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CID A24: Mormo e melioidose
A240
Mormo
A241
Melioidose aguda e fulminante
A242
Melioidose subaguda e crônica
A243
Outras melioidoses
A244
Melioidose não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
O mormo e a melioidose são doenças infecciosas bacterianas causadas por Burkholderia mallei e Burkholderia pseudomallei, respectivamente, pertencentes ao gênero Burkholderia. Ambas são zoonoses, com o mormo afetando principalmente equídeos (como cavalos, burros e mulas) e podendo ser transmitida a humanos, enquanto a melioidose tem um reservatório ambiental em solos e águas de regiões tropicais e subtropicais, afetando humanos e animais. A fisiopatologia envolve a invasão bacteriana por meio de inalação, ingestão ou contato com pele lesionada, seguida de disseminação hematogênica, formação de abscessos em múltiplos órgãos e resposta inflamatória sistêmica, podendo evoluir para sepse. Epidemiologicamente, o mormo é raro em humanos, com casos associados a exposição ocupacional a animais infectados, e a melioidose é endêmica no Sudeste Asiático e norte da Austrália, com incidência aumentada em períodos chuvosos, representando uma causa significativa de morbimortalidade em áreas endêmicas.
Descrição clínica
O mormo em humanos manifesta-se de forma aguda ou crônica, com febre, calafrios, mialgia, linfadenopatia e formação de úlceras cutâneas ou abscessos nos pulmões, fígado e baço. A forma aguda pode progredir rapidamente para pneumonia necrotizante, sepse e óbito. A melioidose apresenta um espectro clínico variado, desde infecções localizadas (como celulite, abscessos cutâneos ou pneumonia) até formas disseminadas com septicemia, envolvendo múltiplos órgãos como pulmões, fígado, baço e rins. Os sintomas comuns incluem febre alta, tosse produtiva, dor torácica, dispneia, hepatomegalia, esplenomegalia e, em casos graves, choque séptico. Ambas as doenças podem ter períodos de latência prolongados, especialmente na melioidose, onde a reativação pode ocorrer anos após a exposição inicial.
Quadro clínico
No mormo, o quadro agudo inclui início súbito de febre alta, calafrios, sudorese, cefaleia, mialgia e artralgia, com desenvolvimento de pústulas ou úlceras cutâneas que evoluem para abscessos subcutâneos e linfadenopatia regional. O envolvimento pulmonar manifesta-se com tosse, dor torácica, dispneia e escarro purulento ou hemoptóico. Na forma crônica, observam-se abscessos múltiplos em pele, músculos e órgãos internos, com evolução arrastada. Na melioidose, a apresentação varia de infecção localizada (ex.: celulite, abscessos cutâneos, pneumonia com infiltrados nodulares ou cavitários) a septicemia fulminante com febre, taquicardia, hipotensão, insuficiência respiratória e disfunção orgânica múltipla. Sintomas inespecíficos como anorexia, perda de peso e fadiga são comuns, e abscessos viscerais podem ser assintomáticos inicialmente.
Complicações possíveis
Sepse e choque séptico
Complicação grave com disfunção orgânica múltipla, hipotensão refratária e alto risco de óbito, especialmente em formas disseminadas.
Abscessos viscerais
Formação de coleções purulentas em fígado, baço, rins ou pulmões, podendo requerer drenagem cirúrgica e prolongar o tratamento.
Pneumonia necrotizante
Destruição tecidual pulmonar com cavitação, levando a insuficiência respiratória e necessidade de suporte ventilatório.
Osteomielite ou artrite séptica
Envolvimento ósseo ou articular, resultando em dor crônica, deformidades e limitação funcional.
Recidiva ou infecção crônica
Persistência bacteriana ou reativação após tratamento inadequado, comum na melioidose, necessitando terapia prolongada.
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O mormo é raro em humanos, com casos esporádicos relatados em profissionais que lidam com equídeos (veterinários, tratadores) em regiões como Ásia, África e Oriente Médio; é considerada uma doença reemergente. A melioidose é endêmica no Sudeste Asiático (ex.: Tailândia, Malásia), norte da Austrália e partes da América do Sul e Central, com incidência anual estimada em até 50 casos/100.000 habitantes em áreas de alto risco. A transmissão está associada a exposição ambiental durante períodos chuvosos, e grupos de risco incluem agricultores, diabéticos e imunocomprometidos. No Brasil, a melioidose é esporádica, com casos notificados principalmente na região Norte.
Prognóstico
O prognóstico do mormo e melioidose depende da precocidade do diagnóstico, adequação do tratamento e presença de comorbidades. Na melioidose, a mortalidade sem tratamento pode exceder 40%, reduzindo para 10-20% com terapia apropriada, mas recidivas são frequentes (até 10-20% dos casos). O mormo tem alta letalidade em formas agudas não tratadas. Fatores de mau prognóstico incluem septicemia, idade avançada, diabetes mellitus, imunossupressão e atraso no início da antibioticoterapia. O seguimento a longo prazo é essencial para detectar recidivas.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na suspeita clínico-epidemiológica (exposição em área endêmica ou a equídeos), combinada com confirmação laboratorial. Critérios incluem: isolamento de Burkholderia mallei ou Burkholderia pseudomallei em culturas de sangue, escarro, pus ou tecidos; sorologia positiva por teste de fixação de complemento, ELISA ou hemaglutinação indireta (com titulação significativa); e métodos moleculares como PCR para detecção de DNA bacteriano. Na melioidose, a cultura é o padrão-ouro, com meios seletivos como ágar Ashdown. Imagens como radiografia ou TC de tórax podem mostrar infiltrados, consolidações ou abscessos. A confirmação é essencial devido à similaridade com outras infecções.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Tuberculose
Doença infecciosa causada por Mycobacterium tuberculosis, com apresentação pulmonar crônica, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento, podendo ser confundida com formas crônicas de mormo ou melioidose devido a abscessos e envolvimento pulmonar.
