Pratique questões de medicina

Estude para o ENAMED, concursos e provas de título no Sanarmed.com, é grátis.

Oferecido por


Uma menina de 12 anos, previamente hígida, é trazida ao Departamento de Emergência por alterações comportamentais e movimentos involuntários progressivos há aproximadamente três semanas. A mãe relata que inicialmente percebeu irritabilidade, labilidade emocional e piora do desempenho escolar. Posteriormente, a criança começou a “derrubar objetos”, apresentou deterioração abrupta da caligrafia e passou a demonstrar dificuldade para realizar tarefas como abotoar a roupa e utilizar talheres.

Nos últimos dias, os movimentos tornaram-se mais intensos, interferindo na alimentação e na deambulação. A família nega uso regular de medicamentos e não reconhece exposição recente a substâncias tóxicas.

Na admissão:

  • FC: 92 bpm
  • PA: 106 × 64 mmHg
  • FR: 18 irpm
  • SpO₂: 99% em ar ambiente
  • T: 36,6 °C

Ao exame neurológico, observam-se movimentos involuntários abruptos, irregulares, não rítmicos e assimétricos dos membros e da face, associados a hipotonia. Quando solicitada a protrusão da língua, a paciente não consegue mantê-la continuamente exteriorizada. Durante a avaliação da força de preensão, alterna involuntariamente contração e relaxamento dos dedos do examinador. Os movimentos desaparecem durante o sono.

Não há artrite, sopro cardíaco ou lesões cutâneas.

Exames iniciais:

  • Hemograma: normal
  • PCR: 0,4 mg/dL
  • VHS: 12 mm/h
  • ASLO: não elevada
  • ECG: sem alterações relevantes

Considerando a apresentação clínica e os exames disponíveis, qual é a interpretação mais adequada?

A

A normalidade dos marcadores inflamatórios e da ASLO torna a febre reumática improvável, devendo-se priorizar investigação de encefalite autoimune antes de considerar manifestação reumática.

B

A ausência de artrite e cardite associada a PCR e VHS normais praticamente exclui febre reumática, pois manifestações neurológicas isoladas não são reconhecidas como apresentação diagnóstica da doença.

C

A hipótese de Coreia de Sydenham é possível, porém o diagnóstico de febre reumática não pode ser estabelecido porque há apenas um critério maior, sendo obrigatória a presença concomitante de pelo menos dois critérios menores.

D

O quadro é compatível com Coreia de Sydenham, mas sua apresentação isolada não permite o diagnóstico; deve-se acompanhar a paciente até o eventual aparecimento de artrite ou cardite que permita completar os critérios de Jones.

E

O quadro é compatível com Coreia de Sydenham; a apresentação neurológica pode ocorrer tardiamente, quando marcadores inflamatórios e evidências sorológicas de infecção estreptocócica já podem estar ausentes, e a coreia isolada constitui exceção à exigência habitual de demonstração de infecção estreptocócica prévia.

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