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Um caso clínico de SEPSE

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Neste caso clínico de Sepse, você irá entender tudo o que deve ser feito com pacientes que chegam ao hospital com essa doença. Ao final, confira uma discussão sobre o caso.

Esse conteúdo foi feito por:

Autores: Letícia Souza Sancho e Tiago Figueiredo Barbosa
Orientador(a): Dr. Rinaldo Antunes Barros
Instituição: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública

Bons estudos!

Identificação do paciente

FOB, 65 anos, sexo masculino, trabalhador rural, analfabeto, natural e procedente de São Desidério-BA.

Queixa principal

O paciente compareceu à unidade de emergência do Hospital LBCC com queixa de dor em flanco direito e parte superior direita do dorso há 2 dias. Refere que a dor é de intensidade 8 (0-10), sem irradiação e sem fatores de melhora ou piora.

História da doença Atual (HDA)

Relata que nos últimos 06 meses vem apresentando episódios intermitentes de febre, associados à anorexia e mal-estar. Relata ser tabagista (30 maços/ano), etilista e sedentário. Possui diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica há 20 anos e Diabetes Mellitus tipo 2 há 15 anos. Negas outras patologias prévias.

Exame físico

  • Geral: Paciente em regular estado geral, lúcido e orientado no tempo e no espaço, emagrecido, com mucosas hipocrômicas (+/IV), escleras anictéricas e febril.
  • Dados vitais: PR = 120bpm, FR = 25ipm, Tax = 38,5°C, TA = 90x65mmHg.
  • Pele e fâneros: palidez cutânea mucosa, pele fria e sudoreica; sem demais alterações.
  • Aparelho respiratório: tórax de formato normal, simétrico, sem regiões de hipersensibilidade, com expansibilidade preservada bilateralmente. Frêmito toracovocal sem alteração. À percussão, som claro pulmonar. Murmúrio vesicular bem distribuído, sem ruídos adventícios.
  • Aparelho cardiovascular: precórdio calmo, ausência de impulsões visíveis. Ictus cordis palpável no 5° EIC, na linha hemiclavicular esquerda. Bulhas taquicárdicas e normofonéticas em dois tempos. Ausência de sopros.
  • Abdome: à inspeção, abdome plano, cicatriz umbilical intrusa, ausência de lesões cutâneas, cicatrizes, equimoses, circulação colateral ou herniações. Na ausculta, ruídos hidroaéreos presentes, sem sopros arteriais. À percussão, abdome timpânico difusamente, presença de macicez em loja hepática e espaço de Traube livre. Palpações superficial e profunda sem alteração.
  • Demais sistemas sem alterações.

Exames complementares

Hemograma Resultado Valor de referência
Hemácias 4,7 milhões/mm³ 3,9 – 5,4 milhões/mm³
Hemoglobina 11,5 g/dL 12 – 15 g/dL
Hematócrito 39% 37 – 49%
Leucócitos 25.100 céls/mm³ 5.000 – 10.000 céls/mm³
Bastões 9% 0 a 4%
Neutrófilos 51,2% 40 a 75%
Plaquetas 250 mil/mm³ 140 – 440 mil/mm³
Transaminases Resultado Valor de referência
AST 28 U/L 10 – 40 U/L
ALT 15 U/L 10 – 40 U/L
Bilirrubina Resultado Valor de referência
Total 0,9 mg/dL 0,3 – 1,2 mg/dL
Conjugada 0,2 mg/dL 0,0 – 0,4 mg/dL
Não-conjugada 0,7 mg/dL 0,3 – 0,8 mg/dL
Ureia e Creatinina Resultado Valor de referência
Ureia 1,7 mg/dL 10 – 50 mg/dL
Creatinina 1,7 mg/dL 0,6 – 1,5 mg/dL
  Resultado Valor de referência
Lactato 2,4 mmol/L 0,3 – 2,4 mmol/L

Foi realizado uma radiografia de tórax em PA que evidenciou uma opacificação abrangendo 80% do hemitórax direito, sendo levantada a suspeita de Pneumonia associada à presença de derrame parapneumônico. Foi solicitada uma ultrassonografia de abdome superior, sendo evidenciada a presença de múltiplos abcessos hepáticos. 

O paciente foi admitido na unidade de terapia intensiva e optou-se pela administração de cristaloides, com manutenção da hipotensão arterial sistêmica. Introduzida noradrenalina 0.05µg/kg/min, com consequente manutenção da PAM ≥ 65mmHg

Discussão sobre o caso de SEPSE

  • Como definir sepse e choque séptico?
  • Quais exames devem ser solicitados na investigação do paciente?
  • Qual o quadro apresentado pelo paciente no caso?
  • Qual a conduta do paciente com sepse?

Após a publicação do consenso Sepse-3, sepse passou a ser definida pela presença de uma disfunção orgânica ameaçadora à vida secundária a uma resposta desregulada do organismo ao quadro infeccioso vigente. Tal disfunção é definida pela presença do aumento de 2 ou mais pontos no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment).

Tendo isso em mente, tem-se que Sepse objetivamente é diagnosticada quando há presença de uma infecção (documentada ou suspeitada) e aumento de 2 ou mais pontos no escore SOFA.

O choque séptico, por sua vez, é definido pela presença de um quadro de sepse que encontra-se associado à hipotensão que permanece a despeito de ressuscitação com fluídos, sendo necessária a utilização de vasopressor para manutenção da PAM ≥ 65mmHg.

Visando a triagem rápida e fácil de pacientes adultos com suspeita de infecção, a fim de determinar aqueles que possuem risco maior de evoluir de forma desfavorável, desenvolveu-se o quick SOFA (qSOFA), caracterizado por: frequência respiratória ≥ 22 ipm, pressão arterial sistólica ≤ 100mmHg e alteração no nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow ≤14).

