Dica do autor: A cirrose hepática alcoólica é uma condição crônica resultante do consumo excessivo e prolongado de álcool, levando à degeneração e substituição do tecido hepático normal por nódulos de regeneração cercados por fibrose. O dano hepatocelular é caracterizado por balonização dos hepatócitos, infiltração inflamatória e acúmulo de proteínas intracelulares mal dobradas. Um dos achados histológicos clássicos na doença hepática alcoólica são os corpúsculos de Mallory-Denk, que são inclusões eosinofílicas intracitoplasmáticas compostas por filamentos intermediários de citoqueratina e outras proteínas ubiquitinadas, sendo marcadores de estresse celular e lesão crônica nos hepatócitos.
A hialinose arteriolar, por outro lado, não é um achado característico da cirrose hepática, mas sim uma lesão vascular frequentemente observada em hipertensão arterial e nefropatia diabética, resultante da deposição de material hialino nas paredes arteriolares, levando à espessamento e estreitamento luminal.
Alternativa A: CORRETA.
Os corpúsculos de Mallory-Denk são acúmulos intracelulares de proteínas mal dobradas, principalmente filamentos intermediários de citoqueratina, associados à lesão hepatocelular crônica e ao estresse oxidativo. Esse achado é típico da doença hepática alcoólica e pode estar presente em outras condições hepáticas crônicas.
Alternativa B: INCORRETA.
Os corpúsculos de Mallory-Denk não são formados por lipídios. O acúmulo lipídico no fígado ocorre em condições como esteatose hepática alcoólica e não alcoólica, mas não está relacionado à formação dos corpúsculos de Mallory-Denk.
Alternativa C: INCORRETA.
A hialinose arteriolar não é uma característica comum da cirrose hepática. Esse achado é mais frequentemente observado em doenças vasculares, como hipertensão arterial e nefropatia diabética, afetando as arteríolas renais e sistêmicas.
Alternativa D: INCORRETA.
A hialinose arteriolar não está relacionada ao acúmulo de glicogênio, mas sim à deposição de material hialino nas paredes dos vasos. O acúmulo intracelular de glicogênio é mais característico de doenças metabólicas, como a doença de Pompe (glicogenose tipo II).
Resposta: Alternativa A.
Referências
- Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia - Bases Patológicas das Doenças. 10ª ed. Elsevier, 2021.
- Bataller R, Brenner DA. Liver fibrosis. J Clin Invest. 2005;115(2):209-218.
- Friedman SL. Liver fibrosis – from bench to bedside. J Hepatol. 2003;38 Suppl 1:S38-S53.