga, cefaleia e mialgia predominam. Na fase neurológica, observa-se meningite (cefaleia intensa, rigidez de nuca), encefalite (alteração do estado mental, convulsões, déficits focais) ou envolvimento medular (fraqueza muscular, paralisia). Em crianças, a doença tende a ser mais leve, enquanto adultos e idosos têm maior risco de sequelas, como deficits cognitivos, paralisia residual ou síndromes parkinsonianas.
Complicações possíveis
Sequela neurológica permanente
Inclui deficits cognitivos, paralisia, tremores ou ataxia, observados em até 50% dos casos graves.
Síndrome pós-encefalítica
Fadiga crônica, distúrbios do sono e alterações de humor persistentes após a fase aguda.
Morte
Ocorre em 1-2% dos casos, geralmente associada a encefalite grave ou complicações como edema cerebral.
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A doença é endêmica em regiões florestais da Europa Central, Oriental e Ásia, com incidência sazonal (primavera e verão). A taxa de incidência varia de 0,1 a 30 casos por 100.000 habitantes anualmente, dependendo da região. Grupos de risco incluem trabalhadores florestais, caminhantes e residentes em áreas rurais. A transmissão ocorre principalmente por picada de carrapatos, mas ingestão de leite não pasteurizado de animais infectados é uma via menos comum.
Prognóstico
O prognóstico é variável; formas leves podem resolver sem sequelas, enquanto casos graves têm alto risco de deficits neurológicos permanentes. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, comorbidades, atraso no diagnóstico e envolvimento do tronco cerebral. A mortalidade é de 1-2%, e até 50% dos sobreviventes podem apresentar sequelas a longo prazo.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. Critérios clínicos incluem febre e sinais de envolvimento do SNC (como alteração do nível de consciência ou sinais meníngeos) em indivíduos com história de exposição a áreas endêmicas. Confirmação laboratorial é feita pela detecção de IgM específica no líquor ou soro por ELISA, isolamento viral, ou PCR para RNA viral no líquor. A soroconversão ou aumento de quatro vezes no título de anticorpos em amostras pareadas também é diagnóstica.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Meningite bacteriana
Infecção bacteriana do SNC com início agudo, febre alta, rigidez de nuca e alteração do estado mental, diferenciada por exames de líquor com pleocitose neutrofílica e cultura positiva.
WHO. Meningitis Manual, 2021.
Encefalite por herpes simplex
Encefalite viral causada por HSV, frequentemente com envolvimento temporal, convulsões focais e alterações de comportamento, confirmada por PCR para HSV no líquor.
UpToDate. Herpes Simplex Encephalitis, 2023.
Doença de Lyme neurológica
Infecção por Borrelia burgdorferi transmitida por carrapatos, podendo causar meningite, radiculite ou paralisia facial, diferenciada por sorologia específica e resposta a antibióticos.
IDSA Guidelines for Lyme Disease, 2021.
Leptospirose com envolvimento neurológico
Infecção por Leptospira spp. que pode causar meningite ou encefalite, associada a exposição a água contaminada e sintomas sistêmicos como icterícia e insuficiência renal.
WHO. Leptospirosis Guidance, 2020.
Encefalite autoimune
Inflamação do SNC mediada por autoanticorpos, como anti-NMDA, com apresentação subaguda, distúrbios psiquiátricos e movimentos anormais, diferenciada por pesquisa de autoanticorpos no líquor e soro.
Lancet Neurology. Autoimmune Encephalitis, 2016.
Exames recomendados
Punção lombar com análise do líquor
Revela pleocitose linfocítica, proteína elevada e glicose normal, auxiliando no diagnóstico de meningoencefalite.
Avaliar inflamação do SNC e excluir outras causas.
Sorologia para TBEV (IgM e IgG)
Detecção de anticorpos específicos no soro e líquor por ELISA ou testes de neutralização.
Confirmar infecção atual ou recente por TBEV.
PCR para RNA viral no líquor
Amplificação de sequências virais para detecção direta do patógeno.
Diagnóstico precoce na fase aguda, antes da soroconversão.
Ressonância magnética cerebral
Pode mostrar alterações inflamatórias em tálamo, gânglios da base ou tronco cerebral.
Avaliar extensão das lesões e excluir outras patologias.
Eletroencefalograma
Pode evidenciar atividade epileptiforme ou lentificação difusa.
Avaliar atividade cerebral e detectar convulsões subclínicas.
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Aplicação de DEET ou icaridina na pele e uso de roupas de mangas compridas em áreas de risco.
Inspeção corporal após exposição
Remoção precoce de carrapatos para reduzir o risco de transmissão.
Evitar consumo de leite não pasteurizado
Prevenção da transmissão oral do vírus.
Vigilância e notificação
A encefalite viral transmitida por carrapatos é de notificação compulsória em muitos países endêmicos, incluindo Brasil para casos importados. A vigilância envolve monitoramento de casos, controle de vetores e educação pública sobre medidas preventivas. Em áreas de risco, recomenda-se a notificação imediata às autoridades de saúde para implementação de medidas de controle.
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O período de incubação varia de 7 a 14 dias após a picada do carrapato infectado.
Sim, a vacina inativada tem eficácia superior a 95% na prevenção da doença quando administrada no esquema completo.
Não, o tratamento é principalmente de suporte, pois não há antivirais específicos aprovados; o manejo foca no controle de sintomas e complicações.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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