Redação Sanar
CID A82: Raiva
A820
Raiva silvestre
A821
Raiva urbana
A829
Raiva não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A raiva é uma doença infecciosa viral aguda, de notificação compulsória, que afeta o sistema nervoso central de mamíferos, incluindo humanos. É causada pelo vírus da raiva, um Lyssavirus da família Rhabdoviridae, transmitido principalmente pela mordida ou arranhadura de animais infectados, com destaque para cães, morcegos e outros carnívoros. A doença é caracterizada por uma encefalomielite progressiva e quase invariavelmente fatal após o início dos sintomas, devido à alta neurotropismo do vírus, que se replica no tecido muscular e se propaga via axonal retrógrada para o sistema nervoso central. A raiva possui distribuição global, com maior incidência em regiões tropicais e subtropicais, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal animal, representando um significativo problema de saúde pública pela sua letalidade e potencial de transmissão zoonótica.
Descrição clínica
A raiva apresenta um curso clínico bifásico, iniciando com uma fase prodrômica inespecífica, seguida por uma fase neurológica aguda. A fase prodrômica dura de 2 a 10 dias, com sintomas como mal-estar, febre, cefaleia, anorexia, náuseas e parestesias ou dor no local da inoculação. A fase neurológica pode manifestar-se como raiva furiosa (mais comum, com hiperexcitabilidade, hidrofobia, aerofobia, alucinações e agitação) ou raiva paralítica (forma menos comum, com paralisia flácida ascendente semelhante à síndrome de Guillain-Barré). A evolução é rápida, levando ao coma e morte por parada respiratória em média 7 a 10 dias após o início dos sintomas, com taxa de letalidade próxima a 100%.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui fase prodrômica com sintomas inespecíficos (febre, cefaleia, mal-estar) e parestesias no local da mordida, seguida por fase neurológica com duas formas principais: raiva furiosa (agitação, ansiedade, confusão, hidrofobia, aerofobia, hiper-salivação, espasmos musculares) e raiva paralítica (fraqueza muscular progressiva, paralisia flácida, perda de reflexos). Sinais autonômicos como hipo ou hipertensão, arritmias e priapismo podem ocorrer. A progressão para coma e morte é inevitável sem intervenção precoce.
Complicações possíveis
Parada respiratória
Devido a envolvimento bulbar ou disautonomia, levando a insuficiência respiratória aguda e necessidade de ventilação mecânica.
Arritmias cardíacas
Taquicardia, bradicardia ou parada cardíaca por disfunção autonômica, contribuindo para a mortalidade.
Coma e morte
Progressão inevitável para coma profundo e óbito, geralmente em dias, com letalidade próxima a 100% após início dos sintomas.
Sequelas neurológicas em sobreviventes raros
Em casos excepcionais com intervenção precoce, podem ocorrer deficits cognitivos, motores ou autonômicos permanentes.
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Epidemiologia
A raiva é endêmica em mais de 150 países, com cerca de 59.000 mortes humanas anuais globalmente, a maioria na Ásia e África. No Brasil, a transmissão urbana por cães foi controlada, mas persiste a variante silvestre, especialmente por morcegos. Grupos de risco incluem crianças, residentes rurais e profissionais com exposição animal. A incidência é maior em áreas com baixa cobertura vacinal animal e acesso limitado a cuidados de saúde.
Prognóstico
O prognóstico da raiva é extremamente grave, com taxa de letalidade virtualmente de 100% uma vez que os sintomas neurológicos se manifestam. A sobrevida é rara e associada a intervenções agressivas precoces, como o protocolo de Milwaukee (indução de coma e antivirais), mas a maioria dos casos evolui para óbito em 7 a 10 dias. O prognóstico é favorável apenas se a profilaxia pós-exposição for instituída adequadamente antes do início dos sintomas.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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