Dica do autor: A fase de manutenção da imunossupressão no transplante renal busca garantir a viabilidade a longo prazo do enxerto, prevenindo tanto a rejeição quanto as complicações infecciosas e metabólicas associadas ao excesso de imunossupressão. Os esquemas de manutenção são, via de regra, combinatórios e balanceados, empregando classes de fármacos com mecanismos de ação distintos e sinérgicos.
O pilar clássico é formado pelos inibidores da calcineurina (como tacrolimo ou ciclosporina), associados a um antimetabólito (geralmente micofenolato de mofetila ou azatioprina) e a baixas doses de corticosteroides. Em determinados contextos, especialmente quando há risco de toxicidade renal ou complicações neoplásicas, pode-se incluir inibidores da mTOR (como sirolimo ou everolimo — também chamado de rapamicina). Essa combinação permite uma potente imunossupressão com toxicidade controlada.
Alternativa B – INCORRETA: A timoglobulina e o basiliximabe são habitualmente utilizados na indução imunossupressora, no período perioperatório do transplante, e não na manutenção prolongada.
Alternativa C – INCORRETA: O uso de corticosteroides isolados em altas doses contínuas não é prática rotineira na manutenção, devido ao alto risco de efeitos adversos metabólicos, cardiovasculares e ósseos. Corticoides são mantidos em doses baixas ou até retirados em alguns protocolos.
Alternativa D – INCORRETA: Os anticorpos anti-CD20 (como rituximabe) têm uso reservado para situações especiais, como rejeição humoral refratária ou doenças autoimunes associadas, não compondo a imunossupressão de manutenção rotineira.
Alternativa E – INCORRETA: A plasmaférese periódica é indicada em contextos de rejeição humoral, sensibilização pré-transplante ou doenças específicas, mas não faz parte da rotina de manutenção imunossupressora.
Resposta correta: Alternativa A.
Referências:
GOODMAN, Louis Sanford; GILMAN, Alfred et al. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 13. ed. Rio de Janeiro: AMGH, 2023.
HILAL-DANDAN, Randa; BRUNTON, Laurence L. Manual de farmacologia e terapêutica de Goodman & Gilman. 2. ed. Porto Alegre: AMGH, 2023.
RANG, H. P. et al. Farmacologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020.
KATZUNG, Bertram G. Farmacologia básica e clínica. 15. ed. Porto Alegre: AMGH, 2021.