O CID é a base para registros clínicos, laudos e faturamento. Nosso sistema facilita a busca rápida e precisa do código certo, com sinônimos e filtros médicos atualizados.
Escolher o CID correto evita glosas e retrabalho. Com a nossa ferramenta, você encontra o código ideal em segundos, direto pela descrição clínica — sem abrir PDF ou manual extenso.
Use nosso buscador inteligente para encontrar o CID mais adequado com base no termo clínico, especialidade ou condição do paciente. Tudo validado com a CID-10 da OMS e atualizações nacionais.
CID A86: Encefalite viral, não especificada
A86
Encefalite viral, não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A encefalite viral, não especificada, refere-se a uma inflamação aguda do parênquima cerebral causada por infecção viral, sem identificação do agente etiológico específico. Esta condição é caracterizada por disfunção neurológica difusa ou focal, resultando em alterações do estado mental, déficits motores ou sensitivos, e frequentemente associada a sinais de irritação meníngea. A fisiopatologia envolve invasão viral direta do sistema nervoso central, desencadeando resposta imune inflamatória com edema cerebral, necrose neuronal e possíveis sequelas neurológicas. Epidemiologicamente, é uma causa significativa de morbimortalidade em todas as idades, com incidência variável conforme região e sazonalidade, sendo mais comum em crianças e idosos. O impacto clínico inclui desde casos leves e autolimitados até formas graves com risco de vida, exigindo diagnóstico precoce e manejo intensivo.
Descrição clínica
A encefalite viral apresenta-se como uma síndrome neurológica aguda com início súbito ou subagudo de febre, cefaleia, alterações do comportamento, confusão mental, letargia ou coma. Sinais focais como convulsões, paresias, afasia e distúrbios sensoriais são comuns. Pode haver associação com sintomas sistêmicos como mialgia, artralgia e exantemas, dependendo do vírus envolvido. O exame neurológico frequentemente revela rigidez de nuca, hiperreflexia, sinais piramidais e alterações no nível de consciência. A evolução é variável, podendo progredir para edema cerebral, herniação e óbito se não tratada adequadamente.
Quadro clínico
O quadro clínico é caracterizado por início agudo de febre, cefaleia intensa, náuseas, vômitos e fotofobia, evoluindo para alterações do estado mental como confusão, agitação, letargia ou coma. Sinais neurológicos focais incluem convulsões (focais ou generalizadas), hemiparesia, afasia, ataxia e distúrbios visuais. Sintomas meníngeos como rigidez de nuca e sinal de Kernig positivo são frequentes. Em crianças, pode manifestar-se com irritabilidade, choro persistente e recusa alimentar. A evolução pode ser rápida, com piora em horas a dias, necessitando de intervenção urgente.
Complicações possíveis
Edema cerebral e herniação
Aumento da pressão intracraniana levando a deslocamento de estruturas cerebrais, com risco de parada cardiorrespiratória.
Estado de mal epiléptico
Convulsões prolongadas ou recorrentes sem recuperação completa, causando dano neuronal adicional.
Sequela neurológica permanente
Déficits cognitivos, motores ou sensitivos residuais, como demência, hemiparesia ou afasia.
Síndrome de disfunção autonômica
Distúrbios no controle cardiovascular, térmico ou gastrointestinal devido a lesão de vias autonômicas.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
A encefalite viral tem incidência global estimada em 1-7 casos por 100.000 pessoas/ano, com variações regionais e sazonais. Arbovírus predominam em áreas tropicais, enquanto herpesvírus são comuns mundialmente. Crianças 65 anos têm maior risco. No Brasil, surtos relacionados a dengue e outras arboviroses são frequentes, com subnotificação comum.
