O CID é a base para registros clínicos, laudos e faturamento. Nosso sistema facilita a busca rápida e precisa do código certo, com sinônimos e filtros médicos atualizados.
Escolher o CID correto evita glosas e retrabalho. Com a nossa ferramenta, você encontra o código ideal em segundos, direto pela descrição clínica — sem abrir PDF ou manual extenso.
Use nosso buscador inteligente para encontrar o CID mais adequado com base no termo clínico, especialidade ou condição do paciente. Tudo validado com a CID-10 da OMS e atualizações nacionais.
CID A26: Erisipelóide
A260
Erisipelóide cutâneo
A267
Septicemia por Erysipelothrix
A268
Outras formas de erisipelóide
A269
Erisipelóide não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
A erisipelóide é uma infecção bacteriana aguda da pele causada pela bactéria Erysipelothrix rhusiopathiae, um bacilo Gram-positivo, não formador de esporos e catalase-negativo. A doença é caracterizada por lesões cutâneas localizadas, tipicamente eritematosas e edemaciadas, que evoluem de forma centrífuga, acometendo predominantemente as mãos e dedos, comumente associada a exposição ocupacional a animais, produtos animais ou solo contaminado. A infecção é considerada uma zoonose, com reservatórios em suínos, peixes, aves e outros animais, e sua incidência é mais alta em trabalhadores rurais, veterinários, açougueiros e pescadores. Embora geralmente autolimitada, a erisipelóide pode raramente evoluir para formas sistêmicas, como endocardite ou artrite, exigindo intervenção antimicrobiana para prevenção de complicações.
Descrição clínica
A erisipelóide manifesta-se clinicamente como uma infecção cutânea localizada, com início 2 a 7 dias após a inoculação da bactéria através de feridas ou abrasões na pele. A lesão típica é uma placa eritematosa, violácea ou púrpura, bem demarcada, com bordas elevadas e centro mais pálido, acompanhada de edema, calor local e dor leve a moderada. A evolução é centrífuga, podendo formar anéis concêntricos, e raramente há formação de vesículas ou ulceração. A infecção é geralmente não supurativa e afeta principalmente os dedos, mãos ou antebraços. Em casos raros, pode ocorrer linfangite ou linfadenopatia regional. A forma cutânea localizada é autolimitada em 2 a 4 semanas, mas a disseminação hematogênica pode levar a complicações sistêmicas.
Quadro clínico
O quadro clínico da erisipelóide é dominado pela forma cutânea localizada, com lesão eritematosa, edemaciada e dolorosa, evoluindo em padrão centrífugo, frequentemente em dedos ou mãos. Sintomas sistêmicos como febre baixa, mal-estar e artralgias são incomuns na forma localizada. Em casos de disseminação, podem ocorrer febre alta, calafrios, endocardite (com sopros cardíacos e insuficiência cardíaca), artrite séptica (com dor articular e limitação funcional) ou, raramente, septicemia. A infecção cutânea geralmente resolve espontaneamente em semanas, mas as formas sistêmicas têm curso prolongado e requerem tratamento antimicrobiano.
Complicações possíveis
Endocardite
Infecção das válvulas cardíacas, podendo levar a insuficiência cardíaca, embolias e necessidade de intervenção cirúrgica.
Artrite séptica
Inflamação articular por disseminação hematogênica, resultando em dor, edema e destruição articular se não tratada.
Septicemia
Infecção generalizada com risco de choque séptico e falência de múltiplos órgãos, mais comum em imunocomprometidos.
Linfangite
Inflamação dos vasos linfáticos regionais, com dor em cordão e possível propagação da infecção.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
A erisipelóide é uma zoonose de distribuição global, com incidência variável conforme a exposição ocupacional. É mais comum em regiões com produção animal intensiva, como América do Norte, Europa e Ásia. Grupos de risco incluem trabalhadores rurais, veterinários, açougueiros, pescadores e cozinheiros, com maior prevalência em homens adultos. A incidência exata é subnotificada devido à natureza autolimitada da forma cutânea, mas estima-se que ocorram centenas de casos anuais mundialmente. Surtos podem estar associados a manipulação de produtos contaminados, e a sazonalidade é influenciada por atividades ocupacionais.
