CID A23: Brucelose
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Definição
A brucelose é uma zoonose bacteriana sistêmica causada por bactérias do gênero Brucella, caracterizada por um amplo espectro de manifestações clínicas, desde formas assintomáticas até quadros graves com envolvimento multissistêmico. A doença é transmitida ao homem principalmente pelo contato direto com animais infectados ou consumo de produtos de origem animal contaminados, como leite não pasteurizado e derivados. A fisiopatologia envolve a invasão bacteriana através de mucosas ou pele lesada, seguida de disseminação hematogênica e localização intracelular facultativa em células do sistema fagocítico mononuclear, como macrófagos, onde as bactérias podem persistir por longos períodos, levando a um curso clínico frequentemente crônico e recorrente. Epidemiologicamente, a brucelose é endêmica em regiões com práticas inadequadas de controle veterinário, como o Mediterrâneo, Oriente Médio, Ásia e partes da América Latina, com incidência variável conforme a exposição ocupacional e hábitos alimentares.
Descrição clínica
A brucelose apresenta um quadro clínico polimórfico, podendo ser aguda, subaguda ou crônica. A forma aguda geralmente se manifesta com febre ondulante (característica, mas não sempre presente), sudorese profusa, astenia, cefaleia, mialgias, artralgias e hepatoesplenomegalia. A forma subaguda e crônica pode cursar com sintomas inespecíficos como fadiga, depressão e dor osteoarticular persistente, com possibilidade de complicações focais como espondilite, artrite séptica, orquite, endocardite e neurobrucelose. O diagnóstico é desafiador devido à semelhança com outras doenças febris, exigindo alta suspeição clínica baseada na história epidemiológica.
Quadro clínico
O quadro clínico varia desde infecções assintomáticas até formas graves. Na apresentação aguda (sintomas com menos de 8 semanas), predominam febre (frequentemente ondulante, com picos vespertinos), calafrios, sudorese, astenia, anorexia, perda de peso, cefaleia, mialgias, artralgias e lombalgia. Sinais físicos comuns incluem hepatoesplenomegalia, linfadenopatia e, menos frequentemente, manifestações cutâneas. Formas crônicas (sintomas por mais de 12 meses) podem apresentar fadiga crônica, sintomas depressivos, dor osteoarticular persistente e complicações focais como espondilite (especialmente vertebral lombar), artrite periférica, orquite, epididimite, endocardite (principal causa de mortalidade), neurobrucelose (meningite, encefalite) e abscessos viscerais.
Complicações possíveis
Endocardite
Infecção das válvulas cardíacas, mais comum em válvula aórtica, com alto risco de insuficiência cardíaca e mortalidade se não tratada.
Neurobrucelose
Envolvimento do sistema nervoso central, incluindo meningite, encefalite, mielite ou abscessos, com sequelas neurológicas permanentes.
Osteoarticular
Espondilite (especialmente vertebral lombar), sacroileíte, artrite periférica e osteomielite, levando a dor crônica e limitação funcional.
Hepatoesplenomegalia com abscessos
Aumento de fígado e baço com formação de abscessos, podendo requerer drenagem cirúrgica.
Orquite e epididimite
Inflamação testicular e do epidídimo, causando dor e infertilidade em casos graves.
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Epidemiologia
A brucelose é uma das zoonoses mais comuns globalmente, com estimativa de 500.000 novos casos humanos anuais, mas subnotificação é frequente. É endêmica em regiões do Mediterrâneo, Oriente Médio, Ásia Central, América Latina e partes da África. No Brasil, a incidência é baixa e esporádica, com surtos relacionados a consumo de queijos artesanais não pasteurizados. Grupos de risco incluem trabalhadores rurais, veterinários, matadouros e consumidores de laticínios não pasteurizados. A transmissão ocorre por contato direto com animais infectados (ex.: bovinos, caprinos, suínos) ou ingestão de produtos contaminados; a transmissão inter-humana é rara.
Prognóstico
O prognóstico da brucelose é geralmente bom com tratamento antibiótico adequado e precoce, com taxas de cura superiores a 90% em formas não complicadas. No entanto, formas crônicas ou com complicações (ex.: endocardite, neurobrucelose) têm maior morbidade e mortalidade (até 5% em endocardite). Fatores de mau prognóstico incluem diagnóstico tardio, tratamento inadequado, comorbidades e desenvolvimento de complicações focais. Recidivas podem ocorrer em 5-10% dos casos, frequentemente devido à terapia insuficiente ou persistência bacteriana.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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