Prognóstico
O prognóstico é variável, dependendo do agente viral, idade do paciente, comorbidades e rapidez do tratamento. Mortalidade pode chegar a 10-20% em casos não tratados, com sequelas neurológicas em até 50% dos sobreviventes. Fatores de bom prognóstico incluem início precoce de antivirais, ausência de coma e agentes menos virulentos. Reabilitação precoce pode melhorar desfechos funcionais.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e de imagem. Critérios clínicos incluem febre ≥38°C, alteração aguda do estado mental (confusão, letargia, coma) por ≥24h, e evidência de envolvimento cerebral (convulsões, deficits focais, EEG anormal). Confirmação laboratorial requer detecção de ácido nucleico viral no LCR por PCR, sorologia intratecal ou isolamento viral. Neuroimagem (TC ou RM) mostra alterações sugestivas como edema, realce meníngeo ou lesões parenquimatosas. Exclusão de outras causas é essencial.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Meningite bacteriana
Inflamação das meninges por bactérias, com LCR mostrando pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e elevada proteína, diferindo da encefalite viral que tem predomínio linfocítico.
WHO. Meningitis Manual, 2021.
Encefalite autoimune
Inflamação cerebral mediada por autoanticorpos, como anti-NMDA, com apresentação subaguda, psiquiátrica proeminente e resposta a imunoterapia.
Graus F, et al. Lancet Neurol, 2016.
Abscesso cerebral
Coleção purulenta no parênquima cerebral, com febre, cefaleia e deficits focais, mas neuroimagem mostra lesão encapsulada com realce anelar.
Brouwer MC, et al. Clin Microbiol Rev, 2014.
Acidente vascular cerebral isquêmico
Déficit neurológico focal agudo sem febre proeminente, com imagem mostrando infarto em território vascular específico.
Powers WJ, et al. Stroke, 2019.
Encefalopatia metabólica
Alteração do estado mental devido a distúrbios sistêmicos (ex.: hipoglicemia, uremia), sem evidência inflamatória no LCR ou neuroimagem.
Wijdicks EFM. Neurocrit Care, 2014.
Exames recomendados
Punção lombar com análise do LCR
Coleta de líquido cefalorraquidiano para análise de celularidade, bioquímica e PCR viral.
Detectar pleocitose linfocítica, elevação de proteína, e identificar agente viral para confirmação diagnóstica.
Ressonância magnética cerebral
Imagem de alta resolução do encéfalo com sequências T1, T2, FLAIR e difusão.
Identificar edema, realce contrastante, lesões parenquimatosas ou sinais de herniação, auxiliando no diagnóstico diferencial e avaliação de complicações.
Eletroencefalograma
Registro da atividade elétrica cerebral.
Detectar alterações difusas ou focais, como atividade epileptiforme ou lentificação, sugestivas de encefalite e guiando manejo de convulsões.
Sorologia viral no soro e LCR
Dosagem de anticorpos IgM e IgG específicos para vírus suspeitos.
Identificar infecção aguda ou recente, especialmente para arbovírus ou quando PCR não está disponível.
Hemograma e provas de função hepática
Exames sanguíneos para avaliar parâmetros gerais e descartar causas sistêmicas.
Detectar leucocitose, trombocitopenia ou alterações hepáticas que possam sugerir infecções associadas.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Uso de repelentes, mosquiteiros e eliminação de criadouros para prevenir arboviroses.
Higiene das mãos
Lavagem frequente para reduzir transmissão de enterovírus e outros agentes.
Isolamento de casos
Precauções de contato e gotículas em pacientes com suspeita de infecções transmissíveis.
Vigilância e notificação
A encefalite viral é de notificação compulsória no Brasil, conforme Portaria MS nº 204/2016. Deve ser notificada imediatamente ao sistema de vigilância epidemiológica local, com coleta de dados clínicos e laboratoriais para investigação de surtos e medidas de controle. Agentes notificadores incluem médicos e serviços de saúde.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
A encefalite viral envolve inflamação do parênquima cerebral, com alterações do estado mental e deficits focais, enquanto a meningite viral afeta principalmente as meninges, com sintomas como cefaleia, febre e rigidez de nuca, mas sem disfunção cerebral proeminente. Ambas podem coexistir (meningoencefalite).
Não, o aciclovir é específico para herpesvírus (HSV, VZV). Para outros vírus como arbovírus ou enterovírus, o tratamento é suporte, pois não há antivirais específicos amplamente eficazes.
Internação em UTI é indicada para pacientes com coma, convulsões refratárias, edema cerebral, necessidade de ventilação mecânica ou instabilidade hemodinâmica, visando monitorização intensiva e suporte avançado.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...