Dica do autor: A apneia obstrutiva do sono (SAOS) é caracterizada por episódios recorrentes de obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores durante o sono, levando a hipoxemia intermitente, hipercapnia, despertares repetidos e aumento da pressão intratorácica negativa. Esses eventos desencadeiam uma série de respostas fisiológicas com repercussões cardiovasculares importantes.
Durante os episódios de apneia, ocorre ativação do sistema nervoso simpático, aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. A repetição crônica desses eventos promove estresse oxidativo, disfunção endotelial, redução da sensibilidade barorreflexa, hiperresponsividade vascular e alterações no metabolismo do sal e da água, contribuindo significativamente para o desenvolvimento e manutenção da hipertensão arterial sistêmica (HAS).
Estudos demonstram que a prevalência de SAOS é de aproximadamente 35% em pacientes hipertensos, podendo chegar a 70% nos casos de hipertensão arterial resistente.
Alternativa A: Incorreta. As hipocretinas/orexinas são neuropeptídeos hipotalâmicos envolvidos na regulação neuroendócrina e da homeostase energética. A deficiência dessas substâncias está associada à narcolepsia com cataplexia, não sendo o principal mecanismo relacionado às complicações cardiovasculares da apneia obstrutiva do sono.
Alternativa B: Incorreta. As complicações cardiovasculares da SAOS não são fenômenos incomuns. Ao contrário, são frequentes, especialmente nos casos moderados a graves sem tratamento adequado, sendo a doença cardiovascular uma das principais associações.
Alternativa C: Incorreta. O ronco é um sintoma extremamente comum na SAOS, frequentemente relatado por acompanhantes, sendo um dos principais sinais clínicos da doença.
Alternativa D: Incorreta. A AOS é mais comum em indivíduos obesos, contudo, pode ocorrer, sim, em indivíduos magros
Alternativa E: Correta. As consequências agudas da apneia — incluindo hipoxemia, hipercarbia, despertares repetidos e aumento da negatividade da pressão intratorácica — promovem alterações neurais e humorais que impactam a regulação da pressão arterial. Evidências mostram aumento da atividade simpática, redução da sensibilidade barorreflexa, hiperresponsividade vascular e alterações no metabolismo hidrossalino, contribuindo para hipertensão arterial, especialmente nos casos de hipertensão resistente.
Resposta correta: Letra E.