Dica do autor: A hérnia diafragmática congênita (HDC) é uma das malformações mais críticas do período neonatal, frequentemente associada à hipoplasia pulmonar e deslocamento mediastinal, decorrente da herniação de conteúdo abdominal para o tórax durante a gestação. A embriogênese do diafragma é complexa e envolve a contribuição de várias estruturas embrionárias: o septo transverso, o mesentério dorsal do esôfago, as membranas pleuroperitoneais e o mesênquima da parede corporal lateral. Dentre essas, as membranas pleuroperitoneais têm papel central na separação das cavidades torácica e abdominal, pois fecham os canais pleuroperitoneais — aberturas situadas entre as cavidades pleural e peritoneal. A falha no desenvolvimento ou na fusão dessas membranas resulta em defeitos posterolaterais do diafragma, classicamente à esquerda (por fechamento mais tardio), permitindo que alças intestinais, estômago ou fígado herniem para o interior do tórax. Essa falha é o mecanismo primário por trás da maioria dos casos de HDC. A imagem mencionada, ao representar o celoma intraembrionário e sua compartimentalização, evidencia o momento embriológico em que a ausência de fusão adequada pode levar a essa condição.
Alternativa A: CORRETA. O desenvolvimento anormal das membranas pleuroperitoneais leva diretamente à persistência dos canais pleuroperitoneais, permitindo a comunicação anômala entre as cavidades abdominal e torácica — base patogênica da hérnia diafragmática congênita.
Alternativa B: INCORRETA. Embora o septo transverso contribua para o centro tendíneo do diafragma, sua migração insuficiente está mais associada a defeitos anteriores centrais e não à HDC posterolateral clássica.
Alternativa C: INCORRETA. Os ductos pericardioperitoneais são estruturas temporárias que permitem a comunicação entre as futuras cavidades pericárdica e peritoneal. A fusão inadequada desses ductos não está diretamente relacionada à HDC.
Alternativa D: INCORRETA. As membranas pleuropericárdicas participam da separação entre a cavidade pleural e a cavidade pericárdica, e não estão envolvidas na formação do diafragma.
Alternativa E: INCORRETA. O cordão umbilical não participa do desenvolvimento do diafragma nem da separação das cavidades torácica e abdominal. Seu defeito poderia estar implicado em onfalocele ou gastrosquise, mas não em HDC.
Resposta Correta: Alternativa A
Referências:
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Sadler, T. W. Langman – Embriologia Médica. 14ª ed. Elsevier, 2021.
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Moore, K. L., Persaud, T. V. N., & Torchia, M. G. Embriologia Clínica. 11ª ed. Elsevier, 2020.
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Carlson, B. M. Embriologia Humana e Biologia do Desenvolvimento. Guanabara Koogan, 2017.
