Angioplastia com stent: quando é indicada e como funciona o procedimento

  • junho 4, 2026
  • 8 min read
[addtoany]
Angioplastia com stent: quando é indicada e como funciona o procedimento

A angioplastia com stent, também chamada de intervenção coronária percutânea, é um procedimento de revascularização miocárdica indicado para restaurar o fluxo sanguíneo em artérias coronárias com obstruções significativas. Na prática clínica, o método tem papel importante tanto no tratamento de síndromes coronarianas agudas quanto no manejo de pacientes com doença arterial coronariana crônica sintomática.

Em linhas gerais, o procedimento combina a dilatação da lesão coronariana com balão e o implante de um stent, uma estrutura metálica expansível que mantém a artéria aberta. Além disso, os stents farmacológicos liberam medicamentos antiproliferativos que reduzem a hiperplasia neointimal e, consequentemente, diminuem o risco de reestenose quando comparados aos stents metálicos convencionais.

Quando a angioplastia com stent é indicada?

A indicação da angioplastia com stent depende da combinação entre:

  • Apresentação clínica
  • Anatomia coronariana
  • Extensão da isquemia
  • Gravidade da estenose
  • Função ventricular
  • Comorbidades
  • E risco do paciente.

Portanto, o médico não deve considerar apenas o percentual de obstrução visto na angiografia. Pelo contrário, deve avaliar se aquela lesão tem relevância clínica e funcional.

Síndromes coronarianas agudas

Nas síndromes coronarianas agudas, a angioplastia com stent tem indicação frequente, especialmente quando existe uma lesão culpada associada ao evento. No infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST, a intervenção coronária percutânea primária representa a estratégia preferencial de reperfusão quando a equipe consegue realizá-la em tempo adequado.

Nesse contexto, o objetivo consiste em abrir rapidamente a artéria ocluída, restaurar a perfusão miocárdica, reduzir a área de necrose e preservar a função ventricular. Além disso, a revascularização precoce diminui o risco de complicações elétricas, mecânicas e hemodinâmicas relacionadas ao infarto.

Doença coronariana crônica

Na doença arterial coronariana crônica, a indicação exige avaliação mais individualizada. Em pacientes com angina persistente apesar de tratamento clínico otimizado, a angioplastia pode melhorar sintomas, tolerância ao esforço e qualidade de vida. Além disso, quando exames funcionais demonstram isquemia significativa em território miocárdico relevante, a revascularização percutânea pode integrar o plano terapêutico.

Entretanto, em muitos pacientes estáveis, o tratamento clínico intensivo continua sendo a base do cuidado. Assim, a angioplastia não substitui controle pressórico, estatinas, antiagregantes quando indicados, manejo do diabetes, cessação do tabagismo, reabilitação cardiovascular e acompanhamento longitudinal.

Lesões coronarianas complexas

A angioplastia também pode ser considerada em cenários anatômicos mais complexos, como reestenose intra-stent, lesões calcificadas, bifurcações, oclusões crônicas totais, lesões em enxertos venosos e doença de tronco de coronária esquerda em pacientes selecionados.

Nesses casos, contudo, a equipe deve avaliar a complexidade do procedimento, a experiência do centro, o risco de complicações e a possibilidade de cirurgia de revascularização miocárdica. Além disso, dispositivos especializados podem ajudar no preparo da placa e otimizar a expansão do stent.

Como funciona o procedimento?

Acesso vascular e angiografia coronariana

O procedimento geralmente começa com acesso arterial, mais frequentemente pela artéria radial. No entanto, a via femoral ainda pode ser utilizada em situações específicas. Depois disso, o cardiologista intervencionista avança cateteres até a origem das artérias coronárias e injeta contraste iodado para mapear as obstruções.

A angiografia permite identificar a artéria acometida, a localização da lesão, o grau de estenose, o comprimento do segmento comprometido, a presença de calcificação, tortuosidade, trombo ou bifurcação. Com isso, a equipe define a técnica mais adequada.

Passagem do fio-guia e preparo da lesão

Após identificar a lesão-alvo, o operador atravessa a obstrução com um fio-guia coronariano. Em seguida, ele pode realizar pré-dilatação com balão, especialmente quando a lesão apresenta estreitamento importante, calcificação ou dificuldade de passagem do stent.

