Pratique questões de medicina
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Uma menina de 3 anos, previamente hígida, é trazida ao pronto-socorro pela mãe por “sonolência súbita após o almoço”. A responsável nega possibilidade de acesso a medicamentos e relata que a criança “sempre dorme profundamente quando está doente”. Refere episódios semelhantes nos últimos três meses, avaliados em dois serviços diferentes, sem diagnóstico estabelecido.
Na admissão:
· Ambas as pupilas apresentam aproximadamente 1 mm de diâmetro, simétricas.
A criança apresenta Glasgow 8, hipoventilação, pupilas puntiformes bilateralmente e hiporreflexia. Não apresenta broncorreia, sudorese ou fasciculações. Durante a exposição, são encontradas equimoses discretas em ambos os braços, em diferentes regiões. A mãe solicita repetidamente alta assim que a criança “acordar”.
Qual é a melhor estratégia inicial e subsequente?
Priorizar o afastamento da mãe e a comunicação imediata ao Conselho Tutelar antes de qualquer intervenção farmacológica, pois a repetição dos episódios caracteriza abuso médico infantil até prova em contrário.
Solicitar rastreio toxicológico urinário antes de administrar antídotos, pois a possibilidade de intoxicação provocada exige comprovação objetiva antes do tratamento e da notificação.
Administrar flumazenil empiricamente, pois a combinação de hiporreflexia e rebaixamento do nível de consciência favorece intoxicação por benzodiazepínicos; após melhora, encaminhar para investigação ambulatorial dos episódios recorrentes.
Priorizar suporte ventilatório e administrar naloxona diante da síndrome opioide com depressão respiratória; após estabilização, investigar o contexto da exposição e, diante da suspeita razoável de maus-tratos, acionar a rede de proteção sem exigir confirmação definitiva da intoxicação provocada.
Realizar carvão ativado imediatamente, mesmo com Glasgow 8, uma vez que o agente foi provavelmente ingerido por via oral e não há história de substância corrosiva.