Redação Sanar
CID A80: Poliomielite aguda
A800
Poliomielite paralítica aguda, associada ao vírus vacinal
A801
Poliomielite paralítica aguda, vírus selvagem importado
A802
Poliomielite paralítica aguda, vírus selvagem indígena
A803
Poliomielites paralíticas agudas, outras e não especificadas
A804
Poliomielite aguda não-paralítica
A809
Poliomielite aguda não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A poliomielite aguda é uma doença infecciosa viral aguda causada pelo poliovírus (enterovírus da família Picornaviridae), caracterizada por um amplo espectro clínico que varia desde infecções assintomáticas até formas paralíticas graves. A patogênese envolve a replicação viral inicial no trato gastrointestinal, seguida por disseminação hematogênica e possível invasão do sistema nervoso central, onde a destruição seletiva de neurônios motores no corno anterior da medula espinhal e tronco encefálico resulta em paralisia flácida assimétrica. A doença tem um impacto clínico significativo, com sequelas permanentes como atrofia muscular e deformidades esqueléticas nas formas paralíticas, e historicamente representou uma das principais causas de incapacidade física em crianças. Epidemiologicamente, a poliomielite é altamente contagiosa, transmitida principalmente via fecal-oral, e embora a incidência tenha sido drasticamente reduzida globalmente devido às campanhas de vacinação, surtos persistem em regiões endêmicas, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) liderando esforços para a erradicação global.
Descrição clínica
A poliomielite aguda manifesta-se em três formas principais: abortiva (leve, com sintomas inespecíficos como febre, cefaleia e mal-estar), não paralítica (com meningite asséptica e rigidez de nuca) e paralítica (caracterizada por paralisia flácida aguda, assimétrica e frequentemente assimétrica, que pode progredir rapidamente). A forma paralítica é a mais grave, podendo envolver os membros, músculos respiratórios (levando à insuficiência respiratória) e bulbo, com início agudo após um período prodrômico. O curso clínico é bifásico em alguns casos, com uma fase prodrômica seguida por um intervalo assintomático antes do desenvolvimento de paralisia. A recuperação pode ser completa ou parcial, com sequelas residuais como atrofia muscular e contraturas.
Quadro clínico
O quadro clínico da poliomielite aguda varia desde infecções assintomáticas (cerca de 90-95% dos casos) até formas sintomáticas. Na forma abortiva, os sintomas incluem febre, faringite, mal-estar, cefaleia, náuseas e vômitos, durando 1-3 dias. A forma não paralítica apresenta esses sintomas prodrômicos seguidos por meningite asséptica, com rigidez de nuca, dor nas costas e espasmos musculares. A forma paralítica caracteriza-se por paralisia flácida aguda, tipicamente assimétrica, que se desenvolve em horas a dias, afetando mais comumente os membros inferiores, mas podendo envolver tronco, diafragma e músculos bulbares (dificuldade de deglutição e fala). Sinais incluem fraqueza muscular, reflexos profundos diminuídos ou ausentes, e em casos graves, insuficiência respiratória. O período de incubação é de 3 a 35 dias, com média de 7 a 14 dias.
Complicações possíveis
Paralisia residual permanente
Atrofia muscular, contraturas articulares e deformidades esqueléticas devido à perda irreversível de neurônios motores.
Insuficiência respiratória
Comprometimento de músculos respiratórios (ex.: diafragma) ou bulbo, necessitando de suporte ventilatório.
Síndrome pós-pólio
Aparecimento tardio de novos sintomas como fadiga, dor muscular e fraqueza progressiva, anos após a infecção aguda.
Disfagia e aspiração
Dificuldade de deglutição devido ao envolvimento bulbar, levando a pneumonia por aspiração.
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Epidemiologia
A poliomielite é uma doença de notificação compulsória, com transmissão fecal-oral predominante em condições de saneamento inadequado. Historicamente endêmica globalmente, a incidência diminuiu drasticamente com a vacinação, mas surtos persistem em países como Afeganistão e Paquistão. Dados da OMS indicam que casos selvagens são raros, com a maioria dos surtos relacionados a poliovírus derivado de vacina (cVDPV). Grupos de risco incluem crianças não vacinadas, imunossuprimidos e viajantes para áreas endêmicas. A erradicação global é uma meta da OMS, com vigilância ativa de paralisia flácida aguda.
Prognóstico
O prognóstico da poliomielite aguda depende da forma clínica: as formas abortiva e não paralítica têm recuperação completa, enquanto a forma paralítica pode resultar em sequelas permanentes em até 5-10% dos casos paralíticos, com mortalidade de 2-5% em casos não tratados, principalmente por insuficiência respiratória. A recuperação motora ocorre nos primeiros 6 meses, mas déficits residuais são comuns. Fatores de bom prognóstico incluem idade mais avançada, envolvimento limitado e tratamento de suporte precoce. A vigilância e vacinação melhoram os desfechos populacionais.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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