Além disso, em lesões calcificadas ou muito rígidas, o operador pode utilizar dispositivos especializados, como balões de corte, balões escoreados, aterectomia rotacional, aterectomia orbital ou litotripsia intravascular. Essas técnicas ajudam a modificar a placa, melhorar a complacência do vaso e favorecer a expansão adequada do stent.

Implante do stent

Depois do preparo da lesão, o cardiologista posiciona o stent no segmento-alvo e o expande com um balão. Assim, a malha metálica comprime a placa aterosclerótica contra a parede arterial e amplia a luz do vaso. Em seguida, o operador pode realizar pós-dilatação com balão não complacente para otimizar a expansão e a aposição do stent.

Esse cuidado importa porque a subexpansão do stent aumenta o risco de reestenose e trombose. Portanto, quando disponível, a imagem intravascular, como ultrassom intracoronário ou tomografia de coerência óptica, pode ajudar a confirmar expansão, aposição e cobertura adequada da lesão.

Quais tipos de stent podem ser utilizados?

Stents farmacológicos

Os stents farmacológicos representam a principal opção na prática atual. Eles liberam fármacos antiproliferativos, como sirolimus, everolimus, zotarolimus ou derivados, com o objetivo de reduzir a proliferação celular local e a formação de neointima. Dessa forma, diminuem a chance de reestenose e necessidade de nova revascularização da lesão-alvo.

Stents metálicos convencionais

Os stents metálicos convencionais têm uso mais restrito atualmente. Embora reduzam o recolhimento elástico do vaso e a oclusão aguda em comparação com a angioplastia por balão isolada, eles apresentam maior risco de reestenose quando comparados aos stents farmacológicos.

Dispositivos especializados

Além dos stents tradicionais, alguns cenários exigem dispositivos específicos. Balões farmacológicos podem ter papel em reestenose intra-stent ou vasos pequenos. Já dispositivos de aterectomia, litotripsia intravascular e balões modificadores de placa podem auxiliar em lesões calcificadas, subexpansão prévia ou anatomias mais desafiadoras.

Quais cuidados reduzem complicações?

Terapia antiplaquetária

Após o implante do stent, a terapia antiplaquetária tem papel decisivo na prevenção de trombose. Em geral, o paciente recebe dupla antiagregação plaquetária por período definido conforme o tipo de apresentação clínica, o tipo de stent, o risco isquêmico e o risco hemorrágico.

A adesão ao tratamento importa muito. A interrupção precoce de antiagregantes, especialmente sem orientação médica, aumenta o risco de trombose de stent, evento associado a alta morbimortalidade.

Otimização do implante

A técnica também influencia diretamente os resultados. Por isso, o operador deve buscar:

  • Cobertura completa da lesão
  • Expansão adequada
  • Boa aposição das hastes
  • E ausência de dissecções relevantes nas bordas.

Além disso, em anatomias complexas, a imagem intravascular pode refinar a tomada de decisão.

Controle dos fatores de risco

Mesmo após uma angioplastia bem-sucedida, o paciente continua com doença aterosclerótica sistêmica. Portanto, o cuidado deve incluir estatina em alta intensidade quando indicada, controle rigoroso da pressão arterial, manejo do diabetes, cessação do tabagismo, incentivo à atividade física segura, reabilitação cardiovascular e seguimento clínico.

Possíveis complicações da angioplastia com stent

Embora a angioplastia com stent seja um procedimento amplamente realizado e tecnicamente seguro em centros experientes, complicações podem ocorrer. Entre elas, destacam-se sangramento no sítio de acesso, hematoma, pseudoaneurisma, reação ao contraste, nefropatia induzida por contraste, dissecção coronariana, perfuração, no-reflow, arritmias, infarto periprocedimento, reestenose e trombose de stent.

A trombose de stent merece atenção especial, pois pode ocorrer de forma aguda, subaguda, tardia ou muito tardia. Entre os fatores associados estão interrupção prematura da terapia antiplaquetária, subexpansão do stent, má aposição, lesões longas, bifurcações, diabetes, insuficiência renal, baixa fração de ejeção e apresentação inicial como síndrome coronariana aguda.

Conheça nossa Pós em Clínica Médica

Aprofunde sua visão clínica e conduza casos complexos com mais segurança.

Referências bibliográficas

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