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CID A25: Febres transmitidas por mordedura de rato
A250
Espirilose
A251
Estreptobacilose
A259
Febre transmitida por mordedura de rato, tipo não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
A leptospirose é uma zoonose bacteriana aguda causada por espiroquetas do gênero Leptospira, com distribuição global e particular prevalência em regiões tropicais e subtropicais. A doença é caracterizada por um amplo espectro clínico, variando desde formas assintomáticas ou leves até quadros graves com insuficiência renal, hepática, hemorragias pulmonares e síndrome de Weil, com taxas de letalidade que podem ultrapassar 10% em casos não tratados. A transmissão ocorre principalmente através do contato direto ou indireto com urina de animais infectados, especialmente roedores, ou com água e solo contaminados, sendo frequentemente associada a enchentes e ocupações de risco como agricultura e saneamento. A incidência é influenciada por fatores socioambientais, com picos sazonais em períodos chuvosos, e representa um significativo problema de saúde pública em países em desenvolvimento.
Descrição clínica
A leptospirose apresenta um curso bifásico: a fase septicêmica (aguda) dura de 4 a 7 dias, com início abrupto de febre alta, cefaleia intensa, mialgias (especialmente em panturrilhas e região lombar), calafrios, conjuntivite e manifestações hemorrágicas; a fase imune inicia-se após um breve período de defervescência, podendo evoluir com icterícia, insuficiência renal aguda, meningite asséptica e alterações hepáticas. A forma grave, ou síndrome de Weil, cursa com icterícia, insuficiência renal, hemorragias e frequentemente envolvimento pulmonar com hemorragia alveolar difusa, sendo associada a maior morbimortalidade.
Quadro clínico
O quadro clínico varia desde formas subclínicas até graves. Sintomas iniciais incluem febre súbita (39-40°C), cefaleia intensa, mialgias proeminentes, calafrios, conjuntivite não purulenta, exantema e manifestações gastrointestinais como náuseas e vômitos. Na fase imune, podem ocorrer icterícia, oligúria ou anúria, hemorragias (petéquias, equimoses, hemoptise), meningismo e, em casos severos, insuficiência respiratória aguda. A evolução pode ser rápida, com piora em 24-48 horas em formas fulminantes.
Complicações possíveis
Insuficiência renal aguda
Frequente na síndrome de Weil, requer suporte dialítico em até 50% dos casos graves.
Hemorragia pulmonar
Manifestação grave com alta letalidade, caracterizada por hemoptise e insuficiência respiratória.
Icterícia grave
Decorrente de hepatite leptospírica, com bilirrubina frequentemente >20 mg/dL.
Meningite asséptica
Pode ocorrer na fase imune, com pleocitose linfocítica no LCR.
Miocardite e arritmias
Rara, mas associada a pior prognóstico em casos fulminantes.
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A leptospirose tem distribuição mundial, com maior incidência em regiões tropicais e subtropicais, como América Latina, Sudeste Asiático e África. No Brasil, é endêmica, com surtos associados a enchentes e áreas urbanas periféricas; a incidência anual varia, com milhares de casos notificados. Grupos de risco incl homens em idade produtiva, agricultores, trabalhadores de saneamento e populações em áreas de inundação. A sazonalidade é marcada por picos em períodos chuvosos.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom em formas leves, com recuperação completa em 2-3 semanas. Em casos graves, a letalidade varia de 5% a 15%, dependendo do acesso a tratamento intensivo; fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, icterícia profunda, oligúria, hemorragia pulmonar e delay no início da antibioticoterapia. Sequelas renais ou hepáticas crônicas são raras.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos-epidemiológicos e laboratoriais. Segundo a OMS e diretrizes brasileiras, inclui: história de exposição a fatores de risco (ex.: contato com água contaminada), quadro clínico sugestivo (febre, mialgia, icterícia) e confirmação laboratorial por isolamento de Leptospira em cultivo (padrão-ouro), sorologia (ELISA ou MAT com título ≥1:800 ou quadruplicação do título em amostras pareadas), ou detecção de DNA por PCR. A presença de síndrome de Weil (icterícia, insuficiência renal e hemorragias) reforça a suspeita.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Dengue
Febre aguda com cefaleia, mialgia e manifestações hemorrágicas, mas geralmente sem icterícia proeminente ou insuficiência renal precoce; confirmação por sorologia ou NS1.
WHO. Dengue guidelines for diagnosis, treatment, prevention and control. 2009.
Malária
Febre, calafrios e hepatoesplenomegalia, mas com padrão periódico de febre e confirmação por gota espessa ou testes rápidos para plasmódio.
WHO. Guidelines for the treatment of malaria. 2015.
Hepatite viral aguda
Icterícia e elevacão de transaminases, mas geralmente sem mialgia intensa ou envolvimento renal significativo; sorologia para vírus hepatotrópicos.
AASLD. Guidelines for diagnosis and management of autoimmune hepatitis. 2019.
Febre tifoide
Febre prolongada, cefaleia e alterações gastrointestinais, mas com bradicardia relativa e roseolas; confirmação por hemocultura ou teste de Widal.
WHO. Typhoid fever. 2018.
Hantavirose
Síndrome cardiopulmonar com febre, mialgia e insuficiência respiratória, mas sem icterícia marcante; confirmação por sorologia ou PCR.
CDC. Hantavirus Pulmonary Syndrome. 2020.
Exames recomendados
Hemograma completo
Pode mostrar leucocitose com desvio à esquerda, trombocitopenia e anemia em casos graves.
Avaliar resposta inflamatória e complicações hemorrágicas.
Função renal e hepática
Elevação de ureia, creatinina, bilirrubina (principalmente direta) e transaminases (moderada).
Detectar insuficiência renal e hepática, comuns na síndrome de Weil.
Sorologia (MAT ou ELISA)
Teste de microaglutinação (MAT) ou ELISA para detecção de anticorpos anti-Leptospira; título ≥1:800 ou quadruplicação em amostras pareadas é diagnóstica.
Confirmação sorológica da infecção.
PCR para Leptospira
Detecção de DNA leptospírico em sangue, urina ou LCR durante a fase aguda.
Diagnóstico precoce antes da soroconversão.
Exames de imagem (radiografia de tórax)
Pode mostrar infiltrados alveolares ou consolidações em casos com envolvimento pulmonar.
Avaliar complicações pulmonares como hemorragia alveolar.
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Redução de fontes de alimento e abrigo, uso de raticidas e desratização em áreas de risco.
Proteção individual
Uso de equipamentos de proteção (botas, luvas) por trabalhadores expostos e evitar contato com água potencialmente contaminada.
Educação em saúde
Orientação sobre riscos e medidas preventivas em comunidades endêmicas.
Quimioprofilaxia
Doxiciclina 200 mg/semana VO pode ser considerada para exposições de alto risco de curta duração.
Vigilância e notificação
A leptospirose é de notificação compulsória imediata no Brasil, conforme Portaria MS nº 204/2016. A vigilância envolve monitoramento de casos suspeitos e confirmados, investigação de surtos, controle de roedores e educação em saúde. Dados são consolidados no SINAN para ações de prevenção e controle.
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O período de incubação varia de 2 a 30 dias, com média de 5 a 14 dias, dependendo da carga infecciosa e do sorovar.
A transmissão inter-humana é extremamente rara; a principal via é o contato com urina de animais infectados ou ambientes contaminados.
Internação é indicada para casos com sinais de gravidade como icterícia, oligúria, hemorragias, alterações neurológicas ou instabilidade hemodinâmica.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...