WHO. Global tuberculosis report 2023.
Febre tifoide
Infecção sistêmica por Salmonella Typhi, caracterizada por febre contínua, dor abdominal, bradicardia relativa e roseolas, semelhante à fase inicial da melioidose septicêmica.
Infecção pulmonar por patógenos como Streptococcus pneumoniae ou Legionella, com tosse, febre e consolidação radiológica, diferenciada por culturas e epidemiologia.
IDSA/ATS Guidelines for CAP in Adults. Clin Infect Dis. 2019.
Sepse por outros patógenos gram-negativos
Infecções por bactérias como Escherichia coli ou Klebsiella pneumoniae, com quadro séptico indistinguível clinicamente, requerendo identificação microbiológica.
Singer M, et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016.
Doença de arranhadura do gato
Infecção por Bartonella henselae, com linfadenopatia regional e febre, podendo mimetizar formas localizadas de mormo.
Nelson CA, et al. Cat-Scratch Disease in the United States, 2005-2013. Emerg Infect Dis. 2016.
Exames recomendados
Hemograma completo
Pode mostrar leucocitose com desvio à esquerda, anemia ou trombocitopenia, indicando processo infeccioso sistêmico.
Avaliar resposta inflamatória e complicações hematológicas.
Cultura microbiológica
Cultura de sangue, escarro, pus ou aspirado de abscessos em meios específicos (ex.: ágar Ashdown para B. pseudomallei) para isolamento e identificação bacteriana.
Confirmação diagnóstica e teste de sensibilidade antimicrobiana.
Sorologia
Testes como ELISA ou fixação de complemento para detecção de anticorpos contra B. mallei ou B. pseudomallei, útil em casos suspeitos com culturas negativas.
Apoio diagnóstico em contextos epidemiológicos apropriados.
PCR em tempo real
Detecção de DNA bacteriano em amostras clínicas, oferecendo alta sensibilidade e especificidade para identificação rápida.
Diagnóstico molecular precoce, especialmente em culturas demoradas.
Imagem de tórax (radiografia ou TC)
Pode revelar infiltrados nodulares, consolidações, cavitações ou abscessos pulmonares, comuns na melioidose e mormo pulmonar.
Avaliar extensão pulmonar e guiar manejo.
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Luvas, botas e máscaras para profissionais expostos a animais ou solos em áreas endêmicas, reduzindo risco de inoculação percutânea ou inalação.
Evitar contato com águas paradas
Recomendação em regiões endêmicas de melioidose para minimizar exposição a fontes ambientais contaminadas.
Controle veterinário
Inspeção e quarentena de equídeos para prevenir disseminação do mormo, com eutanásia de animais infectados.
Educação em saúde
Campanhas para conscientizar populações de risco sobre modos de transmissão e sintomas, promovendo busca precoce por atendimento.
Vigilância e notificação
O mormo e a melioidose são doenças de notificação compulsória em muitos países, incluindo o Brasil, devido ao potencial epidemiológico e de bioterrorismo. Profissionais de saúde devem notificar casos suspeitos ou confirmados às autoridades sanitárias locais (ex.: Secretarias de Saúde) imediatamente. A vigilância envolve monitoramento de surtos, investigação de fontes de infecção (ex.: animais ou ambientes contaminados) e medidas de controle, como quarentena de equídeos no mormo. Laboratórios de referência realizam confirmação e tipagem bacteriana. Em áreas endêmicas, a educação sobre práticas preventivas é prioritária.
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O período de incubação da melioidose varia de 1 a 21 dias (média de 9 dias) para formas agudas, mas pode ser prolongado por anos em casos latentes, com reativação em condições de imunossupressão.
A transmissão inter-humana do mormo é extremamente rara, ocorrendo principalmente por contato direto com secreções infectadas; a via mais comum é a zoonótica, a partir de equídeos.
Os principais fatores de risco incluem diabetes mellitus, doença renal crônica, alcoolismo, imunossupressão (ex.: por corticoides ou HIV), e exposição ocupacional ou ambiental a solos e águas em regiões endêmicas.
O diagnóstico diferencial baseia-se na epidemiologia (exposição a equídeos para mormo, ambiental para melioidose), características clínicas e confirmação laboratorial por cultura ou PCR, que distinguem Burkholderia mallei de B. pseudomallei.
O tratamento para melioidose envolve uma fase intensiva intravenosa com ceftazidima ou meropeném por pelo menos 10-14 dias, seguida de fase de erradicação oral com trimetoprima-sulfametoxazol por 3-6 meses, para prevenir recidivas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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