Prognóstico
O prognóstico da erisipelóide cutânea localizada é geralmente excelente, com resolução espontânea em 2 a 4 semanas na maioria dos casos. Em indivíduos tratados com antibioticoterapia adequada, a melhora ocorre em dias. No entanto, formas sistêmicas como endocardite têm prognóstico reservado, com mortalidade de até 40% se não tratadas precocemente. Fatores de risco para pior prognóstico incluem imunossupressão, atraso no diagnóstico e envolvimento cardíaco. A recuperação é completa na ausência de complicações, mas sequelas como dano valvar ou articular podem persistir em casos graves.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de erisipelóide baseia-se na história de exposição ocupacional ou ambiental a fontes animais, associada ao quadro clínico característico de lesão cutânea eritematosa e edemaciada em mãos ou dedos. A confirmação laboratorial é feita por cultura de amostra de biópsia cutânea ou aspirado da lesão em meios enriquecidos (ex.: ágar sangue), com identificação de Erysipelothrix rhusiopathiae. Testes moleculares, como PCR, podem auxiliar na detecção rápida. Critérios incluem: (1) lesão cutânea típica com história epidemiológica sugestiva; (2) isolamento de E. rhusiopathiae em cultura; (3) exclusão de diagnósticos diferenciais como erisipela e celulite. Em formas sistêmicas, hemoculturas positivas e ecocardiograma para endocardite são essenciais.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Erisipela
Infecção cutânea por Streptococcus beta-hemolítico do grupo A, com lesão eritematosa, edemaciada e dolorosa, mas geralmente associada a febre alta e linfangite mais proeminente; diferenciação por cultura ou PCR.
UpToDate: 'Erysipelas and cellulitis in adults: Treatment'
Celulite
Infecção bacteriana da derme e tecido subcutâneo, frequentemente por Staphylococcus aureus ou Streptococcus, com eritema difuso, calor e dor; distinção baseada em história ocupacional e culturas.
Diretrizes Brasileiras de Infecções da Pele e Tecidos Moles
Dermatite de contato
Reação inflamatória da pele a irritantes ou alérgenos, com eritema, prurido e possíveis vesículas; sem febre ou história infecciosa, diferenciada por teste de contato.
PubMed: 'Contact dermatitis: A practice parameter'
Infecção por Mycobacterium marinum
Infecção cutânea granulomatosa associada a exposição aquática, com nódulos ou úlceras de evolução lenta; diagnóstico por cultura em meios específicos para micobactérias.
OMS: 'Guidelines for the management of skin and soft tissue infections'
Artrite reativa
Síndrome inflamatória pós-infecciosa com envolvimento articular, cutâneo e ocular; sem isolamento bacteriano direto, diferenciada por história clínica e sorologia.
Micromedex: 'Reactive arthritis drug information'
Exames recomendados
Cultura de biópsia cutânea
Coleta de tecido da lesão para cultivo em meios enriquecidos (ex.: ágar sangue) para isolamento de Erysipelothrix rhusiopathiae.
Confirmação etiológica da infecção.
Hemocultura
Coleta de sangue para cultivo bacteriano, especialmente em casos suspeitos de disseminação sistêmica.
Detecção de bacteremia e orientação do tratamento em formas graves.
PCR (Reação em Cadeia da Polimerase)
Teste molecular para detecção de DNA de E. rhusiopathiae em amostras clínicas.
Diagnóstico rápido e específico, útil em casos atípicos.
Ecocardiograma transtorácico
Exame de imagem para avaliação de válvulas cardíacas e detecção de vegetações em suspeita de endocardite.
Identificação de complicações cardíacas em formas sistêmicas.
Biópsia cutânea com histopatologia
Análise microscópica do tecido para evidenciar inflamação aguda e excluir outras patologias.
Apoio ao diagnóstico diferencial e confirmação de padrão inflamatório.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Empregar luvas, aventais e proteção ocular em ocupações de risco para evitar contato direto.
Educação em saúde ocupacional
Treinamento de trabalhadores sobre riscos e práticas seguras no manejo animal.
Controle veterinário
Monitoramento e tratamento de animais infectados para reduzir reservatórios.
Vigilância e notificação
A erisipelóide não é uma doença de notificação compulsória na maioria dos países, incluindo o Brasil, segundo a Portaria MS nº 204/2016. No entanto, a vigilância epidemiológica é recomendada em surtos ocupacionais ou comunitários para identificar fontes de infecção e implementar medidas preventivas. Profissionais de saúde devem notificar casos suspeitos às autoridades sanitárias locais se houver cluster de casos ou formas graves. A vigilância inclui monitoramento de exposições ocupacionais, educação sobre práticas de higiene e investigação de reservatórios animais.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Não, a erisipelóide não é considerada contagiosa de pessoa para pessoa; a transmissão ocorre principalmente por inoculação direta a partir de animais ou produtos contaminados.
Trabalhadores rurais, veterinários, açougueiros, pescadores e cozinheiros que manipulam carne ou peixe cru são os grupos de maior risco devido à exposição ocupacional.
A recorrência é rara com tratamento adequado, mas nova exposição pode levar a reinfecção; medidas preventivas são essenciais em indivíduos com risco contínuo.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...