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CID A86: Encefalite viral, não especificada

A86
Encefalite viral, não especificada

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Definição

A encefalite viral, não especificada, refere-se a uma inflamação aguda do parênquima cerebral causada por infecção viral, sem identificação do agente etiológico específico. Esta condição é caracterizada por disfunção neurológica difusa ou focal, resultando em alterações do estado mental, déficits motores ou sensitivos, e frequentemente associada a sinais de irritação meníngea. A fisiopatologia envolve invasão viral direta do sistema nervoso central, desencadeando resposta imune inflamatória com edema cerebral, necrose neuronal e possíveis sequelas neurológicas. Epidemiologicamente, é uma causa significativa de morbimortalidade em todas as idades, com incidência variável conforme região e sazonalidade, sendo mais comum em crianças e idosos. O impacto clínico inclui desde casos leves e autolimitados até formas graves com risco de vida, exigindo diagnóstico precoce e manejo intensivo.

Descrição clínica

A encefalite viral apresenta-se como uma síndrome neurológica aguda com início súbito ou subagudo de febre, cefaleia, alterações do comportamento, confusão mental, letargia ou coma. Sinais focais como convulsões, paresias, afasia e distúrbios sensoriais são comuns. Pode haver associação com sintomas sistêmicos como mialgia, artralgia e exantemas, dependendo do vírus envolvido. O exame neurológico frequentemente revela rigidez de nuca, hiperreflexia, sinais piramidais e alterações no nível de consciência. A evolução é variável, podendo progredir para edema cerebral, herniação e óbito se não tratada adequadamente.

Quadro clínico

O quadro clínico é caracterizado por início agudo de febre, cefaleia intensa, náuseas, vômitos e fotofobia, evoluindo para alterações do estado mental como confusão, agitação, letargia ou coma. Sinais neurológicos focais incluem convulsões (focais ou generalizadas), hemiparesia, afasia, ataxia e distúrbios visuais. Sintomas meníngeos como rigidez de nuca e sinal de Kernig positivo são frequentes. Em crianças, pode manifestar-se com irritabilidade, choro persistente e recusa alimentar. A evolução pode ser rápida, com piora em horas a dias, necessitando de intervenção urgente.

Complicações possíveis

Edema cerebral e herniação

Aumento da pressão intracraniana levando a deslocamento de estruturas cerebrais, com risco de parada cardiorrespiratória.

Estado de mal epiléptico

Convulsões prolongadas ou recorrentes sem recuperação completa, causando dano neuronal adicional.

Sequela neurológica permanente

Déficits cognitivos, motores ou sensitivos residuais, como demência, hemiparesia ou afasia.

Síndrome de disfunção autonômica

Distúrbios no controle cardiovascular, térmico ou gastrointestinal devido a lesão de vias autonômicas.

Epidemiologia

A encefalite viral tem incidência global estimada em 1-7 casos por 100.000 pessoas/ano, com variações regionais e sazonais. Arbovírus predominam em áreas tropicais, enquanto herpesvírus são comuns mundialmente. Crianças 65 anos têm maior risco. No Brasil, surtos relacionados a dengue e outras arboviroses são frequentes, com subnotificação comum.

Prognóstico

O prognóstico é variável, dependendo do agente viral, idade do paciente, comorbidades e rapidez do tratamento. Mortalidade pode chegar a 10-20% em casos não tratados, com sequelas neurológicas em até 50% dos sobreviventes. Fatores de bom prognóstico incluem início precoce de antivirais, ausência de coma e agentes menos virulentos. Reabilitação precoce pode melhorar desfechos funcionais.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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