Pratique questões de medicina
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Uma menina de 12 anos, previamente hígida, é trazida ao Departamento de Emergência por alterações comportamentais e movimentos involuntários progressivos há aproximadamente três semanas. A mãe relata que inicialmente percebeu irritabilidade, labilidade emocional e piora do desempenho escolar. Posteriormente, a criança começou a “derrubar objetos”, apresentou deterioração abrupta da caligrafia e passou a demonstrar dificuldade para realizar tarefas como abotoar a roupa e utilizar talheres.
Nos últimos dias, os movimentos tornaram-se mais intensos, interferindo na alimentação e na deambulação. A família nega uso regular de medicamentos e não reconhece exposição recente a substâncias tóxicas.
Na admissão:
Ao exame neurológico, observam-se movimentos involuntários abruptos, irregulares, não rítmicos e assimétricos dos membros e da face, associados a hipotonia. Quando solicitada a protrusão da língua, a paciente não consegue mantê-la continuamente exteriorizada. Durante a avaliação da força de preensão, alterna involuntariamente contração e relaxamento dos dedos do examinador. Os movimentos desaparecem durante o sono.
Não há artrite, sopro cardíaco ou lesões cutâneas.
Exames iniciais:
Considerando a apresentação clínica e os exames disponíveis, qual é a interpretação mais adequada?
A normalidade dos marcadores inflamatórios e da ASLO torna a febre reumática improvável, devendo-se priorizar investigação de encefalite autoimune antes de considerar manifestação reumática.
A ausência de artrite e cardite associada a PCR e VHS normais praticamente exclui febre reumática, pois manifestações neurológicas isoladas não são reconhecidas como apresentação diagnóstica da doença.
A hipótese de Coreia de Sydenham é possível, porém o diagnóstico de febre reumática não pode ser estabelecido porque há apenas um critério maior, sendo obrigatória a presença concomitante de pelo menos dois critérios menores.
O quadro é compatível com Coreia de Sydenham, mas sua apresentação isolada não permite o diagnóstico; deve-se acompanhar a paciente até o eventual aparecimento de artrite ou cardite que permita completar os critérios de Jones.
O quadro é compatível com Coreia de Sydenham; a apresentação neurológica pode ocorrer tardiamente, quando marcadores inflamatórios e evidências sorológicas de infecção estreptocócica já podem estar ausentes, e a coreia isolada constitui exceção à exigência habitual de demonstração de infecção estreptocócica prévia.