É importante destacar que não existem exames laboratoriais específicos para o diagnóstico de sepse, de modo que a avaliação do paciente deve ser feita sempre correlacionando os achados nos exames complementares com o quadro clínico apresentado pelo paciente.

Principais exames para solicitar

Nesse contexto, os principais exames gerais e séricos que podem ser solicitados são: hemograma, ureia e creatinina, eletrólitos, glicemia, AST, ALT e bilirrubinas, gasometria arterial, lactato, proteína C-reativa, radiografia de tórax e eletrocardiograma.

Exames complementares

Os exames complementares para o diagnóstico microbiológico incluem: dois pares de hemocultura (1 par deve ser colhido do acesso central sempre que esse tenha sido inserido há mais de 48h), sumário de urina e urocultura, cultura de local suspeito, além de exames de imagem para confirmar uma potencial origem da infecção, se houver suspeita clínica.

O paciente do caso apresenta alterações nos sistemas cardiovascular e renal e utiliza noradrenalina com dose igual a 0.05µg/kg/min, pontua-se 3 pontos no Escore SOFA. Além disso, apresenta dosagem de creatinina de 1.7mg/dL, pontuando 1 ponto no SOFA, tendo assim, uma pontuação total de 4 pontos. Levando-se em conta à suspeição da presença de pneumonia, tem-se estabelecido o diagnóstico de sepse.

Como intervenções gerais que possuem elevado impacto na redução da mortalidade, objetivando o cuidado do paciente séptico, temos:

  • Monitorização não invasiva;
  •  A antibioticoterapia deve ser iniciada precocemente, em menos de uma hora da identificação de um paciente com quadro séptico, e deve ser direcionada para o foco suspeito de infecção. Para cada hora de retardo, eleva-se em 4%/hora a taxa de mortalidade do paciente;
  • Suporte de oxigênio, ressuscitação volêmica ( e utilização de vasopressor (PAM ≤ 65mmHg), conforme necessidade
    • Noradrenalina (dose inicial 5-10mcg/min) se PAM ≤ 65mmHg, após adequada ressuscitação com fluidos;
    • Se choque refratário à noradrenalina, administrar vasopressina ou epinefrina;
    • Utilizar hidrocortisona se for necessário a elevação frequente da noradrenalina para controle da PAM.
  • Realização de acesso venoso, sendo que a inserção de um cateter venoso central não deve atrasar a administração de fluidos e antibióticos;
  • Se a intubação orotraqueal for necessária, é essencial que se evite ao máximo o uso de fentanil, midazolam ou proporfol, uma vez que podem agravar a hipotensão. Nesse sentido, a intubação com sequência rápida deve ser feita com quetamina ou etomidato e succinilcolina ou rocurônio;
  • Transferência para unidade de internação ou unidade de terapia intensiva.

Diagnósticos diferenciais principais

É necessário nos atentarmos a quadros que podem simular um caso de sepse, devido a respostas semelhantes no aumento da temperatura, alterações nas frequências cardíaca e respiratória, pressão arterial média, entre outras coisas. Dessa forma, como alguns dos diagnósticos diferenciais divididos por sistemas, temos:

  • Cardiovascular: insuficiência cardíaca aguda e choque cardiogênico;
  • Pulmonar: embolia pulmonar e síndrome do desconforto respiratório agudo;
  • Neurológico: hemorragia subaracnóidea;
  • Abdome: pancreatite aguda;
  • Variadas ou sistêmicas: crise addisoniana, anafilaxia e intoxicação aguda.

Objetivos de aprendizados/competências

  • Dominar os critérios para diagnóstico de Sepse e Choque Séptico;
  • Correlacionar os conceitos de sepse com o caso clínico;
  • Entender brevemente quais são os objetivos do tratamento do paciente com sepse.

Pontos importantes sobre o caso de SEPSE

  • Nova definição de sepse: infecção – documentada ou suspeitada – e aumento de 2 ou mais pontos no escore SOFA;
  • Choque séptico é caracterizado por um quadro de sepse no qual é necessário o uso de vasopressor para manter a PAM ≥ 65 e lactato > 2 mmol/L;
  • Critérios do qSOFA: presença de 2 ou mais dos seguintes critérios: FR ≥ 22 IPM, PAS ≤ 100 mmHg e escala de Glasgow < 15;
  • As manifestações clínicas de sepse podem ser as mais variadas e irão depender do sítio da infecção, idade, comorbidades do paciente e do agente etiológico;
  • Não existem exames laboratoriais específicos para o diagnóstico de sepse;
  • A antibioticoterapia deve ser iniciada precocemente, uma vez que possui impacto direto e significativo na mortalidade;
  • Uma PAM ≤ 65mmHg jamais deve ser tolerada;
  • Em caso de intubação orotraqueal necessária, deve-se evitar uso de fentanil, midazolam ou proporfol, visto que há risco de se agravar a hipotensão. Nesse sentido, utiliza-se quetamina ou etomidato e succinilcolina ou rocurônio.

Referências sobre SEPSE

  • Velasco IT, Neto RAB, Souza HP de, Marino LO, Marchini JFM, Alencar JCG de. Medicina de Emergência: Abordagem Prática. 13ª Edição. São Paulo; 2019;
  • Martins HS, Neto RAB, Velasco IT. Medicina de Emergência: Abordagem Prática. 12ª Edição. São Paulo; 2017;
  • Singer M, Deutschman CS, Seymour CW, et al.  The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. doi:10.1001/jama.2016.0287
  • Conor M. Hepatic Abscess: Case Report And Review. West J Emerg Med. 2013;

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